Conjuntura
Investimento privado perde gás em 2017 e 2018
O investimento empresarial está a perder força, devendo crescer menos em 2017 e 2018, depois de um pico em 2016, sinaliza o inquérito...
29 jan, 2018

O investimento empresarial está a perder força, devendo crescer menos em 2017 e 2018, depois de um pico em 2016, sinaliza o inquérito semestral do Instituto Nacional de Estatística (INE) sobre este tema.

Os empresários portugueses contactados dizem que vão apostar mais na substituição da capacidade produtiva existente (renovação ou modernização), embora o peso deste objetivo esteja a decair. Os investimentos para expandir o poder produtivo também ganharam alguma importância.

Os resultados divulgados na passada sexta-feira mostram que depois da subida de 7,4% no investimento privado em 2016, a terceira maior desde 1990, pelo menos (o anterior máximo foi um avanço de 15% em 2007, mesmo antes da grande crise), haverá um arrefecimento pronunciado no valor investidor em 2017 e 2018.

Em 2017, este agregado deve ter avançado 5,5% em termos nominais e este ano os empresários contactados pelo INE dizem que não vão além dos 3,7%.

Em todo o caso, esta é a primeira estimativa relativa ao ano corrente. Este inquérito fornece três estimativas ao todo para cada ano. A próxima relativa a 2018 será em julho e a terceira em janeiro no ano que vem.

De acordo com as “intenções manifestadas pelas empresas” no Inquérito de Conjuntura ao Investimento de outubro de 2017″, trabalho que decorreu entre 1 de outubro de 2017 e 17 de janeiro deste ano, “o investimento empresarial em termos nominais deverá apresentar uma taxa de variação de 3,7% em 2018”.

“Os resultados deste inquérito apontam ainda para um aumento de 5,5% do investimento em 2017, traduzindo uma ligeira revisão em alta face às perspetivas reveladas no inquérito anterior (variação de 5,1%) e uma revisão mais acentuada face às perspetivas reveladas no inquérito de outubro de 2016 (variação de 3,8%)”, diz o INE.

Empresas maiores com problemas
A desaceleração no investimento empresarial entre 2017 (5,5%) e 2018 (3,7%) “é determinada principalmente pela evolução nas empresas pertencentes ao 3º escalão de pessoal ao serviço”, isto é em empresas relativamente grandes, com 250 a 499 trabalhadores.

Neste grupo, o contributo para o aumento do investimento foi de 1,2 pontos percentuais (p.p.) em 2017, mas este ano será negativo (-0,7 p.p. em 2018). Assim, depois de o investimento ter avançado 7,5% em 2017, este ano pode quebrar 4,5%, refere o INE.

Exportadoras investem mais e acima da média
No subsector das “Indústrias Transformadoras que apresentam uma vertente mais exportadora, designadas nesta análise por empresas exportadoras, estima-se que o investimento tenha aumentado 8,8% em 2017.

“Este crescimento foi ligeiramente mais intenso que o observado para o conjunto das empresas desta secção (variação de 8,7%) e que o registado para o total das empresas (5,5%).”

Este ano, os gestores ouvidos apontam para “um aumento da importância relativa do investimento associado à extensão da capacidade de produção, enquanto o peso relativo dos investimentos orientados para a substituição e para outras finalidades deverá diminuir”.

O investimento associado a restruturações de empresas “manterá a sua importância relativa inalterada”.

Em todo o caso, “apesar da redução do seu peso relativo, o investimento de substituição destaca-se por ser o mais referido em ambos os anos”.

O INE revela ainda que “o principal fator limitativo do investimento empresarial identificado pelas empresas nos dois anos analisados foi a deterioração das perspetivas de venda, seguindo-se, em 2017, a incerteza sobre a rentabilidade dos investimentos e, em 2018, a insuficiência da capacidade de autofinanciamento”.

“Entre 2017 e 2018 prevê-se um aumento do peso relativo da insuficiência da capacidade de autofinanciamento e uma redução do peso relativo da dificuldade em obter crédito bancário.”

Este inquérito ao investimento foi realizado a uma amostra de 3.820 empresas com mais de quatro trabalhadores ao serviço e com um volume de negócios de pelo menos 125.000 euros anuais, refere o INE. “As empresas com 200 ou mais trabalhadores ao serviço foram inquiridas de forma exaustiva.”

FONTE: Dinheiro Vivo