Gonçalo Granado: «A Nestlé tem o tamanho, a escala e o alcance para inspirar uma ação coletiva»

09 junho 2021

Do campo ao prato. O novo paradigma encetado pela Nestlé vai reduzir as emissões de gases com efeito de estufa ao longo de toda a cadeia de produção e ainda implementar projetos de captação de carbono, nos solos e através da plantação de árvores.

3 mil milhões de euros. É este o investimento da Nestlé para os próximos cinco anos nestas duas frentes. Para esta transformação, que será encetada também na Nestlé Portugal, o fomento de práticas de agricultura regenerativa é o fator preponderante deste novo paradigma.

«As grandes mudanças estão a ser implementadas de forma 360º ao longo de toda a nossa cadeia de valor, começando com as matérias-primas, em que estamos a comprá-las mais próximo das nossas fábricas, mais localmente, para, desta forma, reduzirmos impactos ambientais decorrentes do seu transporte. Estamos também, ainda neste capítulo, a procurar novas matérias-primas com um menor impacto ambiental decorrente da sua produção como é o caso do plant-based: produtos fabricados à base de plantas», conta à Líder Gonçalo Granada, Diretor de Comunicação da Nestlé Portugal, consciente de que a produção e o consumo de alimentos são duas das principais fontes de emissões de GEE, diz-nos, por isso, ser imperativo agir com grande urgência.

De acordo com um estudo global que a Nestlé realizou em 2017, 30% dos consumidores desejam fazer a transição para uma dieta com menos ou nenhuma carne. Cada vez mais pessoas estão a abraçar este desafio e a fazer refeições à base de vegetais numa base regular, sem sentirem a pressão de se comprometerem a nunca mais comer carne.

Na prática, a Nestlé vai concentrar-se em atingir a neutralidade carbónica em 2050, reduzir as emissões de GEE para metade até 2030 e ter 100% das embalagens recicláveis ou reutilizáveis até 2025. Número, aliás, quase alcançado na Nestlé Portugal – considerada em alguns parâmetros com resultados acima do Grupo. Não nos podemos esquecer que a Nestlé Portugal é uma das empresas fundadoras do Pacto Português para os Plásticos e uma das signatárias da Lisboa Capital Verde 2020.

Em entrevista, Gonçalo Granado partilha o plano da Nestlé para proteger o clima e o meio ambiente para as gerações futuras.

Em que medida a ação climática é uma prioridade para a Nestlé?
As alterações climáticas estão já a ter um impacto global. A produção e o consumo de alimentos são uma das principais fontes de emissões de gases com efeito de estufa (GEE), é, por isso, imperativo agir com grande urgência. A Nestlé pode ser apenas uma, mas temos tamanho, a escala e o alcance para influenciar muitos mais e inspirar uma ação coletiva, porque esta é uma questão sistémica e a colaboração entre empresas, consumidores e governos é necessária para proteger o clima e o meio ambiente para as gerações futuras.

Quais são as ambições em concreto? E qual a estratégia para as alcançar?
Em 2019, acelerámos o nosso compromisso com as zero emissões líquidas de GEE até 2050, alinhando-nos com metas climáticas mundiais mais ambiciosas. Como grandes objetivos temos precisamente atingir a neutralidade carbónica em 2050, reduzir as nossas emissões de gases com efeito de estufa para metade até 2030 e ter 100% das nossas embalagens recicláveis ou reutilizáveis até 2025 (mais detalhes sobre os progressos deste trabalho aqui: relatório de progresso de 2019.)

Para cumprir estes objetivos a Nestlé criou já uma linha de investimento para os próximos cinco anos num total de CHF 3,2 mil milhões (3 mil milhões de euros). Este investimento será canalizado em duas frentes: através da redução das emissões de GEE ao longo de toda a cadeia de produção da Nestlé, do campo ao prato, e através da implementação de projetos de captação de carbono, nos solos e com a plantação de árvores. Para esta transformação, que será operada também na Nestlé Portugal, o fomento de práticas de agricultura regenerativa é o fator preponderante deste novo paradigma.

Quais são as mudanças que terão de ser implementadas?
De uma forma global, as grandes mudanças estão a ser implementadas de forma 360º ao longo de toda a nossa cadeia de valor, começando com as matérias-primas, em que estamos a comprá-las mais próximo das nossas fábricas, mais localmente, para, desta forma, reduzirmos impactos ambientais decorrentes do seu transporte. Estamos também, ainda neste capítulo, a procurar novas matérias-primas com um menor impacto ambiental decorrente da sua produção como é o caso do plant-based: produtos fabricados à base de plantas.

Depois, ao longo das nossas operações: Supply Chain e a produção nas nossas fábricas, temos vindo consecutivamente a reduzir os impactos ambientais, com a implementação de programas mais eficientes de transportes que evitem deslocações sem carga, com a total modernização do nosso principal centro de distribuição nacional localizado em Avanca, concentrando aí o total das nossas expedições. Depois ainda, nas nossas fábricas temos vindo a reduzir também significativamente os nossos parâmetros de consumo de água e de energia e de emissões de CO2, por exemplo em 2019 conseguimos eliminar totalmente os resíduos enviados para aterro.

Que métricas já foram alcançadas?
Em Portugal, uma das grandes metas foi esta, já mencionada, de eliminar totalmente os resíduos enviados para aterro. Também no capítulo da transformação dos materiais de embalagem estamos no bom caminho tendo mais de 90% dos nossos materiais de embalagens 100% recicláveis ou reutilizáveis, recordo que o objetivo é de atingir os 100% em 2025. Também ao nível das nossas fábricas conseguimos reduzir na última década 68% do consumo de água, 22% do consumo de energia e 38% das emissões de CO2, temos também toda a eletricidade comprada certificada de fontes renováveis.

Em que ponto está o vosso setor nesta matéria? Que análise faz da sua evolução?
Este tema da Sustentabilidade é uma preocupação de todo o setor e obviamente também de toda a sociedade, mas mencionando o nosso sector de atividade e entre os parceiros de negócio com quem a Nestlé trabalha, todos estão focados em tornar as suas operações mais sustentáveis e existe mesmo uma ajuda mútua e uma partilha de conhecimento que é muito profícua. Um exemplo disso é este processo de alteração de materiais de embalagens com redução do plástico. Esta transformação não se faz sozinho, estamos a trabalhar nos nossos centros de pesquisa internacionais, mas obviamente com o apoio e com o conhecimento dos nossos parceiros fornecedores de materiais de embalagem, é com eles que inovamos e que criamos e partilhamos valor com a sociedade. A Nestlé é uma das empresas fundadoras do Pacto Português para os Plásticos e foi também uma das empresas signatárias da Lisboa Capital Verde 2020. Todos estes movimentos de empresas e de instituições caminham no mesmo sentido de tornar a sociedade portuguesa mais sustentável e em linha com os grandes objetivos definidos a nível internacional no Acordo de Paris.

Como surge esta necessidade de colocar a Sustentabilidade no centro das prioridades da empresa?
As alterações climáticas já estão a ter um impacto global. E, dentro do nosso setor de atividade, os alimentos e a agricultura são um dos setores que serão mais afetados e é, por isso, imperativo agirmos para limitar as emissões de gases de efeito estufa e construir sistemas agrícolas regenerativos para que possamos continuar a fornecer alimentos aos consumidores em todo o mundo. No entanto, esta é uma questão sistémica e a colaboração entre empresas, consumidores e governos é necessária para proteger o clima e o meio ambiente para as gerações futuras.

Como é vista a empresa em Portugal dentro do Grupo à luz da Sustentabilidade?
Os objetivos perseguidos pela Nestlé Portugal contribuem para o todo do Grupo Nestlé e em alguns parâmetros a Nestlé Portugal está com resultados acima do Grupo, como é o caso dos materiais de embalagem em que já temos mais de 90% que são recicláveis ou reutilizáveis, sendo que esta métrica a nível mundial está nos 87%. Em ambos os casos no bom caminho para cumprir o compromisso de 100% em 2025.

Por outro lado, interessa-nos saber como os portugueses veem a Nestlé neste capítulo e um recente estudo (de janeiro 2021) de reputação elaborado pela consultora OnStrategy diz-nos que a Nestlé – que em Portugal é a empresa mais reputada com um score de 84,7 em 100 – obteve um score de 88 em 100 no capítulo da responsabilidade ambiental. Um indicador que nos deixa muito satisfeitos com o trabalho que estamos a fazer e com a responsabilidade reforçada de o levar a bom porto.

Foi criado algum departamento ou grupo de trabalho que se dedique à Sustentabilidade?
Sim, na Nestlé temos um grupo de trabalho sobre Sustentabilidade que é multidisciplinar e que acompanha a evolução de todos estes temas. Em Portugal, este grupo de trabalho é constituído por 20 colaboradores representantes de todas as áreas da companhia.

Quais são agora os próximos passos?
Continuar o trabalho e o caminho que estamos a fazer sempre em linha com aquele que é o propósito da Nestlé de desenvolver o poder da alimentação para melhorar a qualidade de vida de todos, hoje e para as gerações futuras ao longo dos nossos três pilares de atuação e de partilha de valor: Pessoas e Famílias, Comunidades e Planeta. O grande objetivo é, como já mencionado, atingir a neutralidade carbónica em 2050.

E quais as prioridades desta área?
Estão explicitas no próprio propósito da Nestlé e, para tal, atuamos e inovamos em todas as áreas da nossa cadeia de valor, partilhando este sucesso com as nossas pessoas, com os consumidores e com as comunidades.

Quais têm sido as vossas contribuições para o progresso dos clientes nesta matéria?
Todas as medidas que estamos a implementar beneficiam também os nossos clientes e os nossos consumidores, procuramos melhorar a qualidade de vida de todos, hoje e para o futuro. Por exemplo, comunicámos, no mês de janeiro, a nível global, que todas as embalagens de Smarties passaram a ser em papel e são agora 100% recicláveis, este é também um benefício para os nossos clientes retalhistas que ganham uma oferta de produto mais sustentável para os seus clientes e consumidores finais.

Pode partilhar algumas recomendações para tornar as empresas e os negócios sustentáveis?
O primeiro passo é conhecer a fundo toda a cadeia de valor, trabalhar no terreno com os parceiros de negócio, identificar áreas de melhoria e atuar com relevância em cada ponto, para, desta forma, atingir um verdadeiro impacto.

FONTE: Lider Magazine_Sapo

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