Como mudaram as empresas? 18 anos trouxeram liquidez, solidez e abertura ao mundo

31 maio 2021

A pandemia arrasou as contas das empresas em 2020, mas o caminho traçado nos últimos 18 anos não é apagado. Hoje, as empresas têm mais liquidez e autonomia financeira, menos endividamento e maior abertura ao exterior.

O momento não é de brilharete para o tecido empresarial português. Arrasadas por uma pandemia que paralisou a economia e que ainda hoje limita a atividade de vários setores, os resultados de 2020, e mesmo do arranque de 2021, não foram aqueles que os anos anteriores faziam antever. Mas o retrato do caminho percorrido pelas empresas desde o início deste milénio não pode ser traçado olhando apenas para o rasto deixado pela pandemia. E a verdade é que, para lá do vírus, os últimos 18 anos trouxeram mais liquidez, menos endividamento e maior abertura ao exterior.

A primeira diferença evidente é do lado do dinheiro disponível, que mais do que duplicou. No final de 2003, segundo os dados do Banco de Portugal (BdP), os depósitos das empresas totalizavam 22.365 milhões de euros. No final de março deste ano, último período para o qual existem dados disponíveis, os depósitos das empresas totalizavam 54.906 milhões.

O dinheiro disponível das empresas mais do que duplicou nos últimos 18 anos. No final de 2003, os depósitos das sociedades não financeiras totalizavam 22.365 milhões de euros. Já no final de março deste ano, os depósitos totalizavam 54.906 milhões de euros, um aumento de 145% entre um momento e outro.

Isto num período em que o volume de negócios disparou 43%. Há 18 anos, o volume de negócios do conjunto das empresas portuguesas totalizava 288.282 milhões de euros, segundo os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE). No final de 2019, último ano para o qual há dados disponíveis, este indicador ascendia a 412.640 milhões de euros.

Com a abertura das empresas portuguesas ao exterior e o crescimento acentuado das exportações de bens ao longo dos últimos 18 anos, o volume de negócios disparou. No final de 2019, este indicador totalizava 412.640 milhões de euros, um aumento de 43% em relação ao valor que era registado em 2003.

A contribuir para esta evolução esteve, em grande parte, a abertura das empresas ao exterior. O INE só disponibiliza o número de empresas exportadoras a partir de 2010 e até 2018, mas, mesmo considerando só este período, o crescimento é notório. Em 2010, havia 44.817 empresas exportadoras; no final de 2018, já existiam 73.208 empresas nesta categoria.

Não é de estranhar, assim, a subida das exportações. Em 2003, as empresas portuguesas exportaram 29,26 mil milhões de euros em bens. No ano passado, marcado pela crise pandémica, foram exportados 53,8 mil milhões, abaixo do valor recorde de quase 60 mil milhões registado em 2019.

Há mais devedores, mas menos endividamento
Também na alavancagem as diferenças são evidentes, ainda que, hoje, haja mais devedores.

A banca portuguesa chegava ao fim de 2003 com uma carteira de crédito a empresas superior a 82 mil milhões de euros, que foi crescendo ano após ano, até atingir o pico de quase 118 mil milhões em 2009, quando o país atravessava a crise financeira. Em março de 2021, a carteira de crédito a empresas totalizava 74.910 mil milhões de euros – e este representa um forte aumento face aos últimos anos, que é explicado, sobretudo, pelas linhas de crédito garantido pelo Estado que foram lançadas para apoiar as empresas afetadas pela pandemia. No final de 2019, antes de a pandemia chegar a Portugal, a carteira de crédito a empresas ascendia a 67 mil milhões de euros.

A banca tinha, em 2003, uma carteira de crédito a empresas superior a 82 mil milhões de euros, número que foi crescendo até 2009, no pico da crise financeira. Em março deste ano, a carteira de crédito a empresas totalizava 74.910 milhões de euros, um aumento face aos últimos anos, explicado pelas linhas de crédito garantido.

Neste cenário, o endividamento das empresas reduziu-se de forma significativa. Considerando apenas o setor privado, o endividamento das empresas era de 135% do produto interno bruto (PIB) em 2007 (período mais antigo para o qual o BdP disponibiliza estes dados), baixando para 125% do PIB no final de 2019. Com o aumento da concessão de crédito por via das linhas garantidas pelo Estado, a que se associa a forte contração do PIB motivada pela pandemia, este endividamento acabou, no entanto, por voltar a aumentar para 132% no final de março de 2021.

O endividamento reduziu-se de forma significativa. Considerando apenas o setor privado, o endividamento das empresas era de 135% do PIB em 2007 e de 125% no final de 2019. A pandemia e as linhas de crédito lançadas para apoiar as empresas vieram, contudo, agravar este indicador, que voltou a subir para 132% em março de 2021.

Por outro lado, há hoje mais crédito malparado do que há 18 anos, um resquício da última crise financeira que ainda não desapareceu. Em 2003, 1.763 milhões de euros de crédito a empresas estava vencido, o equivalente a 2,1% da carteira de crédito total, com 12,5% das empresas a entrarem na categoria de devedoras. Estes números agravaram-se durante a crise e chegaram ao pico de 13,6 mil milhões de euros de empréstimos vencidos em 2015, ou 16% da carteira total. Em março deste ano, já só eram contabilizados 2.460 milhões de crédito nesta situação, ou 3,3% da carteira.

A acompanhar o aumento da liquidez e a redução da alavancagem, as empresas conseguiram, ainda, uma melhoria significativa do balanço. Os capitais próprios do conjunto das empresas passaram de cerca de 131,5 mil milhões em 2006 (último ano disponível) para mais de 209 mil milhões em 2019, enquanto o ativo total aumentou de 424,5 mil milhões para quase 573 mil milhões.

A autonomia financeira das empresas (o rácio dos capitais próprios sobre o ativo total, indicador que reflete a capacidade de cumprimento das suas obrigações) passou, assim, de 31% em 2006 para 36,5% em 2019.

FONTE: Jornal de Negócios

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