"Adote uma Ovelha" e ajude os produtores de queijo da Serra

12 fevereiro 2018

Campanha original foi lançada há um mês e já reuniu donativos para comprar 80 animais. "Esperança", "Ovelha Choné" e "Final Four" são alguns dos nomes dados às ovelhas.

É uma forma diferente de apoiar as vítimas dos incêndios, neste caso os pastores e produtores de queijo da Serra de Oliveira do Hospital. Naquele que foi um dos concelhos que ficou mais destruído pelos fogos de 15 de outubro, o impacto na agricultura e na pecuária foi enorme.

“Morreram cerca de cinco mil animais, e desses, três mil foram ovelhas. Sendo esta uma zona por excelência de produção de queijo da Serra, DOP, é urgente repor o efetivo dos rebanhos dos produtores”, explica à Renascença Diogo Palhinha, que juntamente com a mulher, Rita, dinamiza esta iniciativa da paróquia de Cascais.

A campanha “Adote uma Ovelha” está a ser desenvolvida em colaboração com a Associação Nacional de Criadores de Ovinos da Serra da Estrela (ANCOSE). “Isto começou no Dia de Reis, porque a primeira iniciativa para angariar foi exatamente um jantar de Reis”, explica Rita Palhinha. “O objetivo é conseguirmos 200 ovelhas. Já temos dinheiro para 80, mas ainda só comprámos 19”. Os animais foram adquiridos no último fim de semana de janeiro, e ficaram para já nas instalações da ANCOSE, porque “são ovelhas bebé, precisam de ser alimentadas. Ficam ali dois a três meses e depois, à medida que forem crescendo, serão distribuídas aos produtores, a associação tem a listagem de quais é que foram os mais afetados”.

Os donativos podem ser entregues na paróquia de Cascais ou por transferência bancária. “Registamos tudo, quem dá, o nome que querem dar à ovelha, podemos passar o recibo de donativo, que depois entregamos à ANCOSE”. É a associação que se responsabiliza pela compra das ovelhas, garantindo que são mesmo as certas para produzir o queijo. Cada uma custa 70 euros, por isso há quem se junte para conseguir contribuir.

Entre os doadores estão famílias, colegas de trabalho, e até um grupo desportivo, o Paço de Arcos Basquetebol. “No fim de semana passado houve o Final Four dos Sub-14, um torneio regional, e os pais dos atletas juntaram-se e adotaram três ovelhas”, conta Diogo Palhinha, ao que Rita acrescenta: “mas, temos recebido ofertas de todos os sítios, até do estrangeiro já tivemos. E muitas famílias”.

A originalidade do projeto passa, também, pela possibilidade que dá a quem adota de batizar as ovelhas. Os nomes têm sido variados. “ ‘Esperança’ é um nome que já está repetido, mas também temos a “Ovelha Choné”, também é um clássico. E há famílias que gostam de dar o nome da família. Mas entre ‘Esperança’ e tudo o que seja assim bons sentimentos, há vários nomes”, conta Rita. ‘Final Four’ foi o nome escolhido pelo clube de basquete para um dos animais adotados.

“Amar mais com obras do que com palavras’
A campanha faz parte de um projeto mais alargado, o “Força da Natureza”, que envolve atualmente todas as paróquias da vigararia de Cascais. Surgiu depois dos fogos de outubro, porque vários paroquianos tinham ligações às zonas afetadas, e não conseguiram ficar de braços cruzados. Desde novembro que este projeto assegura o envio de voluntários, todos os fins-de-semana, para os concelhos mais atingidos.

“Lançámos a campanha no Dia Mundial dos Pobres, dia 19 de novembro. Achámos que era uma altura emblemática para o fazer, respondendo àquele apelo do Papa de ‘amar mais com obras do que com palavras’”, sublinha Rita Palhinha. “Queríamos facilitar aqui uma ferramenta em que as pessoas que tivessem boa vontade para ir não precisassem de se preocupar com mais nada a não ser dar o seu tempo”.

Perceberam, desde o início, que o que fazia mais falta eram “braços para trabalhar e não bens”, e que para realmente ajudarem teriam de se articular com as autoridades locais, para “não dar mais trabalho” a quem já está no terreno. “Em termos de organização o que fazemos é contatar as entidades locais, para perceber quais as tarefas mais necessárias na altura. Isto é uma coisa que se combina semana a semana. Depois tratamos das inscrições, há sempre alguém no terreno que as recebe, há sítio para ficarem a dormir sem terem de gastar dinheiro. No fundo o que fazemos é esta articulação”, explica Rita Palhinha.

Desde novembro já houve missões em Oliveira do Hospital, Pampilhosa da Serra, Pedrógão Grande e Seia. “Já enviamos uns 200 voluntários. Grupos de senhoras, muitos grupos de escuteiros. Este fim-de-semana, por exemplo, já vão repetentes, pessoas que já estão a ir pela segunda vez. Temos grupos organizados até à Páscoa”.

Mas, este é um projeto que querem prolongar no tempo, até porque as necessidades no terreno continuam a ser muitas. Inicialmente foi importante organizar e armazenar os donativos de roupa em excesso, distribuir os bens alimentares, de higiene e as rações para o gado, mas também já foi preciso remover escombros, limpar vias e margens de rios, e até ajudar a reconstruir as cercas dos terrenos de pasto, para os animais não fugirem.

Sendo este um projeto de Igreja, tem também uma dimensão pastoral. “O padre Nuno Coelho, que é o nosso pároco e também o Vigário de Cascais, deu-nos carta branca para avançar. Pediu que fizéssemos uma coisa simples, operacional, que facilitasse a vida às pessoas, não esquecendo a parte pastoral”. E é o que têm feito: “o visitar e o estar com as pessoas, os escuteiros também têm sempre esta parte de visitar lares, acompanhar as pessoas. Isso é muito importante, e quem nos recebe sente isso, sente essa diferença e esse acolhimento”.

Rita e Diogo também já participaram, porque “é importante a família desinstalar-se, e pais e filhos irem para o terreno fazer isto”. Dizem que “quem vai volta diferente”, até pelos exemplos de coragem e resiliência que têm encontrado. “As pessoas são muito hospitaleiras, mesmo tendo perdido tudo. Elas, sim, são uma verdadeira ‘força da natureza’”. E não têm dúvidas de que esta iniciativa está a aproximar mais as pessoas do interior do país. “Um dos efeitos indiretos deste projeto é esse, de estarmos mais próximos. Os incêndios alertaram-nos para um mundo que está tão perto e às vezes está tão distante. E nós sentimos que as pessoas ao irem, ao conhecerem, ao estarem, também é um exercício importante para elas, e que há dois mundos de litoral e interior que se tocam, o que também faz diferença”, sublinha Rita Palhinha. Diogo dá o seu próprio exemplo. “Estamos a falar de três horas de viagem, de 300 kms. Eu acho que nunca tinha ido a Oliveira do Hospital e agora costumo dizer que já tenho aqui uma costelazinha a crescer em mim”.

As inscrições para ser voluntário podem ser feitas através do site , onde também estão todos os pormenores sobre a campanha.


Peça de Ângela Roque sobre campanha "Adote uma ovelha"

FONTE: Rádio Renascensa

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