Nutricionistas querem maior presença no SNS e nas escolas

25 março 2019

A bastonária da Ordem dos Nutricionistas lançou um repto ao Governo para a colocação de mais profissionais nas escolas e no Serviço Nacional de Saúde (SNS) e para a criação de uma carreira própria.

Alexandra Bento sublinhou que os nutricionistas que trabalham no SNS estão em carreiras distintas, apesar de desempenharem as mesmas funções, e que a criação de uma carreira própria é justa e necessária.

“O país precisa dos nutricionistas, que podem fazer a diferença na melhoria da saúde dos portugueses”, afirmou a bastonária da Ordem dos Nutricionistas.

A responsável disse que os 400 nutricionistas que trabalham no SNS “continuam a ser poucos” e sublinhou que nas escolas a situação ainda é pior, com apenas dois destes profissionais.

“As escolas precisam de nutricionistas”, disse Alexandra Bento, frisando a necessidade de coerência nas medidas de prevenção adotadas e dando como exemplo o facto de as máquinas de venda de refrigerantes e doces terem sido proibidas nas escolas, mas alguns bufetes escolares continuarem a oferecer estes produtos.

“O mesmo Estado que legisla contra a publicidade dirigida aos jovens deve ter mão forte nas escolas”, acrescentou.

Alexandra Bento disse igualmente que “é necessária uma ação conjunta de políticas integradas em todas as áreas e afirmou que a própria Lei de Bases da Saúde – que está no parlamento – deveria ter referências diretas à alimentação saudável.

A especialista afirmou ainda que a aposta na prevenção poderia aliviar a despesa com as doenças crónicas, muitas relacionadas com a alimentação ao longo da vida, e afirmou que se gasta o equivalente a 1% do Produto Interno Bruto a tratar doenças crónicas, exemplificando que com a diabetes são gastos 280 milhões de euros/ano e com as doenças cardiovasculares 350 milhões/ano.

Sobre a contratação de nutricionistas a ministra da Saúde, Marta Temido, respondeu com o concurso aberto para preencher 40 vagas e que teve mais de 1.000 candidaturas, um volume que fez atrasar o processo, que deverá estar concluído em abril/maio deste ano.

Marta Temido disse ainda que se espera abrir um novo contingente de vagas idêntico este ano e explicou que os profissionais que ficarem a trabalhar no SNS serão em primeira linha colocados nos cuidados de saúde primários.

Questionada pelos jornalistas sobre o repto lançado pela bastonária da Ordem dos Nutricionistas sobre a necessidade de a Lei de Bases da Saúde incluir referências diretas à alimentação saudável, a ministra disse que este documento estava “bem entregue”, com os deputados da Comissão Parlamentar de Saúde.

FONTE: Lifestyle_Sapo

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