Covid-19 faz défice das contas externas piorar

23 junho 2020

A pandemia da covid-19 fez com que o défice das contas externas piorasse mais de quatro vezes, para 864 milhões de euros. Turismo penalizou balança de serviços em mais de mil milhões de euros

O saldo conjunto das balanças corrente e de capital registou um défice de 864 milhões de euros até abril, incluindo um mês e meio de covid-19 no país, um valor mais de quatro vezes superior ao saldo negativo de 201 milhões registado no mesmo período de 2019.

Segundo divulgou o Banco de Portugal nesta segunda-feira, 22 de junho, o défice das contas externas portuguesas aumentou 663 milhões de euros até abril face ao período homólogo, uma subida superior a 300%.

Os dados do BdP mostram que as contas externas estavam este ano praticamente em linha com os valores do ano passado, mas que a partir de março afastaram-se de forma expressiva.

Até abril deste ano, a balança corrente registou um défice de -1.579 milhões de euros, praticamente três vezes superior ao saldo negativo registado no mesmo período do ano passado. Já a balança de capital teve um excedente de 714 milhões de euros - superior ao saldo positivo de 386 milhões registado até abril de 2019 - o que acabou por atenuar o impacto da balança corrente no saldo das contas externas.

Em específico, os défices das balanças de bens e de rendimento primário apenas foram parcialmente compensados pelos excedentes das balanças de serviços, de rendimento secundário e de capital, descreve o BdP.

Turismo explica quebra superior a mil milhões de euros
Nos primeiros quatro meses do ano, o défice da balança de bens diminuiu 379 milhões de euros face ao período homólogo e o excedente da balança de serviços caiu 1.371 milhões de euros.

Desta redução, 1.057 milhões de euros resultaram da rubrica viagens e turismo, devido à quebra verificada em abril, durante a paralisação causada em resposta à pandemia da covid-19. "Neste mês, verificou-se uma redução do saldo das viagens e turismo de 825 milhões de euros, em resultado de um decréscimo de 85,4% nos créditos e de 74,2% nos débitos relativamente ao período homólogo", afirma o banco central, em comunicado.

Nos primeiros quatro meses de abril, escreve o BdP, as exportações de bens e serviços decresceram 15% e as importações diminuíram 11,2% (10,8% nos bens e de 13,0% nos serviços). O resultado foi muito influenciado pelo mês de abril, com as exportações e as importações de bens e serviços a registarem decréscimos homólogos muito acentuados: 46,5% nas exportações e 38,3% nas importações.

O défice da balança de rendimento primário aumentou 117 milhões de euros relativamente ao período homólogo, para -536 milhões de euros, devido à redução dos rendimentos de investimento recebidos de entidades não residentes.

Por seu turno, o excedente da balança de rendimento secundário aumentou 117 milhões de euros, pelas prestações sociais recebidas do exterior e da redução da contribuição financeira paga por Portugal, por comparação ao período homólogo.

O saldo da balança de capital aumentou 276 milhões de euros face ao homólogo, em resultado de um aumento dos recebimentos de fundos comunitários e de uma redução das aquisições de ativos intangíveis.

FONTE: Jornal de Negócios

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