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Confinamento está a pressionar menos as compras com cartão

22 fevereiro 2021

O novo confinamento está a pressionar menos as compras com cartão. Em janeiro ficaram 10% abaixo do ano passado, enquanto que, no confinamento de 2020, a queda foi superior em 11 pontos percentuais.

O confinamento imposto em janeiro está a ter “um impacto menos significativo no valor das compras efetuadas com cartão”, comparativamente com as restrições implementadas em março do ano passado, na primeira vaga da pandemia. A informação foi revelada pelo Banco de Portugal (BdP).

Para o supervisor encabeçado por Mário Centeno, o confinamento de 2021 não está a pressionar tanto os pagamentos com cartão como se verificou no ano passado, quando foram detetados os primeiros casos de Covid-19 e a economia fechou.

No passado mês de janeiro, “o valor das operações com cartão de pagamento decresceu 10% relativamente ao mesmo mês de 2020”, altura em que Portugal ainda não sentia os efeitos da crise sanitária. Nas primeiras quatro semanas de confinamento em 2020, a queda homóloga chegou aos 21%, recorda, superior em 11 pontos percentuais.

“A evolução de janeiro de 2021 representou um agravamento face a dezembro de 2020, em que a redução homóloga tinha sido de -1%, e justifica-se pelo reforço das medidas de confinamento, com o encerramento das escolas”, indica o BdP. A restauração, a Administração Publica e o alojamento são “os setores de atividade mais afetados”, tendo sofrido quebras no valor dos pagamentos com cartão de, respetivamente, 57,9%, 60% e 77,5%, indica o supervisor.

Feitas as contas, “os dados sugerem que as medidas de confinamento adotadas no início de 2021 estão a ter um impacto menos significativo no valor das compras efetuadas com cartão do que as adotadas entre março e junho do ano passado”, interpreta o BdP.

Mas nem todos os setores estão a enfrentar quebras. “Apesar de o setor do comércio a retalho ter registado uma contração de 2,7% em termos homólogos, em janeiro de 2021 o valor das compras em supermercados ou hipermercados cresceu 12,9% e as compras em estabelecimentos de produtos alimentares, bebidas e tabaco subiu 48,5%”, remata o BdP.

A generalidade da economia continua sujeita a fortes restrições, medidas implementadas para travar o avanço da pandemia. A generalidade dos serviços e estabelecimentos está encerrada, mas o comércio a retalho de bens alimentares e produtos essenciais é permitida.

O país está assim, e assim deverá continuar: na quinta-feira, a ministra da Presidência, Mariana Vieira da Silva, disse que Portugal ainda está “longe” de poder pensar em desconfinamento, visto que os números de internados em cuidados intensivos ainda são bastante elevados.

FONTE: ECO Economia Online