Produtor de queijo britânico perdeu todo o negócio com a UE depois do Brexit

30 dezembro 2021

A Cheshire Cheese Company é um exemplo entre vários. Há dezenas de pequenos negócios que estão a passar por dificuldades económicas bastante sérias por causa das dificuldades impostas pelo Brexit nas exportações para o mercado europeu.

Simon Spurrell já tinha avisado que ia perder dezenas de milhares de euros com o Brexit - e perdeu. E parece zangado. Conhecido produtor de queijo e um dos maiores defensores dos pequenos e médios negócios de produtos britânicos nos meios de comunicação social, o empresário deu uma entrevista ao “Guardian” na qual classifica a saída dos britânicos da União Europeia como “o pior acordo algum dia negociado” pelo Reino Unido.

Até agora, o Brexit custou-lhe 270 mil libras (320 mil euros): todo o seu negócio com o bloco europeu, quer a retalho quer por atacado, desapareceu. Os conselhos que recebeu do Governo, com quem reuniu, para que tentasse expandir o negócio para fora da União Europeia (UE) transformaram-se em “piadas bastante onerosas”, disse Spurrell ao diário. “O nosso maior concorrente em todo o mundo é mesmo o Governo porque cada vez que eles fazem um dos seus acordos fabulosos empurram-nos para fora de determinado mercado - começando com o acordo do Brexit”, disse o empresário.

Do dia para a noite, a Cheshire Cheese Company perdeu 20% de todas as vendas, já que as novas regras negociadas por Londres pressupõem que, para cada pedido online, seja também emitido um certificado de segurança alimentar no valor de 180 libras (213 euros), até em encomendas pequenas, de 25 ou 30 libras (entre 30 e 35 euros). Outros pequenos produtores, uns de marisco, outros de comida para animais, têm relatado largas perdas nos seus lucros.

A história de como Spurrell se apercebeu do dano que isto iria a trazer ao seu negócio tem diferentes capítulos - um em cada país. O primeiro passa-se entre a Alemanha, França e Itália: os três distribuidores que importam este queijo acabaram por dizer que os produtos se tornaram demasiado caros por causa de “todas as verificações de origem e burocracia” obrigatórias para os poderem vender.

Na Noruega, onde a empresa tinha um mercado assinalável, os custos também se tornaram insuportáveis, já que a tarifa para venda por atacado é de 273%. No Canadá nem chegaram a entrar: o Governo avisou que o imposto para qualquer remessa acima de 15 libras (18 libras) é de 244% sobre o valor. “Isto significa que os clientes canadianos que solicitassem uma encomenda de 50 libras (59 euros), incluindo taxas de transporte, acabariam a ter de pagar 178 libras a mais (211 euros) em imposto”, explica o empresário.

A solução possível passa por investir todos os esforços no mercado interno, mas as estratégias de marketing das empresas rivais estão a tornar-se muito agressivas. “Antes todos podíamos vender para a UE, agora estamos todos a pescar no mesmo lago. Costumávamos ser os maiores vendedores online, mas agora somos absolutamente bombardeados com ataques de todos os nossos rivais do queijo, porque eles estão a comprar os anúncios no Google para nos destronar. São concorrentes que nunca teríamos tido de outra forma”, explicou Spurrell.

Numa outra entrevista ao mesmo diário, há mais de oito meses, na qual fez a previsão quase exata do dinheiro que acabou por perder em lucro neste primeiro ano de vigência do acordo, Spurrell conta que a empresa teve várias ofertas de outros países para transferir o negócio: da França, Polónia e até da Lituânia. “Estas pessoas veem que há aqui uma oportunidade de criar emprego nas suas cidades, precisamente aquilo que deveria preocupar o Governo britânico”.

O ministério do Ambiente, Alimentação e Assuntos Rurais respondeu dizendo que a avaliação que Spurrell fez da reunião é “diferente” da do próprio ministério e que os especialistas que estiveram na reunião “ofereceram algumas soluções de comércio, como, por exemplo, a possibilidade de agrupar várias encomendas num camião, uma solução que tem ajudado alguns fabricantes a enviar os seus produtos lácteos com sucesso”.

Mas Spurrell disse que, apesar de o ministério ter tentado ajudar, os valores das tarifas simplesmente aniquilaram as perspetivas de um negócio viável na UE.

FONTE: Expresso

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