Preços dos alimentos disparam 40%

08 junho 2021

No meio de uma onda generalizada de temores inflacionistas, foram conhecidos os mais recentes dados da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) que dá conta de uma subida de 39,7% nos preços dos alimentos, alcançando o máximo de 10 anos.

Por detrás deste aumento está o apetite da China pelos cereais básicos, como o trigo e a soja, a grave seca no Brasil e a subida dos preços dos óleos vegetais para responder à procura de biodiesel.

O índice da FAO é composto por vários subíndices de preços dos óleos, do açúcar, dos cereais, da carne e dos lacticínios. Em maio, o índice principal situou-se no valor médio de 127,1 pontos, 4,8% mais que em abril e 39,7% acima do período homólogo de 2020, atingindo o valor mais elevado desde setembro de 2011.

Pressões inflacionistas
As pressões inflacionistas, assim como a progressão da vacinação e as previsões de reabertura das economias estão a afetar o preço das matérias-primas, sendo as commodities as primeiras a ter de se adaptar às mudanças na oferta e na procura. Os economistas da FAO advertem que o aumento dos preços vai afetar sobretudo as economias mais pobres, altamente dependentes da importação de matérias-primas.

As maiores subidas foram observadas nas cotações dos óleos vegetais. A FAO explica que o subíndice reflete o aumento dos preços nos óleos de palma, que alcançaram o valor mais elevado desde fevereiro de 2011, de soja, impulsionados pela procura mundial especialmente do sector do biodiesel, e de colza, devido à escassez da oferta. O índice disparou quase 100% face a maio de 2020.

Já o dos cereais subiu 6% relativamente a abril e 36,6% face ao homólogo. No açúcar, os preços aumentaram 6,8% face a abril, principalmente, devido aos atrasos nas colheitas e às preocupações de menor rendimento das plantações no Brasil, país que é o maior exportador mundial de açúcar.

Por sua vez, os preços da carne incrementaram 2,2% face a abril, dada a aceleração no ritmo das importações na China, assim como ao crescimento da procura interna da carne de aves e de porco nas principais regiões produtoras. Finalmente, as cotações dos produtos lácteos aumentaram 1,8% face ao mês anterior e 28% em termos anuais, fruto de uma sólida procura de importações de leite desnatado e inteiro em pó. Em contrapartida, pela primeira vez quase num ano, os preços da manteiga desceram.

FONTE: Revista Grande Consumo

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