O coordenador da Comissão Nacional de Combate ao Desperdício Alimentar (CNCDA) disse ontem que a Estratégia Nacional nesta área, que aponta, por exemplo, para a medição do que é desperdiçado em Portugal, será colocada em discussão pública em julho.
"Ainda não há uma mensurabilidade oficial do desperdício. Calcula-se que 30% dos alimentos são desperdiçados e 30% de alimentos é muito. Temos de ter a capacidade de ver em que pontos estão a acontecer estes desperdícios e tentar reduzi-los ao máximo", disse Eduardo Diniz.
O presidente da Comissão Nacional falava à agência Lusa durante a Conferência Internacional sobre Segurança Alimentar e Estratégias Nutricionais, que decorreu ontem em Lisboa, e durante a qual várias entidades partilharam casos e testemunhos vividos nas áreas do combate ao desperdício alimentar, da disseminação de boas práticas e das políticas de segurança alimentar e nutrição ao nível local.
"Com o relatório e com plano de ação que pretendemos por à discussão pública teremos já uma resposta portuguesa quando a questão se colocar a nível europeu", disse Eduardo Diniz adiantando que interessa ter uma estratégia concreta "que permita ter um conceito próprio do é o desperdício alimentar e saber medi-lo".
Eduardo Diniz disse ainda que é preciso ter a capacidade de ver onde estão a ocorrer os desperdícios e envolver todos os agentes nesta matéria, sendo uma responsabilidade de todos, desde os produtores, distribuidores e consumidores.
A CNCDA foi criada no final de 2016 com a missão de elaborar a Estratégia Nacional de Combate ao Desperdício Alimentar e um Plano de Ação de Combate ao Desperdício Alimentar (PACDA).
A comissão tem ainda como missão proceder à caraterização e identificação das iniciativas em curso, informar sistemática e periodicamente a tutela e a sociedade civil sobre a evolução dos trabalhos desenvolvidos e os resultados obtidos, bem como propor a formulação de políticas, iniciativas e instrumentos de combate ao desperdício alimentar, assim como de educação para o uso responsável de alimentos.
Lisboa, a cidade anfitriã da conferência, foi já reconhecida publicamente pela FAO como um exemplo mundial, após a criação da Rede Alimentar da cidade pelo Comissariado Municipal de Combate ao Desperdício Alimentar.
Em 2016, cerca de 5 milhões de refeições foram distribuídas na cidade pelas instituições e voluntários que integram o Comissariado.
O Comissário Municipal de Combate ao Desperdício Alimentar, o vereador João Gonçalves Pereira, explicou à Lusa que o encontro de hoje é o encerramento do plano do comissariado com o objetivo de mostrar o modelo lisboeta e de encontro de várias entidades que foram fundamentais para a execução do plano, entre as quais o Banco Alimentar contra A Fome, o projeto Re-Food, o movimento zero desperdício, a APED, a Comunidade Vida e Paz e a Asae, entre outros.
"O modelo de Lisboa é um modelo de sucesso que devia ser replicado não só em Portugal como também internacionalmente. Prova disso são as delegações estrangeiras que querem conhece-lo depois da FAO ter focado esta prática como boa na sua plataforma", disse.
O plano contra o desperdício alimentar na cidade de Lisboa evitou que cinco milhões de refeições por ano fossem parar ao lixo, alimentando, em contrapartida, cerca de 6.500 famílias, segundo o Comissário Municipal de Combate ao Desperdício Alimentar.
Este plano foi iniciado em 2014 e permitiu colocar em rede as entidades que combatem o desperdício alimentar em Lisboa.
FONTE: Agencia Lusa




















































