Eficiência evitou rutura de ‘stocks’ nas grandes superfícies

01 junho 2020

A rapidez na adaptação a uma nova realidade e a utilização de tecnologias permitiu às cadeias retalhistas manter o abastecimento sobre rodas. Apps e MB Way destacaram-se nas compras online.

A pandemia de Covid-19 trouxe mudanças e aprendizagens para numerosos setores, entre os quais o da logística e dos transportes. Com a ajuda das novas tecnologias, estes dois setores conseguiram garantir o abastecimento das grandes superfícies, evitando assim a rutura de stocks de alimentos.

Se no início de março, após os primeiros indícios de que o país ia fechar, se assistiu a uma corrida a alimentos como carnes e congelados, Governo e cadeias de retalho asseguraram não existir risco iminente de rutura, o que veio a confirmar-se com as prateleiras recheadas desde então.

Gonçalo Lobo Xavier, diretor-geral da Associação Portuguesa de Empresas de Distribuição (APED), considera que “a resposta das cadeias de abastecimento alimentar foi muito eficiente desde o primeiro dia”, pelo facto destas terem conseguido adaptar-se a uma “realidade desconhecida”, que apenas “potenciou o seu uso e a sua eficiência”.

Para Gonçalo Amaro, diretor de digital e e-commerce da SIBS, a distribuição alimentar revelou uma preponderância expressiva nas contas dos portugueses, “chegando a representar, na semana de 6 a 12 de abril, cerca de duas em cada três compras, ou seja, 70% do total das compras físicas na rede multibanco”.

A tecnologia tem feito pequenos milagres ao nível das tarefas que consomem mais tempo aos trabalhadores. A gestão e controlo dos stocks podem parecer complexas, mas as empresas portuguesas conseguiram adaptar-se rapidamente e não ofereceram resistência à inovação.

Paulo Barreira, sales manager da TP-Link assumiu que a situação atual veio “solidificar e criar uma segurança operacional, para a qual os portugueses não estavam despertos, embora estejam sempre preparados”.

O diretor-geral da APED sustenta que não se verificaram “mudanças significativas nas tecnologias utilizadas”, uma vez que “os retalhistas nacionais já dispunham de ferramentas bastante avançadas”.

Segundo Gonçalo Lobo Xavier verifica-se “uma necessidade de responder rapidamente a picos de procura que obrigou a alterações profundas na logística, quer do ponto de vista da gestão de RH, quer do ponto de vista de transportes e abastecimento”.

O sales manager da TP-Link refere que, inicialmente, se registaram algumas dificuldades quando as cadeias retalhistas foram confrontadas com a redimensionalidade da rede, mas que “muito prontamente se aconselharam e rapidamente fizeram upgrades, de forma a dar consistência à rede utilizada”.

Potencial do online e ‘apps’
As vendas nas plataformas online também causaram algum bloqueio no retalho, com as encomendas a ser entregues algumas semanas depois.

No entanto, pode dizer-se que a crise pandémica aguçou o avanço da tecnologia. “Todos sabiam que, mais cedo ou mais tarde, as vendas online iriam disparar, só não sabiam quando”, salienta Paulo Barreira, destacando que o peso das vendas digitais passou de 8% para 30% e que “toda a distribuição alimentar se teve de adaptar”, com a correção dos sites e a melhoria da logística, a somar à reinvenção dos processos.

Segundo o diretor de e-commerce da SIBS, a quebra de consumo no digital “foi menos significativa nas semanas do estado de emergência e a recuperação foi mais rápida” após este período.

Na verdade, os dados da SIBS mostram que a utilização do MB Way se manteve 15% acima do período anterior à pandemia, e que o e-commerce passou de 9% antes da mesma para 15% durante o confinamento e 12% no desconfinamento.

O diretor-geral da APED acrescenta que verificaram “a necessidade de adaptar as plataformas informáticas ao súbito aumento de tráfego”, melhorando o seu potencial, e que esta foi uma “realidade vivida por todos os operadores”, Amazon e Tesco incluídas, “devido ao aumento brutal de consumidores e pedidos”, que levou a um investimento em hardware e software para poderem assegurar uma resposta mais eficiente.

Gonçalo Lobo Xavier destaca ainda que algumas startups estão a desenvolver apps “que poderão vir a ser úteis num futuro próximo”.

FONTE: Jornal Economico

 

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