Conjuntura
Ministro da Agricultura "não tem saquinhos de dinheiro"
Capoulas Santos reage aos apelos dos agricultores lembrando que há várias medidas que já estão em execução e que os recursos são limi...
22 fev, 2018

Capoulas Santos reage aos apelos dos agricultores lembrando que há várias medidas que já estão em execução e que os recursos são limitados.

O ministro da Agricultura está consciente dos problemas que os agricultores enfrentam por causa da seca, mas lembra que os apoios não podem ser atribuídos indiscriminadamente.

Em declarações à TSF, Capoulas Santos salienta que os recursos são limitados. "As medidas têm de ser dirigidas para aqueles que efetivamente estão em dificuldades e não de uma forma geral e avulsa, como se o país tivesse um conjunto de recursos inesgotável".

A reação do ministro da Agricultura na TSF.

A Confederação dos Agricultores de Portugal e a Confederação Nacional da Agricultura exigem ao governo um Plano Nacional de Emergência para combater a seca, que contemple apoio financeiro aos agricultores. Na reação, Capoulas Santos realça que o ministério tem mecanismos para apoiar os agricultores em dificuldades, que estão à disposição, mas é preciso cumprir as regras.

"Mais de 1600 projetos aprovados aguardam que os agricultores apresentem os comprovativos de despesa para serem ressarcidos", acrescentando que "o ministério não atribui um saquinho de dinheiro a cada pessoa".

Capoulas Santos garante que foram aplicados 15 milhões de euros de apoios públicos para o armazenamento de água nas explorações agrícolas, explicando que os agricultores apresentaram comprovativos de despesa no valor de apenas cerca de um milhão de euros.

O ministro da Agricultura afirmou que foi criada uma linha de crédito "com garantia do Estado para a banca facilitar pagamentos", no valor de 5 milhões de euros, para os produtores pecuários. Capoulas Santos refere que, neste momento, os agricultores têm ainda à disposição 4 milhões de euros.

Na TSF, o ministro anunciou ainda que, à semelhança do ano passado, vai pedir à União Europeia que antecipe as ajudas da Política Agrícola Comum para os agricultores.

Agricultores exigem Plano Nacional de Emergência para combater a seca

A Confederação dos Agricultores de Portugal considera que a agricultura no país atravessa uma catástrofe.

O presidente da Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP) avisa que o país está a definhar devido à seca, uma situação gravíssima e extraordinária. Esta terça-feira, o Instituto Nacional de Estatística indicou que a redução da área de cultivo de cereais de inverno atingiu um mínimo histórico - a menor área dos últimos 100 anos.

Um alerta que leva o presidente da CAP a pedir medidas extraordinárias em entrevista ao Jornal de Negócios. Eduardo Oliveira e Sousa quer um Plano Nacional de Emergência comum a vários ministérios com medidas a curto, médio e longo prazo. Em declarações à TSF, o responsável considera que deve ser o próprio primeiro-ministro a coordenar este plano.

As declarações de Eduardo Oliveira e Costa à TSF.

O presidente da CAP refere que as linhas de crédito não resolvem o problema, já que são insuficientes e pouco adaptáveis a situações de emergência.

Eduardo Oliveira e Sousa pede outro tipo de medidas como, por exemplo, ajudas específicas à manutenção de animais e a simplificação das regras da Política Agrícola Comum.

O responsável fala ainda da necessidade de sensibilizar Bruxelas para libertar verbas para ajudas extraordinárias.

A atual situação de seca levou a uma redução da área de cultivo de cereais de inverno para um mínimo histórico dos últimos 100 anos. Já na terça-feira, o presidente da Associação Nacional de Produtores de Cereais explicava à TSF que esta é uma situação "preocupante" para a "soberania alimentar do país".

Agora, também o presidente da CAP considera que esta é uma situação gravíssima extraordinária, sobretudo no interior do país. Oliveira e Sousa refere que o país está a definhar, não só na agricultura, mas também na pecuária.

A 15 de fevereiro, quase 10% do país estava já em seca extrema. O Instituto Português do Mar e da Atmosfera aponta as regiões do Interior Norte, Trás-os-Montes, a zona de Beja, e do sotavento algarvio como as mais preocupantes.

FONTE: TSF