Portugueses têm maus hábitos alimentares e não fazem exercício

27 novembro 2017

Portugueses estão a beber e a fumar menos, mas são mais gordos e inativos

Menos de metade dos cidadãos nacionais (46,5%) dizem estar de boa saúde. Na UE são 66,9%

Os portugueses estão a fumar e a beber menos. Em contrapartida, têm maus hábitos alimentares e não fazem exercício. Estas são as conclusões do estudo Perfil de Saúde 2017, um documento da Comissão Europeia divulgado ontem e onde, pela primeira vez, é traçado o perfil dos sistemas de saúde dos Estados membros.

"Os esforços para enfrentar estes fatores de risco" são os principais desafios do governo, alerta a Comissão no estudo onde os dados, elaborados com estatísticas fornecidas ao Eurostat e à Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico - validados em junho e que reportam ao período entre 2000 e 2015 variando segundo o tema -, permitem detetar os problemas neste setor de cada país, acompanhar e recomendar medidas para melhorar a resposta aos cidadãos.

Um dos tópicos do estudo diz respeito à percentagem de adultos nos 28 países que fuma diariamente: em média 18,6 %, enquanto em Portugal é de 17%, a quarta mais baixa. Segundo os dados divulgados, o consumo de tabaco diminuiu bastante entre as raparigas, de 26 % (2001-2002) para 10% (2013--2014) e entre os rapazes, de 18 % para 12% (nos mesmos períodos). E, ao contrário do que acontece em outros domínios da saúde portuguesa, o relatório refere que no tabagismo não há desigualdades entre classes sociais.

Menos álcool, mais gordos
Registam-se igualmente melhorias no que diz respeito ao consumo de álcool excessivo esporádico, que em Portugal é metade da média europeia (10% em 2014, contra 20% na UE). Já o consumo de álcool moderado é igual à média europeia: 10 litros per capita, menos dois litros do que em 2000.

A má notícia é que têm vindo a aumentar as taxas de obesidade - 16,1% da população, um ponto acima da média europeia.

A subida maior diz respeito aos mais novos. A prevalência da obesidade entre os jovens de 15 anos cresceu quase 60 %, de um em cada oito para um em cada cinco, ao mesmo que a inatividade física está entre as mais elevadas dos 28. E, tal como acontece com os nossos parceiros europeus, "o nível de obesidade das pessoas com escolaridade mais baixa mais do que duplica o registado entre as pessoas com o nível de escolaridade mais elevado".

Mais mortes por diabetes
O Perfil de Portugal 2017 revela que "as taxas de mortalidade relativas às causas de morte mais comuns (doenças cardiovasculares e certos tipos de cancro) estão a diminuir, mas surgiram tendências desfavoráveis, como o aumento do número de mortes por diabetes".

As doenças cardiovasculares são a principal causa de morte entre as mulheres (cerca de um terço, enquanto nos homens é de um quarto), mas estão atrás do cancro no sexo masculino, responsável por 29% das mortes (20 % nas femininas). São também elevados os óbitos por doenças respiratórias, um em cada nove. E segundo dados de 2014, a pneumonia foi a quarta principal causa de morte no país.

O aumento do número de mortes causadas por "pneumonia e outras doenças pulmonares prende-se com o envelhecimento da população, sendo igualmente o resultado de taxas de tabagismo mais elevadas", frisa o relatório.

Já as mortes devidas à diabetes apresentam as taxas mais elevadas da UE. E o número de pessoas que morreram com doença de Alzheimer e outras formas de demência mais do que triplicou desde 2000, "facto que reflete igualmente o envelhecimento da população, a melhoria do diagnóstico e a falta de tratamentos eficazes, bem como uma codificação mais precisa", concluem os peritos, que analisaram durante dois anos os sistemas de saúde de cada um dos 28 Estados membros, com a colaboração das entidades nacionais e a Rede de Monitorização dos Sistemas de Políticas de Saúde.

O comissário Europeu da Saúde e Segurança Alimentar, o lituano Vytenis Andriukaitis, salientou os principais desafios que os países enfrentam (ver entrevista). Salientou que os perfis e o relatório comparativo "Estado da Saúde na UE "pretendem ser uma base de trabalho para que os governos promovam políticas de saúde apoiadas em "dados fiáveis" e numa "análise independente".

Cada perfil apresenta uma síntese dos seguintes aspetos: estado da saúde no país, fatores de risco comportamentais, organização do sistema de saúde, efetividade, acessibilidade e resiliência do sistema de saúde.

País com mais queixas
Portugal é um dos países da UE em que as pessoas apresentam mais queixas. A maioria dos portugueses diz não gozar de boa saúde, apesar da esperança de vida à nascença se situar agora nos 81,3 anos, mais 4,5 anos do que em 2000 e que é superior à média europeia (80,6).

A percentagem de pessoas que dizem estar de "muito boa ou boa saúde" (46,4 %) fica abaixo da média da UE (66,9 %). Uma perceção que é diferente consoante a condição socioeconómica, o que também acontece com os parceiros europeus. Seis em cada dez portugueses (59,4%) com rendimentos mais elevados sentem-se bem ou muito bem, existindo praticamente uma inversão quando se questionam os menos abonados, já que apenas 37,4% não têm queixas.

Diferenças há também no acesso aos cuidados de saúde e, neste campo, são maioritariamente geográficas, agravadas pela falta de recursos económicos. "Muitas das pessoas que vivem nas zonas rurais estão em risco de pobreza e defrontam-se com obstáculos (em especial a distância) que dificultam o acesso a serviços de saúde de qualidade", sublinham os peritos europeus.

Entrevista
Vytenis Andriukaitis: "UE gasta 3% a prevenir e 80% a tratar"
O comissário europeu responsável pelas áreas da Saúde e Segurança Alimentar, cirurgião cardíaco, nasceu na Lituânia em 1951.

Quais são os maiores problemas na saúde dos portugueses?
Faltam medidas de prevenção de doença, que estimulem um estilo de vida saudável e mais meios de diagnóstico e rastreio. O sistema de saúde tem de ter maior relação custo-eficiência. Foram instituídas medidas, mas persistem problemas como falta de enfermeiros, disparidade entre regiões, longos tempos de espera. Há má distribuição dos cuidados de saúde primários. Outro desafio é combater a obesidade, que tem aumentado, sobretudo infantil, devido a má alimentação e falta de exercício. Têm um excelente representante do exercício, que é o Ronaldo, não sei porque é que os jovens não fazem exercício físico.

Os sistemas de saúde europeus estão doentes?
Há problemas em todos os países e é importante perceber a situação de cada um, daí termos feito este levantamento e com dados fiáveis. Todos têm desafios pela frente, seja a Finlândia, Portugal ou a Lituânia.

Quais são os principais?
Em primeiro lugar, discutir a saúde, em particular a pública, falar sobre a possibilidade de se usarem mais os instrumentos de saúde pública; analisar fatores de risco e interromper a tendência de crescimento das mortes prematuras e com doenças evitáveis. É preciso encorajar a sociedade a ter uma vida saudável, lutar contra os fatores de risco como o tabaco, álcool, sal e açúcar.

Uma educação para a prevenção e que é a sua bandeira...
Gastamos 3% do orçamento em prevenção enquanto a despesa com os tratamentos é de 80%. É preciso mudar esta disparidade e investir fortemente na prevenção, algumas medidas custam praticamente nada.

É fácil alterar comportamentos?
Acredito que a saúde envolve várias áreas e é preciso que todas trabalhem em conjunto. A prevenção é o melhor caminho para evitar mortes, até porque chegaremos à conclusão de que os orçamentos não chegam para combater as doenças. A saúde é um problema que deve envolver parlamentos nacionais, governos e não apenas o ministro da Saúde mas também da Educação, da Agricultura, da Alimentação, dos Transportes, etc.

Quais são os outros desafios?
Maior facilidade de acesso aos cuidados de saúde primários, há desigualdades sociais e disparidades geográficas. Precisamos de cuidados de saúde primários mais fortes. Na UE, 27% das pessoas vão à urgência por dificuldade de acesso aos cuidados primários ou por serem inadequados [30% em Portugal]. É possível usarem-se as novas tecnologias para integrar os serviços e garantir acesso a toda a população o mais depressa possível. E tem de se apostar numa maior cobertura e distribuição de profissionais de saúde.

O estudo indica que a falta de enfermeiros é grave em Portugal...
E também a desigualdade geográfica na distribuição dos médicos. Tem de se investir aí e é possível introduzir mais dinheiro, mas não é tudo. Há um problema de gestão e organização, falta de discussão sobre como usar os recursos, as novas tecnologias e a inovação que podem ser um aliado nesse processo e ajudar a diminuir as desigualdades.

FONTE: Diário de Noticias

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