Brexit: O que muda a 31 de Dezembro (com ou sem acordo)

18 novembro 2020

As negociações entre o Reino Unido e a União Europeia (UE) ainda continuam e não é certo se haverá ou não acordo entre as duas partes. No entanto, algumas mudanças estão garantidas, já a partir de 31 de Dezembro, independentemente de haver ou não uma parceria oficial. A data em que termina o período de transição para o Brexit abre a porta a um novo mundo para os cidadãos britânicos e europeus.

Segundo o The Guardian, 1 de Janeiro de 2021 ficará marcado como o fim de 30 anos de tratados comerciais e circulação livre de turistas, por exemplo. Também haverá novas regras em termos de financiamento e burocracia.

Ponto a ponto, o jornal britânico explica o que muda dentro de pouco mais de um mês:

1 – Fronteiras entre Reino Unido e Irlanda do Norte
Às 23h de 31 de Dezembro, entra em marcha um protocolo da Irlanda do Norte no sentido de passar a verificar a entrada de todos os bens que cheguem do Reino Unido. Como muitas empresas poderão não estar a par desta mudança, é esperada alguma confusão nas fronteiras.

Segundo o The Guardian, esta solução estará em vigor durante seis anos e é uma forma de evitar uma fronteira mais rígida. No entanto, não agrada a todos: cadeias de supermercados como o Sainsbury’s já alertaram que o fornecimento de carne, lacticínios e peixe será restringido a menos que a UE aceite banir este controlo relativamente a grandes comerciantes já reconhecidos e de confiança;

2 – Novas regras para a imigrantes
A partir de 1 de Janeiro de 2021, mudam as regras no campo da imigração graças à implementação de um sistema de pontos que determina se uma pessoa pode ou não entrar no Reino Unido. A circulação de turistas deverá ser permitida durante os primeiros 90 dias, mas o cartão europeu de saúde poderá deixar de funcionar.

O The Guardian adianta ainda que empregadores e senhorios serão obrigados a confirmar se os cidadãos da UE que pretendem contratar ou a quem tencionam arrendar casa têm, de facto, direito a trabalhar e viver no Reino Unido. Caso contrário, enfrentarão penalizações.

Outro potencial problema será o de cidadãos britânicos que vivem na UE mas queiram regressar ao seu país para tomar contar de familiares doentes, por exemplo. Caso tencionem voltar ao Reino Unido na companhia de marido ou mulher de outra nacionalidade, poderão encontrar dificuldades;

3 – E a polícia?
A troca de informações em tempo real sobre passageiros e os mandados de prisão europeus (EAW) poderão perder-se assim que baterem as 12 badaladas de 31 de Dezembro para 1 de Janeiro. Isto significa que ferramentas essenciais no combate ao terrorismo, por exemplo, deixarão de estar ao alcance da polícia britânica.

Caso a Interpol passe a ser o único ponto de contacto em termos de crime, poderá demorar até 60 dias para obter os registos criminais de uma pessoa, por exemplo. Actualmente, são necessários apenas seis dias;

4 – Colaborações científica e educativas
O programa de investigação Horizon Europe poderá ser uma das vítimas do Brexit. O Reino Unido poderá entrar no programa enquanto membro associado, mas os cientistas temem que o governo britânico negue essa possibilidade.

As mesmas preocupações surgem em relação a programas de ensino, como é o caso da iniciativa Erasmus, que poderá passar a custos adicionais para os estudantes e respectivas famílias;

5 – O desafio de Kent
Filas de até 7 mil camiões por dia são o cenário mais provável para Kent, a porta de entrada e saída do Reino Unido. Os condutores terão de ter uma autorização especial para aceder a esta área, conhecido como “passaporte do Brexit”, sendo que será a primeira vez que 145 mil negócios britânicos terão de preencher este tipo de formulários;

6 – Preço da comida
Caso haja acordo, não será necessário temer impostos em produtos como carne de vaca ou queijo. Ainda assim, os preços deverão aumentar devido à burocracia adicional (autorizações especiais e controlos sanitários, por exemplo).

Actualmente, cerca de 40% dos produtos alimentares e agrícolas do Reino Unido chegam da União Europeia. Frutas e legumes que não sejam sazonais estarão entre os principais alvos do aumento de preço;

7 – Dificuldades também nos sectores premium
Por fim, o The Guardian aponta para novos desafios no comercialização de automóveis, aviões ou químicos, sectores mais premium face ao alimentar, por exemplo. Mesmo que não haja impostos especiais sobre os componentes dos veículos automóveis, regressarão os impostos “de fronteira”.

No caso da indústria química, as estimativas dão conta de mil milhões de libras em custos adicionais relativamente à importação e substâncias.

FONTE: Executive Digest_SAPO

Associadas

Parcerias

Objectivos

‘‘Os objectivos da ANIL centram-se na defesa dos interesses e representação do sector, no acompanhamento das matérias legislativas, normativas, ambientais, económicas e técnicas que contribuam para o desenvolvimento da indústria láctea em Portugal...

Calendário

Seg. Ter. Qua. Qui. Sex. Sáb. Dom.
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
26
27
28
29
30

Próximos Eventos

Não existem eventos programados!

Redes Sociais

Top
ATENÇÃO: Este site apenas usa os cookies para lhe facilitar a navegação enquanto utilizador.