"Pode haver atrasos na entrega de produtos importados"

27 março 2020

A distribuição é um sector com poucas alterações, mas....com os controlos de fronteira criados entre países, "um produto que chegava de França em menos de 24 horas passa a precisar de pelo menos dois dias para fazer o mesmo trajeto"

Pedro Pimentel, diretor-geral da CentroMarca - Associação Portuguesa de Empresas de Produtos de Marca , refere "poucas alterações" no sector dos bens de grande consumo depois da declaração do estado de emergência. "Podemos até dizer que o ritmo de trabalho é superior ao que seria expectável nesta altura do ano em muitos casos, até por forçada procura caótica dos consumidores", comenta.

Nas fábricas dos bens de grande consumo refere que não tem, ainda, havido impacto do potencial absentismo de trabalhadores devido a casos de quarentena ou doença. Até a fábrica da Nestlé, em Avanca, junto ao cordão de segurança criado à volta de Ovar, está a laborar, destaca.

Há, no entanto, uma área, onde é possível antecipar problemas. "Quando estão em causa produtos que são importados e atravessam fronteiras temos de estar atentos ao impacto do restabelecimento de fronteiras entre os Estados-membros da União Europeia. Estamos a falar de controlos que levam tempo, provocam filas e atrasos e não podemos esquecer que muitas vezes um camião atravessa várias fronteiras o que significa que esses atrasos se vão acumulando e um produto que chegava de França em menos de 24 horas passa a precisar de pelo menos dois dias para fazer o mesmo trajeto", comenta.

É um quadro que pode levantar problemas no pipeline logistico, até porque Portugal não é autosuficiente no que respeita a bens de grande consumo, sublinha.

Uma nota positiva neste cenário menos otimista é o facto do alargamento dos horários nos transportes de mercadorias já ter sido autorizado, a par da possibilidade de viajarem duas pessoas na mesma cabine de um camião.

Numa fase em que o grande desafio do retalho alimentar é proteger trabalhadores e clientes que visitam as lojas e em que todos os consumidores têm de se adaptar às filas de espera à porta dos supermercados, Pedro Pimentel admite que o quadro de caos vivido na última semana tenderá a dar lugar "à normalidade", uma vez que as pessoas tendem, agora, a ir menos às compras.

Ruturas na oferta e prateleiras vazias? "Pode sempre continuar a haver e tirar fotografias a prateleiras vazias para partilhar com os amigos já se tornou, um desporto nacional", comenta.

Mas do que está a ver em Portugal e do que leu sobre outros países, o responsável pela Centromarca considera que "o país tem estado bem. Noutros parceiros comunitários, os responsáveis pelas empresas de distribuição tiveram de ser chamados pelo Governo, Cá isso não foi preciso", comenta.

"O MERCADO TEM ESTADO A FUNCIONAR"
Sobre o manifesto de um grupo de economistas que pede ao governo que crie um gabinete para monitorizar o abastecimento de bens essenciais, Pedro Pimentel não vê qualquer problema em haver mais monitorização nem mais informação sobre o que se passa no terreno, mas sublinha que "o mercado tem estado a funcionar bem sem regras administrativas especiais".

Apesar de irem surgindo notícias sobre a subida de alguns preços, "nos supermercados e hipermercados não temos assistido a uma inflação de preços devido à crise", garante. "Ter um conhecimento mais fino do que se passa não tem nada de mal. É preciso? Não me parece que o mercado tenha deficiências a exigir uma intervenção administrativa" conclui.

E racionamentos? São uma possibilidade no horizonte? " São uma prática comum num quadro de enconomia de guerra que é um pouco o momento que estamos a atravessar, mas não parece ser um cenário a considerar de momento", responde.

No entanto, há dois fatores impossíveis de controlar e que têm peso em tudo isto: "primeiro, ainda não sabemos qual vai ser a dimensão da pandemia em termos de saúde pública, designadamente o nível de absentismo que as fábricas vão ter de enfrentar. Por outro lado não sabemos o tempo que vai ser preciso aguentar até voltarmos a um quadro de normalidade.

Seja como for, o cenário atual parece ser menos grave do que o quadro traçado pelos cenários mais pessimistas".
E deixa mais uma nota: é preciso estar consciente de que o processo não começa na loja e muitas vezes não começa na fábrica. "No caso de produtos como os lacticínios, por exemplo, independentemente do ritmo que a pandemia vai impor, as vacas vão continuar a ter de ser ordenhadas diariamente e tudo tem de estar organizado para que estes e outros produtos tenham escoamento".

FONTE: Expresso

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