A preservação da Marca Açores
Mais empresas e produtos aderentes à Marca Açores comportam “risco”
02 mai, 2018
Mais empresas e produtos aderentes à Marca Açores comportam “risco”
O diretor-geral da Centromarca - Associação Portuguesa das Empresas de Produtos de Marca alerta que o crescimento dos produtos e empresas aderentes à Marca Açores pode por em causa a preservação desta marca.
“Quanto mais alargarmos a base, o risco aumenta. É óbvio e é um bocadinho esta lógica de que uma região que produz produtos de exceção, deve manter este critério e esta marca muito associada a este produto de exceção. O alastramento vai introduzir segundas, terceiras e quartas categorias de produto, eventualmente, e vai aumentar o risco”, advertiu Pedro Pimentel em declarações ao Açoriano Oriental.
Atualmente, existem 2709 produtos e 160 empresas aderentes à Marca Açores, criada pelo Governo Regional em janeiro de 2015 com o objetivo de se assumir como uma marca territorial de referência, que identifica a oferta dos Açores e a singularidade dos seus recursos endógenos. A marca é utilizada sob a forma de um selo para os produtos alimentares, não-alimentares, serviços, estabelecimentos aderentes e artesanato, procurando acrescentar-lhes valor por via da diferenciação associada ao conceito de sustentabilidade ambiental. Prova deste incremento é que a Marca Açores garantiu às empresas regionais aderentes um crescimento de 22% das suas vendas em 2017.
Pedro Pimentel reconhece que o aumento das adesões é “natural” e não deixa de refletir o “bom trabalho” na promoção daquela certificação. De qualquer forma, chama a atenção para a importância da preservação da marca. Que é como quem diz ser sempre “bem trabalhada” e todos os produtos a ela associados corresponderem às expectativas do consumidor. “Ou seja, quando vou à prateleira e vejo lá a Marca Açores, estou à espera que seja um produto de excelente qualidade. Se começo a ver que há produtos que não são de tão boa qualidade, todos os outros, mesmo aqueles que são de excelente qualidade, vão ser sempre penalizados”, frisa o ex-líder da Associação Nacional dos Industriais de Laticínios, tendo consciência que está em causa uma marca “criada pelo critério geográfico”.
O diretor-geral da Centromarca ressalva que os consumidores que compram produtos com a Marca Açores, sobretudo no estrangeiro, têm uma “expectativa de altíssima qualidade e é preciso manter esse padrão”.
Admitindo que a Marca Açores funciona como uma boa “mensagem” no sentido das empresas açorianas melhorarem a qualidade do que colocam no mercado, Pedro Pimentel chama a atenção, ainda assim, para a necessidade dos empresários aderentes a esta certificação terem “sentido de compromisso”. A lógica é esta: “todas as pessoas que aderem têm que ter a perceção de que o seu bocadinho naquele todo não pode estragar. Para beneficiarem do resto que é o trabalho que todas as marcas fazem no âmbito da Marca Açores, todas as empresas que entram têm que fazer este trabalho de contribuir positivamente e de não a penalizar”.
FONTE: Açoriano Oriental