Impactos da Covid-19 no consumo alimentar

08 junho 2020

Devido à pandemia provocada pelo novo coronavírus (o SARS-CoV2), agudizou-se o sentimento de qualquer um estar exposto a contrair a doença por coronavírus (a Covid-19), à qual se associam, nos casos mais graves, sinais e sintomas como pneumonia grave, síndrome respiratória aguda grave, septicémia, choque séptico e eventual morte.

Nesta continuidade, novos comportamentos alimentares surgiram na tentativa de o consumidor proceder ao melhor ajuste, à melhor adaptação no que diz respeito ao que comer e onde comprar os alimentos, tendo em conta a nova realidade: o recolhimento domiciliário obrigatório e o teletrabalho.

Estas realidades e o facto de os restaurantes terem encerrado durante o estado de emergência (tendo-se mantido, contudo, os serviços de take-away e a entrega ao domicílio) forçaram o aumento marcado das refeições em casa.

Logo à partida, surgiu a inquietação da contaminação ocorrer através dos alimentos, facto que, tendo em conta as diversas crises alimentares ao nível da segurança e da fraude alimentares, vivenciadas pelos consumidores europeus nas últimas décadas, suscitou sentimentos de dúvidas e incertas. A este propósito, a Autoridade de Segurança Alimentar Europeia (EFSA) e as suas congéneres, como foi o caso da ASAE, tranquilizaram os consumidores, assegurando de que os estudos científicos existentes até ao momento confirmam que não existe evidência de contaminação através da ingestão de comida. Uma vez que o vírus se transmite por contacto próximo de pessoa para pessoa, pelas gotículas emitidas pelos infetados quando tossem ou espirram e, depois, inaladas por outras pessoas, ou através de contacto com objetos contaminados essencialmente através das mãos, recomenda-se que devem ser mantidas e reforçadas as medidas de prevenção de higiene pessoal e da cozinha (higienização das superfícies e das hortofrutícolas consumidas em cru).

Por outro lado, mesmo antes do anúncio do estado de emergência e mesmo do inicial estado de calamidade, surgiu por parte dos consumidores uma corrida aos supermercados, que visava garantir o abastecimento de produtos essenciais, nomeadamente alimentos menos perecíveis, logo passíveis de serem mais facilmente armazenados (caso das conservas, do arroz ou das massas) e produtos de higiene e limpeza (incluindo o “famoso” papel higiénico). Naturalmente que os agregados que apresentaram menores custos de armazenagem, por possuírem dispensa ou arrecadação bem dimensionada e com boas condições de arejamento ou arca congeladora, puderam reduzir as deslocações às lojas, comprando mais quantidade de produtos. Em causa estava a eventual perda de utilidade por não se comprar os alimentos e demais produtos, perante circunstâncias incertas, desconhecidas e duradouras, facto que levou a Associação Portuguesa de Empresas de Distribuição (APED) e as entidades oficiais a anunciarem a inexistência de rutura no abastecimento e a ausência da necessidade de racionamento das compras.

Se bem que, tradicionalmente, em Portugal, os produtos mais comprados online sejam artigos de eletrónica, seguidos de vestuário, viagens, livros, artigos de beleza, alimentação e apostas, de acordo com um relatório elaborado pela Deloitte para a APED, neste tempo de pandemia, de acordo com a informação prestada pela SIBS, assistiu-se a um crescimento brusco da procura de alimentos pelos canais de e-commerce com a entrega ao domicílio ou diretamente nas próprias lojas.

Registou-se, assim, um crescimento nas compras de 52% no sector food delivery e take-away de refeições e um crescimento de 45% nas compras online no sector do retalho alimentar, não obstante as dificuldades sentidas pelos maiores retalhistas no início da pandemia, seja ao nível do funcionamento dos sítios Web (por exemplo, páginas que demoravam a carregar ou operadores que tiveram de instalar filas de espera eletrónica) ou nas dificuldades no agendamento de entregas, podendo ultrapassar os dez dias da data da compra. De modo a minimizar o impacto negativo na perceção deste canal de venda, alguns retalhistas criaram cabazes com um número limitado de bens essenciais, para os quais garantem entregas em dois a três dias. De facto, ao possibilitar a aquisição de alimentos ou de refeições, mantendo os consumidores em casa, o e-commerce, desenvolvido desde a produção primária, passando pelos fabricantes, retalhistas e restauração, ajuda a mitigar a perceção do risco, consubstanciado em sentimentos associados à falta de controlo, ao elevado risco para as gerações futuras, à ocorrência de potenciais catástrofes, a consequências fatais, à inquietação ou mesmo ao medo. Criam-se, deste modo, novas oportunidades para o crescimento deste canal de retalho alimentar, com histórias de sucesso, como aquela do Cabrito Transmontano DOP, comercializado pela ANCRAS, que em período pascal relatou a sua preocupação com o escoamento de cerca de 800 cabritos e que, em poucas horas, recebeu milhares de encomendas, de norte a sul do país.

Alerta-se, no entanto, que, ao contrário de muitas outras compras online de serviços ou de produtos não alimentares, no retalho alimentar existe um maior sentimento de urgência, como se a frescura dos alimentos dependesse desse mesmo prazo para a sua entrega, reforçando a importância de uma logística cuidada e remetendo novos desafios para os operadores económicos.

FONTE: Revista Grande Consumo

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