Portugal perde excedente comercial conquistado na troika

18 fevereiro 2021

Ao fim de oito anos de excedentes na balança de bens e serviços, Portugal regressou em 2020 aos défices. A economia ficou fortemente prejudicada pela pandemia de covid-19.

Ao fim de oito anos, a economia portuguesa perdeu o excedente comercial que tinha conquistado nos tempos da troika. O país fechou 2020 com um défice comercial na balança de bens e serviços, mostram os dados publicados esta quarta-feira pelo Banco de Portugal.

Entre janeiro de dezembro do ano passado, o país registou um défice comercial de 3.583 milhões de euros. A última vez que o saldo entre as importações e exportações de bens e serviços tinha sido negativo foi em 2011, durante a grande crise económica e financeira.

Com a pandemia de covid-19, tanto as exportações como as importações caíram a pique. Nas trocas de bens, a contração das compras ao exterior até acabou compensar a redução também sentida nas vendas, levando a uma diminuição muito acentuada deste défice. Em 2019, Portugal tinha um défice na balança de bens de 16.287 milhões de euros; em 2020 passou para 12.186 milhões de euros, o que representa um corte de cerca de 25%.

Porém, este movimento foi mais do que compensado pela degradação da balança de serviços. Com a queda abrupta do turismo, o excedente das trocas de serviços passou de 17.845 milhões de euros para menos de metade: 8.603 milhões de euros. Este valor já não chega para compensar o défice nos bens, o que coloca o país com um défice comercial.

Excedente corrente e de capital reduzido a um décimo
Olhando para o conjunto da balança corrente e de capital, que inclui além das trocas comerciais também as de rendimentos e de capital, verifica-se que o excedente externo ainda resiste, mas muito pequeno. Está reduzido a 256 milhões de euros, quando em 2019 atingiu 2.591 milhões de euros, cerca de dez vezes mais.

Os números mostram que a razão deste pequeno excedente está na balança de capital, que reforçou o seu excedente, e na melhoria da balança de rendimentos primários, que se tornou menos negativa. Na balança de rendimentos primários estão, por exemplo, juros, dividendos e lucros reinvestidos.

Já o excedente dos rendimentos secundários, onde se incluem, por exemplo, as remessas de emigrantes, registou apenas uma ligeira redução. Portugal continua a beneficiar significativamente das remessas dos emigrantes, tendo registado a entrada de 3.127 milhões de euros (menos 57 milhões de euros do que em 2019).

FONTE: Jornal de Negócios

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