Diversificar produtos, mercados e canais de venda para sobreviver

19 junho 2020

Muitas empresas portuguesas diversificaram os seus produtos e serviços, mercados e formas de venda para enfrentar a pandemia de Covid-19 e, na sua maioria, sem necessidade de recorrer a fundos públicos para o fazer.

Esta é uma das principais conclusões de mais um estudo incluído no projeto Sinais Vitais, que o Marketing FutureCast Lab está a desenvolver com a CIP – Confederação Empresarial de Portugal e que contou com a participação de 652 empresas de todos os sectores de atividade.

No total, e em termos de diversificação, 19% das empresas inquiridas apostaram em diversificar os seus produtos e serviços para irem ao encontro das necessidades do mercado. Isto aconteceu, sobretudo, em empresas industriais, sendo que a produção ou comercialização ligada à saúde registou um peso significativo, cifrando-se em 21% das vendas totais, com os equipamentos de proteção a serem os mais referenciados.

Fora da área da saúde, o software foi o produto em que se registaram maiores apostas. De referir, ainda, que embora a maior parte dos projetos de diversificação tenha sido de produção autónoma das empresas participantes, registou-se um peso significativo nas parcerias, tanto nos produtos de saúde como nas outras áreas.

Já a diversificação dos canais e formas de venda foi uma opção para 18% das empresas inquiridas. Graças à opção por formas de venda não habituais (vendas diretas ou take-away, por exemplo), é de salientar que 42% das empresas conseguiram alcançar acréscimos de vendas superiores a 1%, com 20% dos respondentes a afirmarem que essas subidas foram mesmo superiores a 10%.

A opção por diversificação dos mercados em que estavam presentes foi referida por apenas 9% das empresas, tendo estas apostado sobretudo na produção para novos tipos de cliente no mercado interno (4,5%) e para novos mercados de exportação (3,2%). Em qualquer dos casos, a aposta residiu maioritariamente no software e nos equipamentos de proteção.

O mesmo inquérito mostra que 44% das empresas analisadas já vendiam digitalmente e que 19% passou a vender. No total, no final de maio deste ano, 63% tinha algum tipo de venda digital, sendo que este canal apresentava um peso estimado de 23% no total. 74% das empresas inquiridas dizem que as novas formas de vender serão permanentes, mesmo depois da pandemia. “Perante as dificuldades e os obstáculos, os números mostram que as empresas portuguesas procuram ultrapassá-los e uma parte delas está a evoluir”, comenta ainda Pedro Dionísio, do Marketing FutureCast Lab do ISCTE.

Menos lay-off, mais financiamento bancário
A análise engloba ainda um barómetro que mostra como está a mudar o funcionamento das empresas. Na semana de 1 de junho, 78% considerava que os programa de apoio estão aquém (ou muito aquém) do que necessitam. Ainda assim, nota-se uma diminuição ligeria das perceções mais negativas face à semana anterior.

Quanto ao financiamento bancário, 47% diz já ter recebido, o que representa um salto de 8% em relação à semana de 25 de maio. Verifica-se ainda que 42% já pediu financiamento, 14% não pediu, mas pensa vir a pedir e 44% não pediu nem pensa vir a pedir.

Em termos de lay-off simplificado, o número de empresas a recorrer a este mecanismo tem vindo a reduzir de semana para semana: a 1 de junho, cerca de 24% da amostra encontrava-se em lay-off simplificado, quando a 4 de maio, era 48%.

FONTE: Revista Grande Consumo

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