Portos nacionais atenuaram quebra no mês de março

15 maio 2020

Nos primeiros três meses deste ano foram movimentadas nos principais portos do continente 22 milhões de toneladas, mas inverteu-se a tendência de descida que se tinha verificado nos primeiros dois meses do ano, uma vez que no mês de março se registou um acréscimo de 3,7% nas mercadorias movimentadas face ao período homólogo do ano passado.

Os principais portos do continente encerraram o primeiro trimestre com uma quebra de 3,7% nas mercadorias movimentadas, em comparação com o período homólogo de 2019.

Segundo os dados recolhidos pela AMT – Autoridade da Mobilidade e dos Transportes, a que o Jornal Económico teve acesso, “nos primeiros três meses deste ano foram movimentadas nestes portos 22 milhões de toneladas, mas inverteu-se a tendência de descida que se tinha verificado nos primeiros dois meses do ano, uma vez que no mês de março se registou um acréscimo de 3,7% nas mercadorias movimentadas face ao período homólogo do ano passado”.

Apesar da quebra generalizada verificada no movimento de contentores, o porto de Leixões foi o único porto a registar um acréscimo no trimestre, atingindo oo volume mais elevado de sempre.

Por seu turno, o porto de Sines continua a liderar o movimento global dos portos, com uma quota de 49,7% nos primeiros três meses deste ano.

“Entre janeiro e março de 2020, os portos do continente movimentaram um total de 21,86 milhões de toneladas de carga, inferior em – 3,7%, ou seja, – 850,3 mil toneladas, ao registado no primeiro trimestre de 2019. No entanto, e se isolarmos o mês de março, verifica-se um crescimento de 3,7% face ao mesmo mês de 2019. O recuo global registado resulta fundamentalmente do confronto dos mercados de carga contentorizada (-910,4 mil toneladas) e carvão (-1,06 milhões de toneladas), com influência negativa, e do petróleo bruto (+1,16 milhões de toneladas), com influência positiva, todos representados maioritariamente pelo porto de Sines”, destaca um comunicado da AMT.

De acordo com este documento, “a influência do porto de Sines no comportamento global referido é, com razoável significado, partilhada com o porto de Leixões no que toca ao efeito positivo do mercado de petróleo bruto, pois é responsável por um aumento de +422,1 mil toneladas, e com o porto de Lisboa em relação ao efeito negativo induzido pelo mercado de carga contentorizada, a quem cabe a responsabilidade de um decréscimo de – 342,3 mil toneladas”.

“No entanto, é importante sublinhar o facto de Sines ter registado um acréscimo global de +5,6% no movimento processado no mês de março, passando para uma quebra acumulada de -7,3%, a que corresponde um volume de -848,7 mil toneladas”, alerta o órgão regulador do setor dos transportes.

A AMT sublinha que “o comportamento observado no mês de março tomado isoladamente é caracterizado pelo registo positivo da generalidade dos portos, com exceção de Lisboa, que movimenta -550 mil toneladas, refletindo uma variação homóloga de -54,4%”, acrescetando que, “a esta variação, que prejudica o desempenho de todo o trimestre, não são alheias as perturbações laborais a que se assistiu no porto desde meados de fevereiro até final da terceira semana de março”.

“No primeiro trimestre deste ano, assistimos ao registo positivo de toda a tipologia de cargas da classe dos granéis líquidos, com destaque para o petróleo bruto (+42,7%), os outros granéis líquidos (+8,5%) e os produtos petrolíferos (+0,1%), a que acresce ainda o registo positivo na carga fracionada (+5,6%) e minérios (+28,4%), que apresenta o volume mais elevado de sempre. Estes acréscimos representam, no seu todo, +1,37 milhões de toneladas”, assinala o referido comunicado.

A instituição liderada por João Carvalho salienta que o porto de Sines “continua a liderar a estrutura de quotas com 49,7% do total (-1,8 ponto percentual face ao período homólogo de 2019), seguindo-se Leixões com 24,2%, Lisboa com 9,7%, Setúbal com 7,3%, Aveiro com 6,3%, Figueira da Foz com 2,3%, Viana do Castelo com 0,4% e Faro e Portimão, ambos, com 0,1%”.

“O tráfego de contentores traduz uma quebra significativa de -10,8%, correspondente a -82 mil TEU [medida padrão equivalente a contentores com 20 pés de comprimento], justificada, fundamentalmente, pelo comportamento do porto de Sines, cujo movimento registou -55,5 mil TEU, e por Lisboa, a registar -36,2 mil TEU. Apenas Leixões escapa a este comportamento global negativo, tendo registado um acréscimo de +8%, ao movimentar 184.096 TEU, o seu volume mais elevado de sempre”, revela o comunicado da AMT.

Segundo os responsáveis do órgão regulador, “importa enfatizar o comportamento das operações de ‘transhipment’ no tráfego de contentores, particularmente no porto de Sines que representa 67,2% do total movimentado neste porto (e 37,9% do total de TEU movimentados nos cinco portos) e forte influência no desempenho global”.

“No primeiro trimestre de 2019 assistiu-se a uma quebra de -18,8% (que traduz um abrandamento na sua trajetória negativa), correspondente a -59,4 mil TEU. Esta situação significa que nas operações com o ‘hinterland’ se observa um crescimento de +3,3% no volume de TEU movimentado, subindo para um total de 124 880 TEU, o valor mais elevado de sempre”, adianta a AMT.

‘Transhipment’ ainda sem efeitos da Covid-19
A AMT refere que o ‘transhipment’, integrado na cadeia global de ‘shipping’, “não parece ainda refletir o impacto negativo induzido pela pandemia Covid-19, atendendo a que se verifica que o volume registado em Sines no mês de março é o mais elevado dos últimos doze meses, enquanto Leixões, também em março, regista um crescimento de +26,5% atingindo uma quota de 7,1% do movimento do porto”.

“Neste mesmo mês, o volume de ‘transhipment’ registado em Lisboa apresenta uma expressão meramente residual, a que, contudo, não serão alheias as já referidas perturbações laborais”, observa o comunicado, adiantando que, “ainda no segmento de contentores, refere-se que o porto de Sines mantém a liderança com uma quota maioritária absoluta de 56,4%, seguindo-se Leixões, com 27,3%, Lisboa, com 10,5%, Setúbal, com 5,1%, e Figueira da Foz, com 0,7%”, revela o órgão regulador dos transportes.

Os portos em análise registaram nos primeiros três meses deste ano um total de 2.485 escalas, um recuo de -0,8% face ao período homólogo de 2019.

“A variação global negativa do volume de carga movimentada no período janeiro-março de 2020 face ao mesmo período de 2019, resulta da conjugação de comportamentos negativos registados nas operações de embarque e nas operações de desembarque, incluindo ‘transhipment’, que observam quebras respetivas de -3,2% e de -4,1%”, avança a AMT.

O principal destaque no comportamento dos diversos mercados onde se opera o desembarque de carga vai para o desaparecimento de um volume superior a um milhão de toneladas de carvão em Sines (-100%), mas também em sentido descendente estiveram os mercados da carga contentorizada em Sines, com -12%, e dos produtos petrolíferos em Sines e Leixões, com variações respetivas de -7,5% e de -36,8%.

Com variações positivas nas operações de desembarque, a AMT destaca os mercados do petróleo bruto de Sines e de Leixões, com acréscimos respetivos de +36,7% e de +51,3%, seguidos dos minérios e da carga contentorizada em Leixões, com +63,8% e +9%, e ainda da carga fracionada em Aveiro, que regista um acréscimo de +30,2%.

“Do conjunto de portos que registam normalmente um volume de embarques superior ao volume de desembarques, e que por esse motivo são associados a portos com perfil exportador, verifica-se que, no período em análise, o porto de Setúbal não observou o rácio que lhe está inerente, quedando-se por um peso de 49,1% entre o volume de carga embarcada e o total de carga movimentada. A este facto não deverá ser alheia a interrupção da produção da Autoeuropa durante o mês de março”, explica a AMT.

Em relação aos portos que apresentam um perfil de porto ‘exportador’, registando um volume de carga embarcada superior ao da carga desembarcada, com um quociente entre carga embarcada e o total movimentado, “neste primeiro trimestre de 2020, são Viana do Castelo, Figueira da Foz e Faro, que apresentam este indicador com os valores respetivos de 70,1%, 68,5% e 100%”, conclui o comunicado da AMT.

FONTE: Jornal Económico

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