Receita com menos 40% de açúcar para “próxima geração de adultos”

26 dezembro 2018

A Nestlé vai lançar no próximo ano uma nova receita da Cerelac com menos de 40% de açúcar a pensar “na próxima geração de adultos”. Portugal, onde a marca tem uma quota de mais de 70%, será o primeiro mercado a receber esta nova receita que resulta de dois anos de desenvolvimento da multinacional suíça.

“A evolução da Cerelac é um misto de um melhoramento silencioso, de redução de açúcar, e aquilo que vamos fazer a partir de janeiro do próximo ano: oferecer claramente uma receita diferente de farinha láctea”, adianta Ludovic Aujogue, diretor de nutrição infantil da Nestlé, ao Dinheiro Vivo.

“Vamos propor aos consumidores, aos pais com bebés, uma receita com menos de 40% de açúcar, ao mesmo tempo que vamos manter a receita normal para os outros, em particular adultos, que gostam do produto da sua infância”, frisa. “Vamos propor aos pais uma receita otimizada em termos de açúcar. Oferecer exatamente o mesmo produto, mas com um perfil nutricional que, para mim, dá no início de vida uma opção mais saudável para os bebés e a próxima geração de adultos”.

Nestlé missão reduzir açúcar: 2,750 toneladas em 5 anos
A redução de açúcar nos produtos é um tema no qual a Nestlé tem vindo a trabalhar há vários anos, com reflexos também no mercado nacional. Em cinco anos, entre 2013 e 2017, a multinacional retirou da alimentação dos portugueses 687 milhões de colheres de chá de açúcar, ou seja, 2.750 toneladas, o equivalente a 11.000 milhões de calorias.

Uma redução deste ingrediente que também passou pela Cerelac. Em abril de 2017, a companhia fez uma “redução silenciosa” do açúcar na farinha láctea, tendo cortado 10% deste componente e, este ano, reduziu em cerca de 30%. No próximo ano dá um novo passo: reduzir 40%. Com a nova receita a papa passa de 33 g de açúcar total por 100 g, para 19g em cada 100g. Por cada dose recomendada de Cerelac (50g), a quantidade total de açúcar (que inclui os presentes na matéria-prima e os adicionados) passa a conter 9,5 g.

Levaram cerca de dois anos a chegar a este valor. “É muito simples chegar a uma redução de açúcar do ponto de vista da produção. Mas para sermos bem-sucedidos tínhamos de ter a textura certa – porque o açúcar também ajuda – e um sabor aceitável para os bebés”, explica Ludovic Aujogue.

Com este patamar dos 40% atingiram o limite de redução? “Podemos sempre ir mais longe, chegar aos zero por cento de açúcar adicionado, mas depois a questão é manter a atratividade do produto”, comenta o diretor de nutrição infantil da Nestlé. “Se amanhã vendermos uma papa com menos 80% de açúcar face à receita normal e todos os dias os pais levarem 10 minutos até obter a textura certa e o sabor ser horrível, em três meses as cadeias vão-nos pedir para remover os produtos dos supermercados e será um falhanço”, refere. “Tecnicamente, podemos ir mais longe, mas irá exigir mais trabalho e ter sempre em consideração que o objetivo é manter o produto atrativo, tanto do ponto de vista nutritivo, como de textura e de sabor”, sintetiza.

A redução de açúcar responde também a preocupações crescentes dos consumidores com a alimentação. Pais com crianças pequenas “querem opções mais saudáveis e com menos açúcar”, defende Ludovic Aujogue.

Foram, pelo menos, estas as indicações que os consumidores transmitiram durante os estudos qualitativos feitos pela empresa. Por isso, o responsável de nutrição infantil da Nestlé mostra-se otimista com a recetividade da nova receita junto dos consumidores.

“Vamos ter de esperar pelo feedback dos clientes e esperamos que este sabor os agrade, mas o palato dos bebés é muito específico, não precisa de muito açúcar. O que ouvi neste research qualitativo dá-me confiança de que esta opção irá agradar e irá ao encontro das necessidades desta nova geração de pais que se preocupam com que dão aos bebés, em particular com os níveis de açúcar”, diz.

E não só em Portugal. “Estou expectante de que este tipo de produto (menos de 40% de açúcar) cative não apenas o consumidor português, mas que seja uma oportunidade de aumentar o nosso portfólio e servir as necessidades dos europeus que também se preocupam com este assunto”, acredita.

No mercado nacional há mais de 80 anos, a Cerelac detém uma quota de 71,4% (dados Nielsen de outubro), valor que representa uma subida de 1,4 pontos percentuais face a outubro do ano passado. Para este novo produto, a Nestlé tem um objetivo ambicioso. “Gostaríamos que, pelo menos, 50% dos pais começasse com a Cerelac com menos 40% de açúcar, a médio e longo prazo”, afirma.

E não será o preço a impedir essa mudança. “Este produto é resultado de dois anos de desenvolvimento e iremos vendê-lo ao mesmo preço aos retalhistas. O que não é a regra. Por norma, este tipo de produto tem um aumento de 10 a 15% no preço. O consumidor não paga mais para se alimentar de forma mais saudável”, reforça o diretor de nutrição infantil da Nestlé.

Marca a crescer com os consumidores
Para responder à nova geração de pais, a marca tem vindo a aumentar a sua gama de produtos. Hoje a marca Cerelac já dá nome a 15 referências, da farinha láctea tradicional, às bolachas, mas também outras opções de farinha láctea. É o caso da gama com farinha de aveia.

“Para os consumidores há duas coisas que definem a Cerelac: é o especialista em bebés e a marca com a qual me sinto próximo. E também querem que a gente evolua com eles. Penso que a Cerelac tem tido sucesso até agora porque a marca tem crescido com os nossos consumidores”, considera.

Levaram 18 meses a chegar à Cerelac de Aveia. “Estamos aqui para colocar em cima da mesa diferentes opções para os consumidores”, justifica o responsável.

A multinacional também vindo a reforçar a oferta da área de nutrição infantil da Nestlé no mercado português através de outras insígnias. Em março, lançaram uma gama biológica sob a marca NaturNes. Um mercado ainda reduzido, mas onde a Nestlé vê potencial de crescimento.

“Em Portugal o orgânico está a crescer mas é ainda muito reduzido. Representa menos de 1% do mercado de nutrição infantil, enquanto na Europa representa em média entre 5 a 10% de comida infantil. Mas tínhamos de estar desde o início, mesmo que seja apenas 1% do mercado. Optámos por entrar com uma marca específica: NaturNes”, refere Ludovic Aujogue.

Uma nova linha de produtos biológicos para responder “às necessidades da nova geração de pais”, considera. “Este tipo de produtos têm de cumprir com os standards dos produtos orgânicos e, ao mesmo tempo, com os requisitos da alimentação para bebés, com mais de 150 controlos de segurança, nada de colorantes, aditivos… É, por isso, que também é mais caro do que a média da comida (entre 20 e 40%), mas também por causa da dificuldade em obter as matérias-primas orgânicas, que são mais caras de produzir para os agricultores”, comenta o diretor da unidade de nutrição infantil.

De um mercado que representa 1% em Portugal, a Nestlé tem já quase cerca de metade de quota. “Estamos a liderar o Bio com 40% de quota e lançámos o produto em março. O que queremos é crescer mais rápido, porque sabemos que alguns pais realmente se preocupam com a origem orgânica dos produtos. Nem todos, mas alguns estão dispostos a pagar por isso e queremos estar ai”, explica.

A farinha láctea tradicional da Cerelac continua a ser o best-seller de vendas da área de nutrição infantil, mas entre “três a cinco anos”, a “gama Bio irá assumir talvez até 5% das nossas vendas e isso irá ajudar-nos a crescer”, acredita o responsável.

Eventualmente, num momento em que a procura de produtos de farinha láctea Bio passe a ser significativa, Ludovic Aujogue admite a possibilidade de a fábrica da Nestlé em Avanca passar também a produzir este tipo de produto.

“Iremos continuar a investir em Avanca, não apenas em papas mas a fábrica pode fazer outras coisas incorporando cereais. Avanca é também fábrica do futuro para mim, por isso, se um dia Avanca poderá produzir orgânico? Se o futuro dos cereais é em parte orgânico, claro que Avanca terá de produzir cereais orgânicos.”

A unidade fabril produz 33,300 toneladas de produto da área de nutrição infantil, cereais de pequeno-almoço e bebidas com cereais, das quais 48% são para exportação. A Nestlé Portugal exporta para 37 países, concentrando o maior volume em 10 países Angola, Cabo Verde, Espanha, França, Grécia, Itália, Roménia, Rússia, Suécia e Ucrânia.

FONTE: Dinheiro Vivo

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