Conjuntura
Insolvências crescem 4% até março. Criação de empresas cai
Perda de mais de 5100 postos de trabalho e dívidas de 87 milhões de euros a fornecedores são os principais efeitos, segundo a COSEC.
16 abr, 2020

Perda de mais de 5100 postos de trabalho e dívidas de 87 milhões de euros a fornecedores são os principais efeitos, segundo a COSEC.

Aumentaram as insolvências em Portugal nos primeiros três meses deste ano. Até ao final de 2020, 658 empresas comunicaram que deixaram de cumprir os pagamentos, mais 4% do que no mesmo período do ano, revelam os dados divulgados esta semana pela seguradora de créditos e caução COSEC. No mesmo período, o número de empresas criadas diminuiu 25%.

Estas insolvências geraram um impacto potencial de mais de 5100 postos de trabalho, dos quais mais de dois terços (68%) correspondem às micro e pequenas empresas. Em causa está um volume de negócios superior a 295 milhões de euros, com 84% deste montante relativo a créditos a fornecedores.

As microempresas representaram a maioria das insolvências (65%). O setor dos serviços ficou com 21% dos casos, seguido do retalho (15,3%) e da construção (14,9%). Os empresários em nome individual corresponderam a 14% dos casos.

O maior número de insolvência ocorreu no distrito do Porto (23,4%); em segundo lugar, surge Lisboa (18,5%), seguido de Braga (13,4%). Os distritos de Beja, Portalegre e Évora continuaram a registar o menor número de insolvências, com um total de 16 casos registados.

Antecipam-se meses difíceis para as empresas, no entender da COSEC. “A economia global está num enorme estado de turbulência. O mundo está a atravessar um novo tipo de crise económica e sanitária que está a colocar todas as economias, e as empresas, sob uma pressão intensa. Prevemos que o aumento das insolvências, que já se verifica no primeiro trimestre do ano, se acentue nos próximos meses”, refere a presidente do conselho de administração, Maria Celeste Hagatong, citada em nota de imprensa.

Menos criação
No mesmo período, a criação de empresas diminuiu 25%, para 11 939 entidades. A categoria de serviços liderou o número de novos registos (2.976 empresas), seguida da construção (1398) e retalho (1.366). Lisboa (3.931 empresas), Porto (2.201), Setúbal (896) e Braga (874) foram os distritos onde se registaram um maior número de novas empresas.

Relativamente aos casos de pedido de Processo Especial de Revitalização (PER), 40% foram solicitados por micro ou pequenas empresas. Quanto aos setores que registaram o maior número de pedidos de acesso a este mecanismo, destacam-se os setores dos Serviços (15 empresas), Alimentação (14) e Construção (13).

FONTE: Dinheiro Vivo