Os erros que se cometem na cozinha e na alimentação

23 outubro 2018

Para se ter uma alimentação equilibrada e saudável, não basta levar marmita para o trabalho, é preciso saber confecionar a comida de forma correta.

"Os portugueses continuam sem ter boas práticas quando chega a hora de cozinhar, embora tenham como objetivo ser o mais saudáveis possível. Continuam a preferir técnicas como fritar e assar, em vez de grelhar e cozer, por exemplo", refere ao CM a bastonária da Ordem dos Nutricionistas, Alexandra Bento sublinhando que, desta forma, "estraga-se muitas vezes um prato 100% saudável". A especialista dá como exemplo uma caldeirada de peixe.

"É um prato super completo. Tem batatas, muita cebola, pimentos, peixe, entre outros. Se confecionarmos tudo corretamente, cozendo às camadas, é uma excelente opção. Por outro lado, se tentarmos inovar, ao fritarmos as batatas e o peixe, por exemplo, aquele prato já não tem o valor que tinha", explica Alexandra Bento, realçando que "fritando os alimentos, a quantidade de gordura aumenta". Segundo a nutricionista, o consumo de gorduras quase triplicou nas últimas quatro décadas.

Outra das falhas dos portugueses no que diz respeito à alimentação relaciona-se com o consumo diário excessivo de calorias. "São necessárias, é um facto, mas na quantidade certa. Aquilo que observamos é que em 40 anos a disponibilidade para ingerir mais calorias aumentou. Consumimos mais 400 Kcal, o que se reflete, por exemplo, no excesso de peso da população: mais de metade tem excesso de peso e mais de 20% tem obesidade", conclui Alexandra Bento. A bastonária alerta ainda para a necessidade de os portugueses consumirem mais fruta e leguminosas.

Alexandra Bento, Bastonária da Ordem dos Nutricionistas
"Não pode faltar sopa e uma peça de fruta"

CM: Segundo um estudo internacional, os portugueses demoram mais tempo a almoçar do que a população europeia. Como comenta este dado?
Alexandra Bento – A questão coloca-se sempre na composição da refeição e na forma como cozinhamos. O tempo pouco importa. É mais importante, por exemplo, fazer a pausa num espaço harmonioso do que o tempo que o demoramos a fazer. Até podemos ter muito tempo, mas isso de nada vale se a combinação da comida não for boa.
– O que é que não pode faltar na refeição ideal?
– O ideal é que não falte uma sopa e uma peça de fruta na refeição. São peças 100% obrigatórias.
O prato em si, quer a quantidade, quer o tipo de alimentos, é a gosto. É importante que exista uma boa porção de leguminosas e hortaliças.

Conselho da semana
A sopa é, sem dúvida, o método mais saudável e mais completo para confecionar e ingerir leguminosas. Através dela é possível ingerir dezenas de vitaminas e minerais e ainda ficar saciado, promovendo assim, de certa forma, a perda de peso, já que está associada a um baixo valor calórico, devido ao elevado teor em água. Por isso, opte por completar as suas refeições com uma sopa de legumes.

"Há ainda muito para fazer nas refeições escolares"
A alimentação é uma parte fundamental do dia a dia dos estudantes. Os jovens têm de comer bem, sobretudo à hora de almoço, de forma a conseguirem obter energia necessária para realizar, com sucesso, todas as atividades do dia. "Há ainda muito para fazer no que diz respeito às refeições escolares.

É necessária uma estratégia para conseguirmos melhorar aspetos como a oferta alimentar, desde os bares, máquinas de venda automática, até ao próprio refeitório", esclarece Alexandra Bento, bastonária da Ordem dos Nutricionistas. A profissional alerta ainda para o facto de "o próprio conhecimento dos alunos ter de ser avaliado, para que seja possível alterar comportamentos".

Uma alimentação constituída por mais legumes e hortaliças, por exemplo, é uma das medidas que os nutricionistas querem ver cumprida nas ementas escolares. Uma dieta rica neste tipo de alimentos deve também ser uma prioridade dos pais. "É preciso tornar o ambiente alimentar das nossas crianças mais saudável, desde cedo", reforça Alexandra Bento.

Hidratos de carbono não prejudicam
A ideia de que os hidratos de carbono ‘fazem mal’ ao jantar está enraizada na mentalidade portuguesa. Mas será que é mesmo assim? Ao Correio da Manhã, a bastonária da Ordem dos Nutricionistas garante que não.

"Não há mal nenhum em comer hidratos ao jantar, não engordam. O que engorda é o excesso de calorias. É preciso haver um equilíbrio energético", assegura.

FONTE: Correio da Manha

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