Cadeias de retalho preparadas para combater fraude alimentar

18 agosto 2020

A Auchan introduziu uma tecnologia de blockchain para os consumidores seguirem o percurso dos seus produtos. Inúmeras notícias têm surgido sobre casos de fraude alimentar. Mas as cadeias de retalho a operar em Portugal garantem ter sistemas de controlo adequados para dar reposta a este problemaa

A Auchan Retail Portugal colocou recentemente à disposição a tecnologia blockchain para os clientes terem acesso a todo percurso de um artigo. Produtos como alface, melão e a melancia têm um QR Code nas etiquetas, o que permite ao consumidor conhecer as várias fases do produto, desde a produção, manipulação, embalamento até chegada ao consumidor. Esta é a iniciativa mais recente da cadeia de retalho no âmbito da segurança alimentar. Mas, como é óbvio, a Auchan não é a única cadeia de retalho a dar atenção a este tema. O Lidl, por exemplo, tem vindo a dar atenção à certificação de produtos e produtores.

“O consumidor de hoje é, sem dúvida, mais exigente e quer saber a origem dos produtos que está a comprar. Conscientes desta realidade, colocámos recentemente em todas as nossas lojas os primeiros produtos alimentares em Portugal com recurso à tecnologia blockchain”, refere João Barbosa, diretor de qualidade na Auchan Retail Portugal.

Defendendo que a tecnologia blockchain tem a vantagem de mobilizar todos os atores da cadeia de valor numa mesma plataforma, o responsável da insígnia de retalho defende que esta “aporta grande valor em matéria de segurança alimentar”. “Através de um código QR colocado na etiqueta do produto, o consumidor fica a conhecer, de forma rápida e intuitiva, todas as etapas de vida do alimento, desde o seu processo de produção, manipulação, transformação, embalagem e expedição”, explica João Barbosa.

Esta tecnologia começou a ser colocada em alfaces, melões e melancias Vida Auchan. Mas os planos passam por que seja aplicada, em breve, a mais produtos da fileira de produção controlada, estando previsto que, no final de 2022, toda a fileira integre a tecnologia.

Sendo um tema cada vez mais relevante para os consumidores, o Lidl também tem vindo a apostar no controlo de qualidade dos produtos vendidos nas suas lojas. A sustentabilidade da cadeia de fornecimento, a aposta nas certificações e a preocupação em cumprir em lei em matéria de rotulagem dos produtos são as garantias que a cadeia de retalho alemã dá aos seus clientes. “O Lidl procura responder às necessidades alimentares cada vez mais exigentes dos seus clientes, indo ao encontro das suas preocupações e restrições alimentares”, afirma Pedro Franco, diretor de qualidade do Lidl Portugal.

Uma das garantias dadas pelo Lidl é a certificação dos artigos e dos fornecedores. Esta permite “o bem-estar e o respeito pelo ser humano e pela natureza”, afirma o responsável. “Privilegiamos uma escolha de artigos nacionais como garantia de qualidade e que, pela proximidade, garantem uma relação mais próxima e de confiança com os fornecedores” acrescenta.

No caso das frutas e legumes, Pedro Franco realça o sistema exclusivo de distribuição e reposição diária em todas as lojas nacionais do Lidl. “Uma política de compras que privilegia sempre que possível os produtos da época, um rigoroso controlo de qualidade, que vai além do que é exigido por lei e aposta nas certificações, com 100% dos fornecedores certificados em Global G.A.P, e o apoio de um gestor de frescos em cada loja”, adianta. Ainda na categoria de frutas e legumes, o Lidl está a apontar bateria para artigos IGP – Indicação Geográfica Protegida, “referência de uma elevada qualidade e certificado de origem, como é o caso das nossas laranjas do Algarve e da Maçã de Alcobaça”, acrescenta o diretor de qualidade do Lidl.

Já na categoria de carne, que toda ela é nacional, a cadeia de distribuição alimentar alemã está a assegurar que os produtos cumprem a legislação em matéria de segurança alimentar, higiene, gestão de riscos e controlo de qualidades. Os rótulos contêm todas as informações relativas à origem, criação e abate do animal, a que parte do corpo corresponde e a validade de consumo, destacando-se a sua visibilidade e a sua fácil leitura e compreensão, garantindo que a carne é consumida em ótimas condições e é feita uma compra informada”, sublinha o responsável. “A diferença da carne Lidl, que assegura a sua qualidade superior, está ainda na garantia da sua proteção desde o início, em atmosfera controlada, com menos exposição, menos manuseamento e menos riscos de contaminação”, acrescenta.

Casos de fraude aumentam a nível internacional
As notícias sobre casos de fraude alimentar sucedem-se. Ainda na última semana de julho, foi noticiada a apreensão de 12 mil toneladas de alimentos para animais, bebidas alcoólicas, cereais, grãos e produtos derivados, café, chá, depois de desencadeada a operação internacional OPSON contra a fraude alimentar. “As notícias sobre fraude alimentar têm-se sucedido ao longo dos últimos anos, muito devido à maior preocupação que empresas e Estados têm dedicado ao tema”, considera Pedro Franco. Na sua opinião, trata-se de uma questão complexa, na medida em que “mina a credibilidade das relações entre a indústria, o retalho e os consumidores”. Este “facto que tem justificado a preocupação dedicada ao tema por parte dos vários intervenientes na cadeia de valor”, assinala. Citando dados da Comissão Europeia, o responsável lembra que tem havido um “aumento consistente do número de fraudes reportadas”. “No entanto, no caso particular do Lidl, não temos verificado um aumento destes casos”, garante.

A Auchan, através dos seus mecanismos de controlo de prevenção, não tem detetado casos relacionado com a fraude alimentar. “Não significa que a nossa preocupação sobre o tema não se mantenha e mesmo se reforce, uma vez que com a globalização e as crises que ocorrem um pouco por todo o mundo, e mesmo a que ainda vivemos, podem estar criadas as condições para ocorrerem situações no âmbito das fraudes”, refere João Barbosa.

As análises realizadas pela insígnia, nos planos de controlo e rotina, rondam as dez mil anualmente. “Cerca de 25% são exclusivamente de produtos das nossas marcas e parcerias, sendo que nestas temos uma grande incidência de analises de genuinidade: DNA, físico-químicas e organolépticas, nomeadamente nos azeites virgens e virgens extra, onde os painéis profissionais, em laboratórios acreditados pelo COI – Conseil Oleicole International ou IOC International Olive Council”, especifica o diretor de qualidade na Auchan Retail Portugal.

João Barbosa afirma que os resultados das monitorizações são, em geral, satisfatórios, acrescentado ainda que em relação aos produtos das marcas Auchan ou parcerias existem mais metodologias de natureza preventiva. E exemplifica: “exigências contratuais, cadernos de encargos, planos de controlo, existência e atualização de certificados, auditorias de vários tipos com as quais podemos diretamente ou indiretamente detetar sinais que permitem prever atitudes fraudulentas, mantendo uma forte vigilância regulamentar e técnica”. “Em caso de não conformidades, há uma atuação rápida, mesmo que a gravidade não seja significativa, mas que induz nos parceiros um tipo de atitude mais colaborativa no sentido da prevenção das não conformidades, nomeadamente das graves, onde a fraude se situa”, salienta.

O Lidl, ao longo dos anos, tem vindo a implementar “diversos instrumentos técnicos e científicos, com vista ao robustecimento contínuo do sistema de controlo de fraudes”. Há, assim, inúmeros instrumentos de controlo na cadeia de distribuição. O diretor de qualidade do Lidl dá como exemplos os critérios de controlo que estão subjacentes à seleção e aprovação de fornecedores, entre os quais destaca a certificação obrigatória nos referenciais IFS e/ou BRC, bem como auditorias de segunda parte, pré-auditorias e auditorias regulares a fornecedores, realizadas por auditores certificados. Ainda realça a verificação de documentação técnica, designadamente, autenticidade de selos, etiquetas, certificações e respetivos certificados. “Igualmente crucial, a realização, em laboratórios certificados, de centenas de análises anuais com vista à determinação fidedigna do ADN de espécies vegetais e animais, sobretudo pelas técnicas Next-Generation Sequencing e Polymerase Chain Reaction, análises químicas com vista à confirmação da certificação de práticas de cultivo”, ilustra.

Os casos de más práticas, no caso de Lidl, são residuais. “Os resultados obtidos têm permitido consolidar a confiança não só nos nossos artigos e nas alegações que ostentam, mas também nos nossos parceiros”, adianta. Além disso, os casos detetados são de natureza não intencional, envolvendo um volume afetado reduzido. “Dentro do crivo da fraude alimentar caem uma série de situações que, por descuido ou distração podem ocorrer, pese embora a crescente exigência dos sistemas de gestão de qualidade dos produtores, da indústria, do retalho e das autoridades de inspeção”, conclui.

FONTE: Revista Hipersuper

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