Portugueses gastaram 4,8 mil milhões no supermercado no 1.º semestre

20 julho 2021

A mercearia e os congelados cresceram 2% face a 2020 e todas as restantes categorias até caíram, com exceção das bebidas, com e sem álcool. O fecho e restrições nos restaurantes levou a comprar mais para casa

As famílias portuguesas gastaram 4.787 milhões de euros em compras para o lar nos primeiros seis meses do ano, o que representa um aumento de 2,7% (mais 125 milhões de euros) face ao período homólogo, em que o setor dos bens de grande consumo havia já crescido 10,4%. Os dados são da Nielsen e mostram que o consumo de artigos de mercearia e de congelados cresceu 2%, mas foram as bebidas, e em especial as alcoólicas, que mais dispararam, com um aumento de 15%. Para a Associação Portuguesa de Empresas de Distribuição (APED), estes números são o resultado das limitações no acesso à restauração.

"A transferência de consumo para o lar é uma tendência e que se nota, sobretudo, nos segmentos premium, quer de destilados, quer de vinho, o que é muito interessante, sobretudo se atendermos ao facto de ainda estar em vigor a limitação de venda de bebidas alcoólicas a partir das 21h00, medida que não tem absolutamente lógica nenhuma nem qualquer justificação científica, e só traz constrangimentos e problemas logísticos", diz o diretor-geral da APED.

1.924 milhões de euros foi quanto os portugueses gastaram, entre janeiro e junho, em artigos de mercearias, segmento de produtos que representa 40,2% dos gastos totais em bens de grande consumo

Gonçalo Lobo Xavier fala, ainda, numa alteração de consumo das famílias neste primeiro semestre do ano, comparativamente ao comportamento verificado em 2020: "O ano passado, os portugueses iam menos vezes às compras e faziam compras em maior quantidade, numa lógica de armazenamento. Este ano, vê-se que vão mais vezes e fazem tickets mais pequenos, o que mostra que perderam o receio e perceberam que estes são espaço sem risco nenhum".

Em termos de canais de venda, mostra o Scantrends da Nielsen que os portugueses passaram a privilegiar a compra nos grandes supermercados, cujas vendas, em valor, cresceram 10% face ao período homólogo, em detrimento dos pequenos supermercados ou do comércio tradicional, que caem 1,9% e 2,8%, respetivamente. "Provavelmente, isto deve-se à perceção do espaço por parte dos consumidores, tentando acreditar que, quanto maior a loja, menor o risco de serem barrados à porta por causa do rácio que limita a ocupação máxima do comércio a cinco pessoas por cada 100 metros quadrados", admite Gonçalo Lobo Xavier, que considera a manutenção destes rácio "completamente inaceitáveis" na conjuntura atual, e "sem qualquer paralelo" na Europa. "Quase todos aboliram este rácio e mesmo os poucos países que o mantêm têm valores que são o dobro ou o triplo do nosso", critica.

O diretor-geral da APED teme que o Governo se tenha "esquecido" deste ponto e "continua-se, assim, a penalizar o retalho que tanto precisa de clientes em loja", defende, reclamando o fim das limitações de horário do retalho não alimentar ao fim de semana. "Qualquer limitação horária é lesiva para as empresas e contrária aos interesses de combate à pandemia, porque promove a concentração de pessoas nos espaços", argumenta, lembrando que as lojas de moda, de cosmética, de brinquedos e de mobiliário, entre outras, "precisam de ter mais horas de funcionamento para tentarem recuperar vendas, num ano que está a ser extremamente difícil".

Em grande está a venda de autotestes nos supermercados, um produto que "não é, em si, um negócio para o retalho alimentar", mas antes uma forma deste "ajudar o canal horeca", impedido de deixar entrar nos restaurantes clientes sem certificação digital de vacinação ou teste negativo à covid.

O anúncio da venda de autotestes nos super e hipermercados foi feito a 8 de junho, pelo ministro da Economia, mas, só a 16 saiu o respetivo diploma. O que significa que só as cadeias com área de saúde nas respetivas lojas - caso da Auchan, do Continente, com a insígnia Well"s, e do Pingo Doce -tinham autotestes. No primeiro fim de semana em que os autotestes foram exigidos nos restaurantes, ou seja, a 10 e 11 de junho, as vendas destes produtos duplicaram nestas insígnias e voltaram a duplicar novamente neste último fim de semana. "Estamos a falar de mais de 20 a 30 mil testes diários, entre sexta, sábado e domingo", diz Gonçalo Lobo Xavier, que admite que, com o alargamento deste produto às restantes cadeias vai fazer "aumentar a malha e a disponibilidade geográfica destes produtos a todo o país".

Será, assim, de se esperar um aumento das vendas no segmento de higiene pessoal, área a que deverão ficar afetos os autotestes no retalho alimentar, categoria que fechou em linha com o período homólogo (-0,6% para 474 milhões). Quanto aos produtos de higiene para o lar, as vendas caíram 2,9% face a junho de 2020, para um total de 383 milhões de euros.

FONTE: Dinheiro Vivo

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