Depois da corrida, afluência aos super recua para cerca de metade

31 março 2020

O domingo 22 de março foi dia com menor afluência às lojas e de compras nos supermercados no ano. Cesta aumenta mas idas ao super estão a diminuir.

Primeiro foi a corrida aos supermercados, gastos fora do habitual para a época do ano, depois com a declaração do Estado de Emergência a afluência às lojas diminuiu “drasticamente”. No domingo, dia 22 de março, a afluência aos supermercados recua 42% abaixo da média diária do ano. É o valor mais baixo do ano até à data.

“Nas quatro semanas que se seguiram à confirmação dos primeiros casos de Covid-19 em Portugal, foi notória a alteração na forma como os portugueses realizaram as suas compras. Neste curto espaço de tempo, passaram de compradores com rotinas de elevada ‘consistência’ para compradores com reações de ‘contingência’”, explica Pedro Pimentel, diretor-geral da Centromarca, citado em nota de imprensa.

Nos hábitos de consumo portugueses há claramente um antes e um depois do surto do Covid-19. Os números compilados pela Kantar para a Centromarca dão disso conta: 81% dos inquiridos alteraram os seus hábitos diários e o seu comportamento no que respeita ao consumo. Mas não só. Na rotina das famílias portuguesas lavar as mãos passou a ser um ato mais recorrente (83%), cortaram no consumo fora de casa (77%) e passaram a usar menos transportes públicos (62%).

O dia 3 de março, o dia seguinte à confirmação dos primeiros casos de Covid-19, foi o tiro de partida à corrida aos supermercados, com as compras no retalho alimentar a disparar. Foi o dia de maior afluência às lojas em 2020 (até à data), com uma presença de compradores 51% acima da média diária verificada durante este ano, indica a Kantar.

“Um cenário bastante atípico, em especial por se tratar de um dia de semana, deixando bem marcada a preocupação dos portugueses face à ameaça do vírus”, destaca Pedro Pimentel.

Até ao final dessa semana (entre 3 e 8 de março) a preocupação foi encher o carrinho com produtos alimentares, mas “o principal objetivo dos portugueses foi adquirir produtos de higienização, tanto para o lar como para o cuidado pessoal – registou-se um número de produtos comprados 23 e 22%, respetivamente, acima da média semanal verificada até ao final do mês de fevereiro.”

Mas foi na segunda semana de março, sobretudo a partir do dia 11, quando o Covid-19 foi considerado uma pandemia pela Organização Mundial de Saúde, que a corrida aos supermercados ganha velocidade. De 11 a 14 de março, dia anterior à declaração das restrições no acesso e na afetação aos estabelecimentos, a afluência de compradores nos supermercados subiu 24% acima da média diária de 2020.

“Com um maior número de recomendações para a permanência em casa, os portugueses aumentaram consideravelmente o tamanho da cesta por compra, sendo que desta vez o alvo principal foram os produtos de limpeza, mas também a procura pelo armazenamento alimentar, tendo sido registado um aumento do número de produtos comprados 49% e 37%, respetivamente, acima da média ‘pré-Covid-19’”, adianta Marta Santos, manufacturers sector director da Kantar.Globalmente, nessa primeira semana foi registado um aumento na ordem dos 19% no número total de produtos comprados para os lares.

Nesses dias, a quantidade diária de produtos comprados esteve 45% acima da média anual, com os portugueses a querer encher a dispensa para enfrentar o período difícil que se avizinhava.

Os dados são de outra empresa de estudos de mercado, mas nesta duas primeiras semanas de Covid-19, os portugueses gastaram 585 milhões de euros em compras de supermercado. Mais 162 milhões de euros que quando comparados com igual período do ano passado, segundo dados do Barómetro da Nielsen.

Estado de Emergência: idas ao super recuam, tamanho da cesta aumenta
Com a declaração do Estado de Emergência no país, e a imposição de restrições no acesso às lojas, o comportamento de consumo mudou. Começou a retração do consumo. “A partir do dia 19, o dia seguinte à decretação do Estado de Emergência em Portugal, a afluência às lojas diminuiu drasticamente para os valores mais baixos de 2020 até à data, tendo mesmo chegado, no domingo dia 22, ao nível de compradores mais baixo do ano: 42% abaixo da média diária do ano”, descreve a Kantar.

Mas com uma diferença. “O tamanho de cada cesta nesta data atingiu níveis máximos; mesmo assim foi inevitável a quebra abrupta das compras de produtos de grande consumo”.

Em geral, “da terceira semana após a confirmação dos primeiros casos, o saldo total de produtos comprados ficou na média, face ao período ‘pré-Covid-19’, porém numa tendência clara de decrescimento que se poderá agravar nas próximas semanas, até se encontrar um novo equilíbrio no padrão de compra”, refere a empresa de estudos de mercado.

A Kantar também retirou informação sobre as opções de compra dos portugueses em ‘modo de sobrevivência’.

“Quando comparadas as cestas de compra pré e pós-Covid-19, nas duas primeiras semanas, a aquisição de produtos frescos – fruta, verduras e carne – foi altamente prioritária”, refere Marta Santos.

Porém, a menor capacidade de reposição face à procura fez com que nem todos tenham tido o mesmo nível de acesso a estes produtos. Assim globalmente, nestas três semanas, a compra de produtos frescos ficou na média face ao período anterior ao surto.

De forma mais consistente surgiu a procura de produtos básicos e de longa duração, destacando-se as leguminosas (em especial, grão e feijão), as farinhas, o peixe e os legumes de conserva, massas e num segundo plano, arroz, azeite, vinagre, sal, açúcar, bolachas e produtos congelados, desde salgados, verduras a carne e peixe, enumera a Kantar.

Produtos básicos de limpeza e higiene, sobretudo luvas domésticas/descartáveis, detergentes para roupa, lixívia e produtos de papel no geral, não só o papel higiénico, mas também lenços, rolos de cozinha e guardanapos também ganharam relevância. Sabonetes e fraldas foram as grandes prioridades na área da higiene pessoal.

FONTE: Dinheiro Vivo

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