Conjuntura
Patrões da CIP querem CGD a financiar as PME e a indústria
A Caixa Geral de Depósitos, e não tanto a Instituição Financeira de Desenvolvimento (IFD), deve financiar prioritariamente as pequena...
09 fev, 2018

A Caixa Geral de Depósitos, e não tanto a Instituição Financeira de Desenvolvimento (IFD), deve financiar prioritariamente as pequenas e médias empresas (PME) e a indústria, defende a Confederação Empresarial de Portugal (CIP) na sua visão para a reindustrialização da economia portuguesa.

“Eu questiono-me: o que é feito do novo Banco do Fomento? Ainda não percebi se funciona ou não funciona. Faltam instituições especializadas para o financiamento às PME”, considerou ontem Luís Mira Amaral, presidente do Conselho da Indústria da CIP, na apresentação do documento O Conceito de Reindustrialização, Indústria 4.0 e política Industrial para o século XXI – O Caso Português.

De acordo com o estudo, que será agora apresentado aos responsáveis políticos, “a CGD deveria desenvolver, por orientações do acionista Estado, iniciativas e instrumentos financeiros que a situassem como o Banco das PME”. A Caixa “tem competência, tem know how. É uma questão de vontade política”, frisou Mira Amaral. “E tem recursos”, garantiu ainda António Saraiva, presidente da CIP.

Luís Alves Monteiro, coordenador do grupo de trabalho para o financiamento às empresas, falou da urgência de um “claro sinal político para o mercado. Podia ser dada à CGD esta vocação de apoio às PME para desenvolver instrumentos específicos”.

Além da escassez de financiamento às empresas, o sistema fiscal penalizador e a falta de recursos humanos qualificados foram identificadas por António Saraiva como as grandes prioridades no novo programa de desenvolvimento da indústria e dos bens transacionáveis que a CIP apresentou ontem em Lisboa, e que será financiado sobretudo pelo Portugal 2020 e pelos Programas Europeus Horizonte 2020, Cosme e o Connecting Europe Facility (CEF).

“Na nossa avaliação, os problemas mais imediatos são a fiscalidade, o financiamento e a qualificação. Mas é na qualificação de recursos humanos que temos de vencer a grande batalha para preencher necessidades que já existem. Portugal tem hoje um défice de recursos humanos qualificados que é urgente resolver”, disse o presidente da CIP. Mira Amaral classificou a falta de recursos humanos como “um dos principais constrangimentos ao desenvolvimento das empresas portuguesas”.

“Sente-se uma carência dramática de recursos humanos qualificados, designadamente quadros intermédios e especializados. Por exemplo, a metalomecânica precisa de mais de 28 mil trabalhadores especializados e não os encontra”, reforçou Mira Amaral. Na construção, acrescentou António Saraiva, são outros 70 mil trabalhadores que estão em falta, somando mais 3000 na indústria eletrónica. E também há falta de mão-de-obra nos têxteis e calçado.

Partindo do pressuposto que “é necessária uma nova Política Industrial 2.0, focada nos bens (produtos e serviços) transacionáveis” que permita criar “um ambiente microeconómico favorável à reindustrialização e à competitividade das empresas portuguesas”, a CIP divulgou o seu novo programa de desenvolvimento da indústria e dos bens transacionáveis: “Uma espécie de PEDIP [do qual Mira Amaral fez parte] para o século XXI, que integre e dê coerência a alguns programas que o Governo lançou, como o Capitalizar, o Interface e o Compete”, explicou Mira Amaral. “São programas interessantes, com ideias válidas, mas que estão dispersos e desgarrados, e deviam ser integrados num programa único de apoio às empresas”.

Ao seu lado, António Saraiva sublinhou que “é preciso acelerar este processo de relançamento industrial”. Na visão do presidente da CIP, a nova política industrial “deverá consistir numa política que acelere o ressurgimento do protagonismo da indústria como setor apto a competir numa economia mundial altamente concorrencial”. Para a CIP, “é imperativa” uma nova política industrial que se centre na competitividade das empresas e que assegure um crescimento sustentado das exportações.

Do Governo, os patrões da indústria esperam agora que as recomendações apresentadas no documento sejam tidas em conta e transformadas em legislação aplicável.

“Nas várias reuniões com o Governo já avançámos muito do que está aqui dito. Vamos continuar a insistir nestes temas e exigir dos governos, sejam eles quais forem, através do lobby positivo, a resolução de matérias que até agora estão adormecidas ou atrasadas”, disse António Saraiva. Coordenador do estudo, Mira Amaral foi ainda mais longe: “Nós não somos Governo. Nós propomos medidas a médio e longo prazo e cabe ao Governo transformá-las em decretos-lei”.

FONTE: Dinheiro Vivo