Lojas fechadas e produtos contados

17 março 2020

Por causa do novo coronavírus, o Governo decretou limites à capacidade dos espaços comerciais. As empresas estão a seguir as regras à risca e todos os dias implementam novas medidas, enquanto esperam por novas diretivas das autoridades. Ainda sem contas feitas, a Associação Portuguesa de Centros Comerciais prevê que o covid-19 tenha um "grande" impacto económico nas lojas em Portugal.

O novo coronavírus obrigou os estabelecimentos comerciais a tomar medidas de prevenção e contingência. Há supermercados a limitar a compra de máscaras e desinfetantes e centros comerciais a autorizar os lojistas a fechar portas. Ainda é cedo para fazer contas mas a Associação Portuguesa de Centros Comerciais (APCC) admite, em declarações ao Negócios, que o impacto no setor vai ser "grande".

A APCC vai discutir com o Governo "as medidas que poderão ser tomadas de modo a permitir mitigar as consequências deste período excecional e a criar condições para um retorno à normalidade tão breve quanto possível".

E face aos apelos de muitos trabalhadores para que as lojas fechem, a Associação que reúne dezenas de centros comerciais adianta que "mantém a monitorização contínua da situação e aguarda novas indicações por parte das autoridades de saúde e governamentais relativamente a medidas futuras". Caso seja declarado o Estado de Emergência no país, apenas ficarão abertos os supermercados e farmácias, refere a APCC.

Para já, a portaria que entrou em vigor na segunda-feira dita que por cada 100 metros quadrados de área destinada ao público, apenas podem circular quatro pessoas de cada vez. A norma é válida para qualquer superfície comercial. No caso das lojas mais pequenas, como mercearias, o limite é de uma pessoa por cada 25 metros quadrados. Esta regra não se aplica aos funcionários ou prestadores de serviços, e também não é aplicada aos estabelecimentos de comércio por grosso. O objetivo é limitar a concentração de pessoas em ambientes fechados.

Restrições nos restaurantes
Bares, cafés e restaurantes também passam a funcionar com limitações. Nomeadamente, a ocupação tem de ser limitada a um terço da sua capacidade. A portaria recomenda que os proprietários façam "uma gestão equilibrada dos acessos de público" e monitorizem as "recusas de acesso", para que seja evitada "a concentração de pessoas à entrada dos estabelecimentos". Apesar das recomendações, alguns restaurantes já optaram simplesmente pelo fecho temporário de portas. O grupo Amorim Luxury encerrou os quatro espaços que tem em Lisboa. O Burger King também já fechou os três espaços que gere em Portugal e deu indicações aos seus franchisados para fazerem o mesmo. A mesma medida foi tomada pelo grupo Fullest, que detém perto de duas dezenas de restaurantes em Lisboa e no Porto.

Já ontem, o ministro Eduardo Cabrita acrescentou as esplanadas à lista de espaços que podem funcionar com restrições. Aqui, a ocupação também não pode ultrapassar um terço da lotação. É permitido, ainda assim, consumir bebidas alcoólicas nas esplanadas, uma prática que passou a estar proibida na via pública.

As medidas podem vir a ser revistas pelo Governo, "se ocorrer a modificação das condições que determinam a respetiva previsão".

Que medidas tomaram as empresas?
Além de seguirem as recomendações das autoridades, as empresas de distribuição, retalho e centros comerciais estão a adotar medidas próprias para travar a propagação do novo Coronavírus. A imposição de horários de funcionamento reduzidos foi uma das normas adotadas por praticamente todas as grandes superfícies, apesar de não haver um padrão comum.

As restrições estão a causar um aumento das compras virtuais, refere a Associação Portuguesa de Empresas de Distribuição (APED). Razão pela qual Gonçalo Lobo Xavier, diretor-geral da APED, faz um apelo "à tranquilidade e compreensão de todos os consumidores pois há constrangimentos que poderão surgir, nomeadamente, nos tempos de espera em loja e no on-line".

A APED está "a acompanhar e monitorizar a evolução da situação, em articulação e contacto direto com as entidades competentes", para que "a distribuição alimentar, continue a desempenhar o seu papel essencial no abastecimento diário dos bens essenciais à população".

Para a Sonae Sierra, ainda "é prematuro" fazer cálculos aos prejuízos, "até porque no período homólogo do ano anterior foi o Carnaval, o que distorceria a avaliação dos dados". Ainda assim, a empresa que gere mais de 20 centros comerciais em Portugal, entre os quais o Colombo ou o ArrabidaShopping, admite que o impacto do vírus será "grande".

A Sonae Sierra adotou um Plano de Resposta à Pandemia e desde a passada sexta-feira que aos lojas dos centros comerciais do grupo podem abrir até às 12h e encerrar a partir das 20h. Para cumprir as novas restrições à circulação, a Sonae Sierra tem ativado um sistema de contagem de pessoas, para que os limites não sejam ultrapassados. O grupo reconhece que tem havido pedidos por parte de lojistas e colaboradores para encerrar as superfícies, e admite fazê-lo se assim as autoridades o ditarem.

Numa circular interna enviada aos lojistas dos centros comerciais detidos pelo grupo, e a que o Negócios teve acesso, a Sonae Sierra já admite que os proprietários "poderão, de forma excecional, proceder ao encerramento das suas lojas, caso não tenham condições para as manter abertas". Quem decidir encerrar não será penalizado, tendo apenas que informar a administração do centro comercial.

Já os supermercados Continente, também do grupo Sonae, adotaram medidas de prevenção, nas lojas e fora delas. Os espaços físicos terão sinalética para ajudar os clientes a manter a distância recomendada de um metro, e será feito um reforço dos bens essenciais. Quem compra online terá de ir buscar as mercadorias à porta, porque os funcionários deixam de entrar nas habitações, sendo ainda recomendado o pagamento por via eletrónica.

Nos supermercados do grupo Jerónimo Martins a ordem é para fechar mais cedo. No caso das lojas Pingo Doce, o funcionamento deve decorrer entre as 09h e, no máximo, as 19h. Mas há lojas da cadeia que anunciaram o fecho de portas às 17h. O mesmo se aplica às restantes marcas do grupo, como as lojas Bem Estar ou Hussel. A excepção é a marca Recheio, que encerra às 16h. Os funcionários da área administrativa trabalham a partir de casa, de forma rotativa.

Também o grupo Auchan adotou medidas extraordinárias de prevenção nos supermercados, ressalvando que "a Distribuição Alimentar foi identificada como serviço crítico pelo Governo". O sistema de contagem de pessoas está assegurado, bem como a manutenção do horário de funcionamento. Ao contrário de outros retalhistas, o Auchan não vai abrir as portas mais tarde nem fechar mais cedo. Para evitar ruturas de stock, os clientes podem comprar apenas duas unidades de álcool gel e etílico e máscaras de proteção. Os medicamentos, suplementos e fórmulas infantis estão limitados a três por pessoa. Nas entregas ao domicílio, que passam a ser feitas à porta, só será possível pagar online. O grupo admite que nos últimos dias houve um aumento da procura pela loja online, pelo que foi implementado um procedimento temporário de substituição automática de produtos, em caso de indisponibilidade do produto desejado.

No Lidl a prioridade é a reposição diária dos bens alimentares essenciais. O supermercado de origem alemã alerta, por isso, para a possível ausência nas prateleiras de produtos que constam nos folhetos. As lojas Lidl vão encerrar às 19h em todo o país.

A Mercadona não tem loja online em Portugal, mas em Espanha as entregas ao domicílio já foram suspensas. Por cá, a rede de supermercados, que para já só existe no Norte do país, limitou a ida às compras a apenas uma pessoa, para evitar as deslocações ao supermercado em família ou em grupo. A cadeia de origem espanhola recomenda ainda que as compras sejam feitas ao longo do dia, e não à hora de abertura do supermercado. E garante que o abastecimento de produtos de primeira necessidade está assegurado, não sendo necessário comprar grandes quantidades de alguns bens, como enlatados. As lojas funcionam entre as 09h e as 20h.

No El Corte Inglés (ECI), estão a ser tomadas novas medidas "todos os dias", refere fonte da empresa ao Negócios. Apesar da fraca afluência às lojas físicas, foi necessário fazer um reforço das entregas ao domicílio, já que as encomendas estão a aumentar. Há, ainda assim, uma fatia significativa de funcionários a trabalhar a partir de casa. O grupo tem equipas de segurança a fazer a contagem de pessoas, para que não ultrapassem os limites estipulados, e estão ainda a ser feitas recomedações aos clientes para que estes evitem tocar nos produtos. A desinfecção dos espaços é constante, adianta a mesma fonte. O grupo está à espera de novas recomendações do Governo e das autoridades de saúde para saber se as superfíces comerciais podem continuar a funcionar. Em caso de Estado de Emergência, os supermercados e as parafarmácias do ECI permanecerão abertas.

FONTE: Jornal de Negócios

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