A Cerelac mudou. Tem menos açúcar e uma nova imagem
Longe dos tempos da velhinha lata que em 1933 serviu de embalagem à primeira versão da papa láctea Nestlé em Portugal, a rainha das p...
01 fev, 2018
Longe dos tempos da velhinha lata que em 1933 serviu de embalagem à primeira versão da papa láctea Nestlé em Portugal, a rainha das papas infantis mudou de imagem pela oitava vez. A marca explica que esta mudança passa sobretudo pela adoção de um logótipo mais moderno e que o rebranding da marca teve o seu arranque com o lançamento de novos produtos da gama, tais como bolachinhas biológicas de maçã e pacotinhos Cerelac.
Aos 81 anos a marca “continua inconfundível, mas oferece uma expressão mais suave e apelativa remetendo para uma textura e cores inspiradas na naturalidade”, garante a Nestlé, acrescentando que a mudança de visual irá impactar todas as variedades da gama de papas infantis: desde a original farinha láctea, às versões com sabor a frutos, até às mais recentes, com cereais integrais e aveia.
“Contudo, as clássicas versões para preparar com leite e láctea, irão manter o amarelo da sua embalagem, e a família, tão característica e diferenciadora”, sublinha ainda a Nestlé em comunicado.
Para Ludovic Aujugue, diretor da unidade de Nutrição Infantil da Nestlé Portugal, “esta nova imagem vem realçar as características e qualidade da papa preferida dos bebés portugueses há mais de 80 anos, e também a uma necessidade de responder ao alinhamento internacional definido para a marca Cerelac”.
O sabor, esse, também se alterou com o passar do tempo, que o digam alguns dos consumidores mais fiéis, que continuam a não resistir à papa infantil mesmo na idade adulta. Farinha de trigo, leite em pó (dos Açores) e açúcar continuam até hoje a estar na base da papa Cerelac, mas este último ingrediente já em muito menor percentagem face ao passado. Depois de já ter reduzido em cerca de 15% a sacarose adicionada ao produto, a Nestlé prepara-se agora para reduzir outro tanto e chegar à marca ideal de menos 30% de açúcar na Cerelac.
Miguel Neto, diretor da unidade fabril de Avanca, fundada em 1923, explica que, apesar de fundamental, a redução de açúcar tem de ser gradual, sob pena de comprometer a aceitação do produto por parte dos consumidores.
Por ano, a fábrica de Avanca produz 6 mil toneladas de Cerelac e a Nestlé já investiu 4,3 milhões para aumentar a unidade fabril. Ali são produzidas por dia 50 toneladas de Cerelac (100 mil embalagens de 500 gramas), das quais 54% seguem para exportação, para os chamados “mercados da saudade”, tais como Angola, Moçambique, Espanha, Suíça, entre outros países. É da fábrica portuguesa que sai toda a Cerelac consumida em 15 países da Europa e África. De um total de 34 mil toneladas de produtos Nestlé produzidos em Avanca anualmente, 6 mil toneladas são Cerelac. E o objetivo é crescer ainda mais, garante Miguel Neto.
Exemplo disso é a nova Cerelac para preparar com leite. Uma inovação 100% made in Avanca, esta nova receita desenvolvida a partir da papa original valeu à Nestlé Portugal a maior subida de vendas da Europa Ocidental no primeiro trimestre de 2015, com a angariação de novos clientes na sequência do lançamento de um novo produto.
Desenvolvida há 81 anos, pelo Prémio Nobel da Medicina Egas Moniz (natural de Avanca, que fundou na localidade a então Sociedade de Produtos Lácteos, para produzir leite em pó), com base na receita original do farmacêutico Henri Nestlé, a papa mais conhecida pelos portugueses está longe de passar de moda. O que não significa que não tenha de se adequar aos tempos modernos, pautados por uma elevada taxa de obesidade infantil, uma guerra na qual o açúcar, o glúten e as gorduras são inimigos a abater na alimentação das crianças.
Há mais de oito décadas o cenário era radicalmente diferente e tanto Henri Nestlé como Egas Moniz idealizaram uma farinha láctea com o objetivo de substituir o leite materno e travar a elevada mortalidade infantil.
FONTE: Dinheiro Vivo