Portos nacionais movimentaram 85 milhões de toneladas em 2019

07 setembro 2020

O último relatório divulgado pelo regulador AMT – Autoridade da Mobilidade e dos Transportes, referente ao ano passado, a que o Jornal Económico teve acesso, inclui já os dados dos portos da Regiões Autónomas dos Açores e da Madeira.

Os portos nacionais, incluindo os das Regiões Autónomas dos Açores e da Madeira, movimentaram mais de 85 milhões de toneladas de mercadorias em 2019, um decréscimo de 5,6% face a 2018.

De acordo com o relatório ‘Tráfego Marítimo de Mercadorias no Contexto da Intermodalidade’, da autoria da AMT – Autoridade da Mobilidade e dos Transportes, a que o Jornal Económico teve acesso, “deste valor, 81,9 milhões de toneladas foram registadas no Continente, o correspondente a 96%, 1,2 milhões de toneladas na Região Autónoma da Madeira e 2,2 milhões de toneladas na Região Autónoma dos Açores”.

“Enquanto regulador eco­nómico independente, a Autoridade da Mobilidade e dos Transportes elabora anualmente um relatório sobre o ‘Tráfego Marítimo de Mercadorias no Contexto da Intermodalidade’, com o objetivo de aprofundar o conhecimento do ecossistema que constitui o objeto da sua atividade, traçando o retrato do ano e mencionando quais as tendências e os desafios do comércio internacional”, explica a instituição liderada por João Carvalho.

A AMT acrescenta que neste relatório, correspondente ao ano de 2019, “é feito um retrato atualizado do ecossistema marítimo-portuário, contextualizado pela caracterização dos fluxos de mercadorias movimentadas nos vários modos de transporte, no âmbito do comércio internacional”.

“Segundo os dados apurados pela AMT, de acordo com a informação disponibilizada pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), a PORDATA e os operadores ferroviários, nos diversos modos e para os diversos tipos e natureza, no ano de 2019 foram movimentadas, pelos diversos modos de transporte (nomeadamente marítimo, rodoviário, ferroviário e aéreo), cerca de 243,9 milhões de toneladas de mercadorias, um valor inferior em 3,4% ao volume registado no ano anterior, tendo o tráfego nacional sido responsável por 60,4%, correspondente a 147,3 milhões de toneladas, 90,8% das quais foram processadas por modo rodoviário”, assinala o referido documento.

A AMT adianta ainda que “a grande maioria do transporte de mercadorias realizada por modo ferroviário realiza-se também a nível nacional, tendo-se situado no ano em análise na casa dos 79,2%, após uma quebra de 13,2% face ao volume apurado em 2018”.

“No mercado internacional, o modo preferencial de transporte de mercadorias é, naturalmente, o marítimo, que registou em 2019 um volume de 72,7 milhões de toneladas, correspondente a uma quota de 75,2%. Ainda neste mercado, o modo rodoviário representou uma quota de 22,6%, muito por efeito das trocas comerciais com a Espanha. O modo aéreo registou no tráfego internacional 87,2%, refletindo um acréscimo de 11,7%”, revela o relatório da AMT.

O órgão regulador do setor dos transportes acentua que, “no comércio internacional efetuado em 2019, independentemente do modo de transporte utilizado (que inclui, nomeadamente, ‘instalações de transportes fixas’ e ‘propulsão própria’), o tráfego de importação, que representou globalmente 61,5% do peso das mercadorias transportadas e 57,3% do seu valor, foi maioritariamente realizado em modo marítimo, que representou uma quota de 60,9% (-0,4% face ao ano de 2018) na dimensão peso e de 26,1% na dimensão valor”.

“Já o transporte rodoviário, na dimensão valor, representou uma quota de 58,2% (mais 0,6% face a 2018), sendo de 31,8% em peso. Os modos ferroviário e aéreo detêm quotas residuais respetivas de 1% e de 0,1% da tonelagem transportada e de 0,6% e de 3,5%, cabendo aos outros modos ou a modos não discriminados, quotas de 6,2% e de 11,7%”, explica a AMT.

A instituição presidida por João Carvalho refere que, “no tocante às exportações, o modo marítimo foi responsável por 49,5% do peso das mercadorias transportadas e 30,1% do respetivo valor, tendo cabido ao rodoviário respetivamente quotas de 42% e de 59,2%”.

“Considerando apenas o tráfego efetuado no ecossistema portuário do Continente, assinala-se um movimento total de 81,9 milhões de toneladas de mercadorias, valor inferior em 5,8% ao registado em 2018 e correspondente a quase menos 5,1 milhões de toneladas. Este desempenho global é muito influenciado pelo comportamento do porto de Sines, que regista uma diminuição de 5,4 milhões de toneladas (menos 12,2%), a que acresce a quebra de 253 mil toneladas da responsabilidade acumulada de Aveiro, Figueira da Foz, Faro e Portimão, anulando as variações positivas dos restantes portos, com destaque para Leixões e Setúbal, com acréscimos respetivos de 278,3 e 200,8 mil toneladas, a que se somam ainda Lisboa e Viana do Castelo, com mais 121,3 mil toneladas, no conjunto”, resume a AMT.

O documento em análise informa ainda que, “em termos de quotas globais, o porto de Sines mantém a quota mais expressiva com 47,5% do total, tendo, no entanto, perdido a maioria absoluta ao recuar 3,5 pontos percentuais, face à que detinha em 2018”.

“Leixões aumentou a sua quota em 1,6 pontos percentuais para 21,9%, sendo que Lisboa e Setúbal subiram 0,8 e 0,7 pontos percentuais, para 12,8% e 8,2%, respetivamente”, assegura a AMT.

O órgão regulador divulga também que “o transporte marítimo de mercadorias movimentadas nos portos do Continente em 2019, à exceção dos portos de Lisboa e de Setúbal que não disponibilizam esta informação, foi asse­gurado por operadores de cerca de 60 nacionalidades distintas, sendo que no tráfego inter­nacional o maior volume foi afeto à Suíça, com uma quota de 25,2%, seguindo-se a Dinamarca, os Países Baixos e a Alemanha com 7,6%, 7,1% e 7%, respetivamente”.

“No tráfego nacional, Portugal mantém a primeir posição como país de registo preferencial dos ope­radores deste tráfego, com 77,6% (embora o volume de mercadorias transportadas tenha recuado 3%), seguindo-se a Alemanha, com 5,7%, a Suíça, com 4,2%, e os Países Baixos, com 3,1%”, adianta o documento em apreço.

A AMT destaca ainda que “a Libéria é o país de registo de navios com maior movimentação em termos de tráfego internacional, responsável por 13,9% do total, seguindo-se o Panamá (que em 2018 ocupava a primeira posição) a representar 13,3% da tonelagem transportada”.

“Neste capítulo, Portugal mantém-se na quinta posição, embora tenha recuado 0,8 pontos percentuais, representando agora 6,3%”, acrescenta a AMT.

Em relação ao volume de contentores movimentados, “atingiu em 2019 um total de 2 662 700 TEU [medida padrão equivalente a contentores com 20 pés de comprimento], volume inferior em 9,3% ao registado no ano anterior”.

“Esta variação negativa resulta exclusivamente do comportamento do porto de Sines que regista uma diminuição de 332.231 TEU, a que corresponde um recuo de 18,7%, anulando as variações positivas apuradas nos restantes portos com atividade regular de contentores”, justifica o documento do órgão regulador do setor dos transportes em Portugal.

O mesmo relatório ‘Tráfego Marítimo de Mercadorias no Contexto da Intermodalidade, e considerando a tipologia definida na Diretiva Marítima, avança que “o movimento de navios em 2019 foi caraterizado por um total de 10.452 escalas e uma arqueação bruta (GT) de cerca 204,5 milhões, traduzindo, face a 2018, um acréscimo de 1,2% e um decréscimo de 0,5%, respetivamente”.

“O maior número de escalas foi observado no conjunto dos portos de Douro e Leixões, com 24,4%, mais três escalas do que as registadas em Lisboa (também 24,4%), tendo Sines registado 20,2%, Setúbal 14% e Aveiro 10%”, revela a AMT.

O presente relatório, agora divulgado pela Autoridade da Mobilidade e dos Transportes, tem por base as estatísticas produzidas pelas administrações portuárias com jurisdição dos portos comerciais marítimos do Continente, no âmbito da Diretiva 95/64/CE do Conselho da União Europeia (vulgo ‘Diretiva Marítima’), definida pelo Eurostat, bem como a informação disponibilizada pelo INE em sede do Comércio Internacional de Bens e de Transportes e Comunicações, e ainda da Comissão Técnica do Registo Internacional de Navios da Madeira (MAR).

FONTE: Jornal Económico

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