Conjuntura
Maioria das pessoas pobres vive no Norte e Centro do país
INE confirma que 17,3% dos portugueses viviam em risco de pobreza em 2017 e que as desigualdades na distribuição de rendimentos conti...
08 mai, 2019

INE confirma que 17,3% dos portugueses viviam em risco de pobreza em 2017 e que as desigualdades na distribuição de rendimentos continua a ser “fortemente assimétrica” apesar de ter descido nos últimos anos

A maioria das pessoas em risco de pobreza em 2017 vivia nas regiões Norte e Centro do país, apesar de os níveis de pobreza serem mais elevados nas regiões autónomas. A conclusão é do Instituto Nacional de Estatística (INE) que, esta terça-feira, divulgou os dados definitivos do Inquérito ao Rendimento e Condições de Vida. Estes dados vêm agora confirmar os números provisórios que já tinham sido avançados no final do ano passado.

Em 2017, a taxa de pobreza era de 17,3%, ou seja, essa era a percentagem de portugueses a viver com menos de 467 euros por mês. Isso corresponde, aproximadamente, a 1,78 milhões de portugueses. Desde 2014 que os níveis de pobreza estão a descer, ainda que se mantenham altos.

"Em 2017, apenas a Área Metropolitana de Lisboa (AML) tinha uma taxa de risco de pobreza significativamente inferior ao valor nacional: 12,3%, ou seja, menos cinco pontos percentuais que o risco de pobreza nacional (17,3%). No Alentejo, o risco de pobreza foi de 16,9%, apenas ligeiramente inferior à média nacional", conclui o INE.

Já as regiões autónomas dos Açores e da Madeira registavam, em 2017, taxas de risco de pobreza de 31,6% e 25,5%, respetivamente, "bastante superiores ao valor nacional".

Mas é nas regiões Norte e Centro do país que se concentra a maioria das pessoas a viver com um valor mensal abaixo dos 467 euros. Na região Norte estimam-se 664 mil pessoas pobres e no Centro mais 415 mil.

No âmbito da estratégia Europa 2020, foi criado um indicador, comum a todos os países da União Europeia, para medir a pobreza, e que inclui não só as pessoas que vivem abaixo do limiar de pobreza mas também quem vive numa situação de privação material e com uma intensidade laboral reduzida (ou seja, o grau de participação dos membros de cada família no mercado de trabalho).

Em 2018, 2,23 milhões de portugueses estavam nestas condições, ou seja, em risco de pobreza ou exclusão social. Isso resulta da conjugação das pessoas em risco de pobreza (1,78 milhões), as que viviam em agregados com intensidade laboral reduzida (532 mil) e as que viviam em privação material severa (615 mil).

A taxa de pobreza e exclusão social foi de 21,6% em 2018, mais baixa do que os 23,3% registados em 2017.

“FORTE DESIGUALDADE” MANTÉM-SE
A distribuição de rendimentos continua a ser "fortemente assimétrica", apesar de os principais indicadores de desigualdade se terem reduzido novamente em 2017, conclui o INE.

Ainda assim, "as diferenças de rendimentos entre todos os grupos populacionais, e não apenas os de menores e maiores recursos, registou um valor de 32,1%". Os 10% mais ricos em Portugal ainda ganham oito vezes mais que os 10% mais pobres.

É nos Açores que se regista a maior desigualdade na distribuição de rendimentos, ao contrário do Alentejo, onde é menos desigual.

FONTE: Expresso