Nutricionistas preocupados com efeito dos confinamentos

25 outubro 2021

A coordenadora da Unidade de Nutrição do Hospital de Ponta Delgada, Rita Carvalho, considera que há motivos de preocupação quanto aos efeitos dos confinamentos determinados pela situação pandémica, no peso infantil.

“A sensação de quem, como nós, trabalha com obesidade infantil, e que tem consultas com crianças obesas é que este confinamento foi muito prejudicial”, afirma a nutricionista do Hospital Divino Espírito Santo. “Estamos muito preocupados”, admite.

Segundo Rita Carvalho, a próxima edição do COSI Portugal, sistema de vigilância nutricional infantil integrado no estudo Childhood Obesity Surveillance Initiative da OMS Europa, coordenado pelo Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA), está já a ser preparado, de modo a que a recolhas de indicadores se faça na próximas primavera. E, desta vez o estudo “vai ser associado a um estudo que vai avaliar qual foi o impacto da pandemia de Covid nos comportamentos das crianças”, adianta.

A coordenadora da Unidade de Nutrição do HDES afirma que “tudo indica que os resultados vão piorar”, “a menos que nos seis meses que temos pela frente, as crianças percam peso”.

“O nosso cenário sensitivo é que, enquanto os adultos se conseguiram controlar, perceberam o impacto que podia ter e acautelaram-se, relativamente às crianças não tenho a mesma sensação, muito pelo contrário. Quando começámos, no verão de 2020, a ter consultas presenciais, verificámos que todas as crianças que estavam marcadas para aquele dia, todas, tinham aumentado de peso”, adianta Rita Carvalho.

A nutricionista lembra que “as avaliações que foram feitas pela Direção-Geral da Saúde, e nas quais os Açores participaram com uma pequena amostra, sobre a modificação dos hábitos alimentares durante a pandemia, mostraram que, por um lado, comeu-se mais fruta, mas os consumos de vegetais diminuíram e os dos snacks aumentaram”. “Isto, associado a uma redução da atividade física, leva-nos a que só possamos esperar que o problema seja agravado”, salienta.

Segundo o COSI 2019, nos Açores, 35,9% das crianças entre os 6 e os 8 anos apresentam peso a mais, ou seja há 18% em pré-obesidade e 17,9% sofre já de obesidade. Com estes indicadores, os Açores estão entre as regiões que apresentam uma prevalência de excesso de peso infantil acima da nacional, isto apesar de, na última década, se ter verificado uma redução de cerca de 10 pontos percentuais na prevalência do excesso de peso entre as crianças açorianas.

A coordenadora da Unidade de Nutrição do HDES repara que, durante o período pandémico, “todo o trabalho que foi feito pela Direção Regional da Educação relativamente à alimentação das crianças nas escolas não teve efeito nenhum, porque as cantinas estiveram fechadas”.

Para a responsável, os profissionais de saúde podem ser interventivos, mas não substituem a família. “Podemos chamar a atenção, mas vale o que vale e não vale tudo. É muito importante as famílias perceberem que elas é que têm de ser intervencionadas”, alerta.

“É dito por vezes que a alimentação nas cantinas não é boa, mas, na verdade, muitas vezes a alimentação é boa, só que não tem o teor de sal a que as pessoas estão habituadas, e por isso dizem que é má, ou, então tem maior quantidade de hortícolas, e as pessoas já não estão habituadas a comer esta quantidade de hortícolas”, sustenta, considerando que “o que está mal é aquilo que muitas vezes as próprias famílias, pela falta de tempo, constrangimentos económicos, e por vezes com algum desinteresse não fazem”.

No COSI 2019, divulgado na semana passada, “quando se pergunta aos pais a sua perceção sobre se a sua criança tem algum problema relativamente ao peso, mostram que não percebem que é um problema”, repara Rita Carvalho.

“Ainda existe a crença cultural de que ser gordinho não faz mal, porque a criança vai crescer e vai perder peso”, diz, alertando que “quanto mais cedo se instala a obesidade, mais difícil se torna corrigir para o resto da vida”.

“Os pais têm de perceber o impacto da má alimentação e do pouco exercício físico, e que a obesidade infantil tem consequências no futuro”,e o “poder que têm dentro do núcleo familiar, onde a criança “aprende hábitos e faz a maior parte das refeições ao longo da semana”, apela.

FONTE: Açoriano Oriental

 

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