Confiança dos portugueses foi a mais penalizada da UE

20 julho 2020

Estudo da CE sobre os 27 países da União mostra que medidas de Costa foram as que mais arrasaram a confiança. No extremo oposto, surge a SuéciaA confiança dos consumidores portugueses foi a que mais se ressentiu em toda a União Europeia (UE) com as medidas de confinamento decretadas pelo governo de António Costa no primeiro mês completo de resposta à pandemia (abril), mostra um novo estudo da Comissão Europeia (CE).

Ainda que o grau de dureza das medidas tomadas pelo executivo de Lisboa não tenha sido a maior da Europa (medida pelo chamado índice de confinamento/stringency, calculado pela Universidade de Oxford e citado pela Comissão), a verdade é que essas decisões para limitar ou mesmo encerrar grandes partes da economia e de restringir a circulação de pessoas (por exemplo, estrangeiros, o que arrasou logo com o turismo) provocaram danos profundos na atividade.

Ainda que o grau de dureza das medidas tomadas pelo executivo de Lisboa não tenha sido a maior da Europa (medida pelo chamado índice de confinamento/stringency, calculado pela Universidade de Oxford e citado pela Comissão), a verdade é que essas decisões para limitar ou mesmo encerrar grandes partes da economia e de restringir a circulação de pessoas (por exemplo, estrangeiros, o que arrasou logo com o turismo) provocaram danos profundos na atividade.

A confiança das famílias nacionais colapsou, basicamente (ver gráfico em baixo, PT=Portugal). O consumo privado costuma valer cerca de dois terços da economia como um todo.

No turismo, um dos setores que mais estava a puxar pela economia e pelo emprego, a atividade foi simplesmente interrompida, como refere o Instituto Nacional de Estatística (INE).

De acordo com o estudo da CE que analisa os ciclos de conjuntura até ao segundo trimestre, em abril (mês em que foi tomada a maioria das medidas de contenção), o sentimento dos consumidores portugueses medido pelos serviços da Comissão Europeia sofreu uma redução de quase 30 pontos face ao nível de fevereiro, ou seja, face ao nível pré-pandemia e antes das medidas de fecho da economia e aos controlos de circulação de pessoas.

Como referido, trata-se da maior quebra entre os 27 países da União. Numa escala de zero a 100, o índice de confinamento de Portugal foi na ordem dos 83% (portanto, um confinamento bastante elevado, mas não o mais elevado).

Os consumidores do Chipre (CY) foram os segundos que mais se ressentiram (nível de confiança), mas, segundo a CE, o índice de confinamento cipriota até foi claramente superior ao português, rondou os 93% em abril.

Os gregos também ficaram bastante assustados: o índice de confinamento da Grécia (EL) foi ligeiramente superior ao de Portugal (cerca de 94%) e a confiança dos seus consumidores quebrou 27 pontos entre fevereiro e abril.

Croácia confinou muito, Suécia menos
O país com maior grau de confinamento foi a Croácia (HR), com 96%, mas os consumidores parecem ter aguentado ou encaixado um pouco melhor o embate (recuo de 23 pontos no índice de confiança).

O Chipre regista o segundo maior nível de confinamento da Europa e em terceiro surge França (FR), com 91% de encerramento da economia e da circulação. No entanto, França é um dos países em que a confiança menos caiu (menos 11 pontos face a fevereiro).

Segundo este novo estudo da Comissão, no extremo oposto das políticas de confinamento surgem dois países escandinavos. O governo da Suécia (SE) foi o mais brando no encerramento do país, registando um nível de confinamento de apenas 42%, quase metade do de Portugal. As famílias suecas assustaram-se menos, claro: o indicador de confiança caiu apenas 5 pontos. Ou seja, o impacto do confinamento em Portugal foi seis vezes mais violento.

A Finlândia (FI) aparece em segundo lugar na lista dos países que menos confinaram. O índice medido pela Universidade de Oxford é de 59%. A quebra na confiança também foi curta: menos 8 pontos, apenas.

Maior o confinamento, menor a confiança
Os economistas da Comissão concluem, sem surpresa que, há uma relação claramente negativa entre confinamento e confiança das famílias. Quanto maiores as restrições, mais os consumidores ficam assustados.

“A gravidade do coronavírus em número de pessoas infetadas e hospitalizadas, bem como em número total de mortes varia significativamente nos Estados-Membros da UE. O mesmo acontece com a severidade das medidas de confinamento adotadas pelos governos para conter a pandemia e os esquemas de apoio económico decretados para atenuar as consequências económicas.”

Segundo os técnicos da CE, “existe uma relação negativa entre o índice de confinamento [stringency] e a variação da confiança dos consumidores: quanto mais rigorosas são as medidas de confinamento, mais pessimistas ficam” as pessoas.

A Comissão Europeia deteta um impacto especialmente agudo ao nível das condições orçamentais das famílias. Há “uma forte correlação negativa com as expectativas dos consumidores, principalmente com as expectativas em relação à sua situação financeira”.

Em contrapartida, tendo em conta a dimensão do choque provocado pelas medidas de confinamento, os consumidores acabam por melhorar a sua avaliação sobre sua situação financeira passada.

Da mesma forma, quanto maior foi o grau de confinamento, “menos oportunidades as pessoas tiveram de gastar o seu dinheiro em serviços (como restaurantes, cafés, etc.) e no comércio não essencial”. Assim, “é provável que países com medidas de bloqueio particularmente rígidas tenham visto as melhorias mais significativas nos balanços das famílias devido a esse efeito de redução de consumo”.

Medo faz aumentar poupança
O Banco de Portugal já tinha feito esse reparo em relação à economia portuguesa, tendo concluído que, embora o rendimento disponível tenha caído, a poupança aumentou, sobretudo por motivos de receio e precaução.

“No curto prazo, os constran“No curto prazo, os constrangimentos gerados pelas medidas de contenção – em particular, o encerramento do comércio a retalho não essencial e o confinamento geral – são preponderantes, levando a um aumento forçado da taxa de poupança”, refere o banco central.

“Este efeito é reforçado pela maior incerteza, induzindo um aumento da poupança por motivos de precaução, que deverá perdurar no médio prazo. Projeta-se um aumento significativo da taxa de poupança em 2020, para um nível ligeiramente superior ao atingido durante a crise financeira de 2009.” Segundo o BdP, em média, as famílias portuguesas devem conseguir poupar cerca de 12% do seu rendimento disponível.

Só para se ter uma base de comparação, 12% é mais do dobro do que foi a taxa de poupança média dos últimos seis anos. Entre 2014 e 2019, essa taxa esteve colada a 5% do rendimento disponível, mostra o BdP.

O Banco refere ainda que “em termos intra-anuais, deverá ser atingido um máximo da taxa de poupança no segundo trimestre de 2020 para valores não observados desde o início dos anos 90”, mas depois deste pico na taxa de poupança “deverá seguir-se uma reversão gradual e parcial” até ao final de 2022. Isto, claro, num cenário base, em que não há uma segunda vaga de covid-19.

A Comissão Europeia também aponta para “outro lado desse efeito positivo do confinamento em termos de impacto na confiança das famílias”.

“A perda total ou parcial de rendimentos devido aos bloqueios (por causa do aumento do desemprego, queda no número de horas trabalhadas, perda de receita para os empresários) foi consideravelmente amortecida pelos vários esquemas de apoio dos governos”.

Em Portugal, o regime de lay-off simplificado foi, de longe, a medida que mais aguentou as empresas e preservou (por enquanto) os postos de trabalho.

Recessão histórica
Mesmo assim, a destruição vai ser grande e deve assumir proporções históricas.

A recessão deste ano em Portugal vai ser mais violenta do que na Grande Depressão, que começou com um enorme colapso da economia logo em 1928 e se propagou em 1929 com a derrocada das bolsas dos EUA e com níveis de desemprego explosivos em vários países do mundo industrializado.

Os dados para a recessão em Portugal (relativos a 2020, o ano do novo colapso) vêm das novas projeções intercalares avançadas este mês pela Comissão Europeia (CE). Para Bruxelas, a economia portuguesa vai afundar 9,8% este ano (ou mais já que os riscos são excecionalmente negativos e incertos), valor que supera a contração de 9,7% em 1928 (que marca o ponto de partida da Grande Depressão).

Mesmo com medidas de proteção ao emprego, o desemprego também está a subir rapidamente, o recurso ao lay-off convencional previsto no Código do Trabalho disparou assim como o número de trabalhadores visados em processos de despedimento coletivo.

83%
Grau de confinamento de Portugal O confinamento da economia foi bastante elevado em Portugal, mas menos que em França ou Chipre.

9,8%
Recessão brutal em 2020 Em 2020, Portugal deve registar uma recessão maior que a de 1928, avisa a Comissão Europeia

11,6%
Desemprego de 2 dígitos A taxa de desemprego voltou a subir em flecha. Governo prevê 9,6%, mas OCDE já fala em 11,6%

FONTE: Dinheiro Vivo

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