Desperdício alimentar vai ser reduzido em 15% dentro de 10 anos

09 julho 2018

Um estudo do IPAM - Instituto Português de Administração de Marketing coordenado por Rui Rosa Dias, Mafalda Nogueira e Sandra Gomes sobre tendências alimentares revela que, até 2027, o desperdício alimentar será reduzido em 15%. Essa é, pelo menos, a opinião de 86,1% da amostra de 24 especialistas do setor académico, público e privado (investigadores, professores, jornalistas, ex-governantes, empresários e chefes de cozinha), que consideram que as políticas governamentais, dentro de 10 anos, deverão fazer reduzir o desperdício de bens alimentares.

Por outro lado, 84,7% desses especialistas, que participaram em três rondas de questões tendo por base o modelo e a metodologia Delphi, acreditam que o consumo ‘per capita’ de produtos biológicos aumentará para 10 euros.

“A realidade dos dias de hoje, no que toca ao setor agroalimentar português, vai dando sinais claros de que, inequivocamente, as tendências para os próximos anos, algumas delas pré-anunciadas, emergirão ainda antes do previsto”, afirma Rui Rosa Dias na publicação que agrega as primeiras conclusões deste estudo apresentadas na última semana no IPAM.

O docente e investigador é doutorado em Economia Agrária pela Escuela Técnica Superior de los Ingenieros Agrónomos de Madrid e especialista em Marketing Agro-Alimentar, Economia Agrária, e Comportamento de Consumo. Foi assessor da Direção da cooperativa AGROS nos setores de Marketing, Inovação e Agricultura Biológica, tendo
sido responsável pelo desenvolvimento do primeiro leite biológico em Portugal daquela marca, em 2007, a partir de uma parceria com quatro produtores de Mogadouro. É também, com Jorge Alas, autor do livro “Os trilhos do marketing agroalimentar”, editado pela “Vida Económica”.

Neste introito às conclusões deste estudo sobre as tendências de consumo nos próximos 10 anos, Rui Rosa Dias afirma que “será uma realidade cada vez mais evidente ter-se de conviver com uma certa bipolaridade das cadeias de valor agroalimentares”. E, assim sendo, “não só em Portugal, mas também em todo o mundo sobressairá o eixo da naturalidade, com base nos conceitos que determinarão os caminhos futuros ao nível da sociologia do consumo – produtos oriundos da agricultura tradicional, biológica, biodinâmica, sintrópica à própria agroecologia”.

Segundo o investigador, “paradoxalmente, e após diversos avisos, serão os recursos naturais a impedir a manutenção dos atuais padrões de consumo e esperdício agroalimentar e florestal”. Aliás, para o docente do IPAM, “o clima, o alimento e a mesa formarão uma equação de equilíbrios, que a nova era agroalimentar se há-de encarregar de nos forçar à adaptação”.

Preferência dos consumidores pelos canais curtos de distribuição
Voltando ao estudo, e de acordo com 88,6% dos especialistas, “as culturas e tradições da gastronomia portuguesa serão mais valorizadas, no que diz respeito ao princípio ‘justo’ da ‘Slow Food’”. Aliás, em termos de produção associada ao conceito ‘limpo’ – com respeito pela biodiversidade, preservação dos ecossistemas potenciadores do equilíbrio e da agroecologia em todas as etapas da cadeia agroalimentar e florestal -, “o crescimento da agricultura sintrópica e dos produtos de excelência é identificado por 87,5% dos especialistas como uma forte tendência de ocorrência até 2027”.

Há uma outra conclusão: 86% dos especialistas afirma que o canal horeca português apostará na certificação ‘Slow Food’. E 87,2% estima que “a preferência dos consumidores incidirá nos canais de proximidade e canais curtos de distribuição”.

No conceito ‘bom’, associado ao prazer e felicidade, “a ‘Portuguese Confort Food’ passará a estar incluída na opção de menu de acordo com 86,4% dos ‘experts’”. Já no que diz respeito à saúde, “as embalagens privilegiarão informação clara e objetiva sobre o grau de dependência que o produto pode provocar, garantem 81,5% dos especialistas”. Por outro lado, a verdade agroalimentar possível com base na cocriação é outra tendência indicada por 80,6% dos especialistas.

FONTE: Vida Económica

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