Crianças que comem fora das refeições poderão ser obesas

30 abril 2019

As crianças que não tomam o pequeno-almoço, que almoçam mais tarde e que comem depois do jantar, estão em maior risco de desenvolverem excesso de peso ou obesidade.

As crianças que ingerem mais alimentos durante a tarde e depois do jantar correm o risco de se tornarem mais facilmente obesas ou terem excesso de peso, indica um estudo do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto.

O estudo, recentemente publicado na revista ‘Journal of Biological Rhythms’, avaliou os hábitos alimentares de 1961 crianças da coorte Geração XXI (projeto iniciado em 2005, que acompanha o crescimento e desenvolvimento de mais de oito mil crianças da cidade do Porto) entre a idade pré-escolar, aos 4 anos, e a idade escolar, aos 7.

Em entrevista à agência Lusa, Sofia Vilela, investigadora responsável pelo estudo, explicou que foi através da avaliação dos padrões de consumo energéticos (hidratos de carbono e proteínas) das crianças aos 4 anos, que a equipa de investigadores conseguiu padronizar “o desenvolvimento do excesso de peso ou obesidade” aos 7 anos.

“Utilizando informação de diários alimentares de três dias, obtivemos padrões de distribuição de ingestão alimentar quando as crianças tinham 4 anos e associamos esses padrões com o seu Índice de Massa Corporal (IMC) 3 anos depois, quando completaram 7 anos”, referiu.

Com o objetivo de “alertar” para determinados comportamentos alimentares e não “quantificar” os padrões seguidos pelas crianças, o estudo permitiu “ver a ligação entre dois comportamentos alimentares e o excesso de peso ou obesidade”.

“As crianças que têm um padrão alimentar, caracterizado por saltarem o pequeno-almoço, terem o almoço mais tarde e comerem depois do jantar, estão em maior risco de desenvolverem excesso de peso ou obesidade”, frisou.

Segundo Sofia Vilela, para que o peso das crianças seja “saudável” é necessária “uma maior distribuição energética” ao pequeno-almoço, almoço e jantar e uma “menor ingestão” de alimentos a meio da manhã e a meio da tarde.

À Lusa, a investigadora adiantou que, apesar do contributo do estudo para a compreensão do ritmo circadiano no consumo alimentar e desenvolvimento de excesso de peso em crianças, é necessário “replicar os resultados noutras faixas etárias e noutras populações”.

FONTE: Observador

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