FIPA aplaude acordo, mas alerta para fragilidade na cadeia agroalimentar

04 janeiro 2021

A FIPA – Federação das Indústrias Portuguesas Agro-Alimentares aplaude a aplicação provisória do Acordo de Comércio e Cooperação ente a União Europeia e o Reino Unido, que entrará em vigor a 1 de janeiro, mas alerta sobre a fragilidade da sua implementação prática e reflexos na operação da cadeia agroalimentar.

Após sucessivos atrasos nas negociações, a federação defende que “é essencial que as autoridades da UE e do Reino Unido ajam agora de forma célere para que, já nesta primeira fase, seja garantida a circulação de bens nas fronteiras e não se verifiquem bloqueios“.

A FIPA defende, ainda, que a Comissão Europeia ative protocolos de gestão de crises, devendo incluir comunicações diretas com os operadores da cadeia agroalimentar, para identificar e resolver questões fronteiriças que possam surgir nos próximos meses. Um dos casos que podem ser tomados como positivos é o exemplo das “green lanes” aplicadas em plena pandemia Covid-19.

Interação máxima
Em linha com as necessidades apontadas igualmente pela confederação europeia FoodDrinkEurope, a FIPA sublinha que se exigem esforços máximos de interação entre as autoridades nacionais e o Reino Unido, para que possam ser implementadas e cumpridas as novas medidas não só aduaneiras, mas também sanitárias e fitossanitárias como, por exemplo, as diferentes regras de rotulagem de produtos alimentares.

“Este acordo é, de modo geral e teoricamente, positivo, uma vez que vem impedir a aplicação de tarifas excessivas nas transações do setor agroalimentar. No entanto, receamos que as dúvidas que surgirão da sua aplicação possam ser um entrave na evolução do setor. É essencial a máxima atenção do Governo português neste processo, sobretudo quando o setor tem vindo a ter nas exportações uma âncora nestes últimos meses”, explica Pedro Queiroz, diretor-geral da FIPA.

Peso na balança
Só em 2019, o mercado do Reino Unido representou para Portugal cerca 274 milhões de euros em exportações de alimentos e bebidas e perto de 160 milhões de euros em importações, de acordo com os dados do Instituto Nacional de Estatística analisados pela FIPA.

FONTE: Revista Grande Consumo

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