Indústria Alimentar: o caminho da digitalização

07 setembro 2020

A digitalização veio para ficar, é um evento sem retorno e como tal, as indústrias e as organizações têm, neste novo aliado, motivos para serem mais eficientes, sustentáveis e inovadoras. Apenas têm de se adaptar aos tempos atuais e ao seu contexto!

No contexto da Indústria Alimentar, as organizações para se adaptarem necessitam de investir, e, atualmente, as tecnologias digitais chave passam pela: Robótica, Serviços móveis, Tecnologia Cloud, Internet-of-Things, Cibersegurança, Big Data e Analítica avançada, Impressão 3D, Inteligência Artificial e Social Media.

Os consumidores, também eles cada vez mais nativos digitais, ditam tendências e as indústrias adaptam-se, quer na forma como comunicam e desenham as suas estratégias de marketing, no modo como comercializam os produtos, no aumento e disponibilização de marcas brancas, na apresentação de novas embalagens, na distribuição dos produtos, na presença local ou online.

As exigências impostas, na Indústria Alimentar, num mundo global, digital e cada vez mais conectado são vastas. Por um lado, é determinante estar atento e atender as necessidades e características dos vários tipos de consumidores (Baby boomers, geração X, geração Y ou Millennials, geração Z ou Centennials), por outro tem de se dar a devida importância aos desafios internos das organizações tais como:

* Minimização do desperdício;
* Redução de custos;
* Minimização de riscos;
* Aceleração dos processos de conformidade legal ou normativa;
* Rápida adaptação ao mercado.

Estes desafios, que a Indústria Alimentar enfrenta, têm sido endereçados pelas organizações através de políticas de redução de custos operacionais e de produto, políticas de crescimento para novos mercados, segmentos ou locais geográficos e numa melhoria da performance operacional.

Se, por um lado, é necessário recorrer a políticas de redução de custos, por outro, é necessário efetuar investimentos. No entanto, é claro que a decisão em investir na digitalização melhora as operações e as vendas e aumenta a eficiência nos custos e na produtividade – estudo da IDC.

Ao fazer face a estes desafios, internos e externos, as organizações tornam-se mais competitivas, adaptando-se e transformando-se a três níveis: Tecnologia, Processos e Pessoas. Ou seja, criando uma verdadeira estratégia de Transformação Digital.

O processo de digitalização permite não só otimizar processos e responder aos desafios internos das organizações, mas também oferecer experiências novas aos seus clientes. Desta forma, desenvolve-se a oportunidade de criar jornadas e experiências do cliente inovadoras que possam ir de encontro com as suas necessidades, criando assim, relações duradouras e sustentáveis.

Esta é a grande diferença entre organizações líderes digitais, modernas e progressistas e aquelas que são convencionais e acomodadas ao “business as usual” do dia-a-dia. Logo, para ser uma empresa sustentável e Líder Digital é necessário cumprir no mínimo quatro pontos:

* Alinhar as iniciativas digitais com a estratégia corporativa;
* Criar uma cultura digital que seja rápida e ágil;
* Criar sinergias entre pessoas, processos e tecnologia;
* Encontrar e desenvolver as oportunidades proporcionadas pela cultura da digitalização.

A não execução de uma transformação digital pode acarretar com alguns dos seguintes custos:

* Afastamento de processos e de ofertas tecnológicas inovadoras, leva à possibilidade das organizações perderem a relevância no mercado;
* Incapacidade de aceder e/ou recolher dados em tempo real e executar uma analítica avançada para melhorar processos, que permita criar ofertas de valor adequadas ao consumidor final;
* Organizações que não evoluem e se adaptam no espaço e no tempo, por norma, perdem quota de mercado;
* Dificuldade em reter colaboradores nos seus quadros, uma vez que as novas gerações de trabalho são totalmente digitais e gostam de trabalhar em ambientes inovadores;
* Perder a capacidade de escalar a venda através do “mundo” digital e comercializar os produtos a nível global;
* Diminuição de produtividade fruto de falta de ferramentas colaborativas e de uma gestão adequada a novos processos e pessoas.

Sendo a velocidade de adaptação e transformação dois fatores de competitividade e diferenciação na Indústria Alimentar, torna-se em vantagem competitiva se as organizações que se transformam digitalmente invistam em:

1- Ferramentas e sistemas que tenham capacidade de armazenamento, acesso e processamento a dados;
2- Sistemas com a capacidade de escalar o armazenamento e o processamento;
3- Aplicações que possam efetuar processamento e analise massiva de dados, que utilizem inteligência artificial e analítica avançada;
4- Ferramentas capazes de criar previsões e gerir processos de negócio;
5- Aplicações que possam ser parametrizadas e facilmente adaptadas consoante as necessidades do utilizador.

Neste sistema, o ERP será um instrumento fundamental na gestão dos processos empresariais e na criação de transparência na cadeia de abastecimento, garantindo controlo total da qualidade e rastreabilidade alimentar.

Tendo em conta as tendências globais, as tecnologias disponíveis no mercado, a complexidade dos modelos de negócio e os custos inerentes por não nos adaptarmos, podemos dizer, que a transformação digital, não é uma opção, é uma condição mandatória, e com o tempo iremos assistir a uma separação natural entre as empresas de sucesso e futuro que investiram na digitalização e aquelas que não o fizeram e escolheram como destino sobreviver e inevitavelmente fracassar.

FONTE: Jornal Económico

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