Impacto da crise no agroalimentar europeu deverá ser limitado

15 outubro 2020

O último relatório sobre as perspetivas a curto prazo para os mercados agrícolas da União Europeia, publicado pela Comissão Europeia, revela que, embora persistam muitas incertezas, espera-se que o impacto da crise no sector agroalimentar seja limitado. Os padrões emergentes parecem reforçar, principalmente, as tendências existentes, como o aumento da procura de produtos locais, cadeias de abastecimento curtas e vendas online de alimentos.

Neste contexto, a situação, em 2020, continua a ser relativamente positiva, com uma recuperação dos preços dos lacticínios e da carne, um crescimento da recolha de leite e uma balança comercial positiva na carne. Além disso, estima-se o aumento na produção de oleaginosas e as exportações de azeite da União Europeia alcançarão um novo recorde.

As exceções são os cereais, em particular o trigo, e o açúcar, que se ressentiram das condições meteorológicas e fitossanitárias adversas. Concretamente, na campanha de 2020/2021, devido às condições de seca durante o verão, que influenciaram negativamente o desenvolvimento das plantas, espera-se que a produção total de cereais na União Europeia alcance os 274,3 milhões de toneladas, 7% menos que na temporada anterior.

Novo recorde nas exportações de azeite
As exportações de azeite irão atingir um novo recorde, em torno das 820 mil toneladas. Na União Europeia, um aumento da produção em Itália e na Grécia e a colheita recorde em Portugal, acompanhadas de fortes vendas no retalho, deverão suportar o crescimento do consumo geral em 3% e contribuir para a redução de 17% nos stocks.

Além disso, estima-se que a produção total de azeite da União Europeia para 2020/2021 aumentará para mais de dois milhões de toneladas, mais 17% em comparação com 2019/2020.

Quanto ao sector das frutas e legumes, a produção de maçãs na União Europeia deverá ficar 2% abaixo da média dos últimos cinco anos, nos 11,5 milhões de toneladas. O mercado da maçã parece estar bem equilibrado, com os stocks de 2019/2020 quase liquidados. O consumo de maçãs frescas na União Europeia reduzirá para 14,7 quilogramas per capita, numa descida de 8% face a 2019/2020, quando alcançou níveis recorde.

Já a produção de laranjas está estimada em 6,2 milhões de toneladas, 5% abaixo do ano anterior. O consumo geral está a diminuir, sendo 2% inferior. Não obstante, o consumo de laranjas frescas está a aumentar em detrimento das processadas. Em 2020/2021, prevê-se que a produção aumente e alcance os 6,55 milhões de toneladas.

Aumento da produção de leite
A recolha total de leite na União Europeia deverá crescer 1,4%, em 2020, devido ao aumento da produção e às condições favoráveis dos pastos até julho.

Em 2021, a produção de leite poderá crescer 0,8%. Após o início do surto de Covid-19, espera-se que as vendas diretas continuem a crescer, com a maior procura por produtos locais e cadeias de abastecimento curtas.

Já o consumo de queijo está a ser afetado negativamente pelo encerramento do “food service”, o que poderá resultar numa ligeira descida de 0,2% em 2020. Ainda assim, espera-se que as exportações da União Europeia cresçam 5%, com uma procura global positiva, o que resultará num aumento de 0,7% da produção. Novos ajustes no serviço alimentar e no comércio retalhista deverão ajudar a que o consumo cresça 0,5% em 2021.

Diminuição na produção de carne
A produção de carne de vaca na União Europeia diminuiu, pela primeira vez, em 2,4%, no primeiro semestre, devido às medidas de bloqueio da Covid-19 e à menor procura no “food service”. A procura tem vindo a procurar, com a reabertura dos restaurantes e a recuperação do turismo, o que leva a uma diminuição geral estimada de 1,4%.

Em 2021, é antecipada uma nova diminuição, em torno dos 1,5%, devido à redução das manadas em alguns países da União Europeia. Também se prevê que o consumo diminuía 2,1%, para 10,4 quilogramas per capita.

Quanto à carne de porco, se bem que a produção reduziu no primeiro semestre, os preços favoráveis, a recuperação da procura por parte do consumidor e os investimentos recentes contribuíram para um aumento da produção nos últimos meses. Não obstante, a recente descoberta da peste suína africana na Alemanha, que provocou a proibição das exportações, irá afetar o mercado de carne de porco alemão e, consequentemente, o europeu. Prevê-se que a produção diminua em 2020 e 2021, respetivamente, 0,5% e 1% e que o consumo reduza 1,1%, para 32,8 quilogramas per capita, em 2020.

Já a produção de aves de capoeira deverá aumentar 1% este ano, apoiada por uma mudança na procura durante o confinamento. A reabertura do “food service” e a forte demanda ao nível do retalho contribuíram ainda mais para este crescimento. Para 2021, é esperado um ligeiro crescimento, em torno de 1%. O consumo também deverá aumentar, em 2020, 1,5%, para os 23,7 quilogramas per capita.

FONTE: Revista Grande Consumo

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