Guerra comercial EUA-China afeta 3,4% do comércio mundial

10 setembro 2019

Se a escalada na guerra comercial entre as duas maiores potências não for travada, no final do ano todos os fluxos de exportação e importação de bens entre EUA e China estarão abrangidos por medidas protecionistas

A guerra comercial entre Estados Unidos e China entrou ontem, segunda-feira no seu 431º dia, desde que a Administração Trump abriu as hostilidades no verão do ano passado.

Se as próximas duas fases de aplicação de taxas alfandegárias a 1 de outubro (por parte de Washington) e 15 de dezembro (por parte de Washington e Pequim) não forem travadas, todos os fluxos de comércio de bens entre as duas maiores potências ficarão, no final do ano, abrangidos por medidas protecionistas.

Esses fluxos de produtos envolveram, no ano passado, 120,3 mil milhões de dólares (cerca de €102 mil milhões, ao câmbio médio do ano passado) de exportações dos EUA para a China e 539,67 mil milhões de dólares (€457 mil milhões) no sentido inverso. Não estão considerados nestes fluxos as transações de serviços, que abrangeram mais 77 mil milhões de dólares (€65 mil milhões) nos dois sentidos.

O conjunto das trocas de bens entre EUA e China representou no ano passado 3,4% do comércio mundial de produtos, menos do que os fluxos entre toda a União Europeia e a China (que somam 3,7%). Mas, o peso mundial das relações comerciais bilaterais entre Washington e Pequim é superior ao que envolve a China com as duas outras principais economias exportadoras do mundo, Alemanha e Japão, que soma 2,7% no comércio de produtos.

É muito baixa a probabilidade de recuo na imposição de taxas pela Administração Trump a 1 de outubro, dado que conversações de alto nível, apesar de confirmadas pelas duas partes para se iniciarem precisamente em outubro, ainda não têm datas anunciadas.

Uma guerra fria prolongada
Da parte da Administração Trump, como sublinhou na sexta-feira passada Larry Kudlow, conselheiro económico da Casa Branca, a atual tensão comercial com a China é encarada como uma "guerra fria" prolongada como a que ocorreu entre os EUA e a União Soviética num plano global.

Para Pequim, a probabilidade de aceitar a totalidade das exigências de Washington é nula, frisou, esta segunda-feira Jin Canrong, professor da Universidade Renmin de Pequim, num artigo no South China Morning Post, o matutino de referência de Hong Kong. O académico chinês referiu que Pequim aceitou, durante as negociações nas duas tréguas desde final do ano passado, 80% das exigências de Washington. Os restantes 20% são matérias de soberania que Pequim não aceitará.

Pelo que, um acordo amplo e duradouro é pouco provável e a guerra comercial deverá estender-se a todo o comércio entre as duas partes, apesar do desanuviamento ocorrido desde a cimeira do G7 em Biarritz.

Quatro grandes vagas de medidas
Até agora, desde o verão do ano passado, registaram-se quatro grandes vagas de imposição de tarifas.

Em julho de 2018, os EUA impuseram taxas de 25% sobre 34 mil milhões de dólares (cerca de €31 mil milhões) de importações vindas da China e Pequim retaliou na mesma medida.

Em agosto do mesmo ano, Washington avança com 25% sobre mais 16 mil milhões de dólares (€14 mil milhões) de importações Made in China e esta retalia na mesma medida.

Em setembro do mesmo ano, Washington avança com taxas de 10% sobre 200 mil milhões de dólares (€181 mil milhões) de importações vindas da China e Pequim retalia sobre 60 mil milhões de dólares (€54 mil milhões) de exportações dos EUA. Em maio de 2019, Trump decide subir de 10% para 25% as taxas sobre os 200 mil milhões de dólares e, em junho, Pequim sobe também para 25% as taxas sobre os 60 mil milhões de dólares. A 1 de outubro, os EUA subirão a taxa sobre os 250 mil milhões, até então abrangidos pelas medidas de 2018, de 25% para 30%.

Em setembro de 2019, desde o passado dia 1, Washington aplicou uma taxa de 15% sobre mais 112 mil milhões de dólares (€101 mil milhões) de importações vindas da China e Pequim inicia um processo de aplicação de taxas adicionais sobre mais 75 mil milhões de dólares (€68 mil milhões) de exportações norte-americanas em duas fases - a 1 de setembro e 15 de dezembro.

Até à data, a Administração Tump já impôs medidas protecionistas, no âmbito desta guerra comercial, sobre 362 mil milhões de dólares (€327 mil milhões) de importações vindas da China e Pequim retaliou com taxas sobre 185 mil milhões de dólares (€167 mil milhões), ainda que uma parte só seja concluída a 15 de dezembro. As medidas de retaliação chinesas já incidem sobre um valor superior às importações vindas dos EUA no ano passado.

Depois de 15 de dezembro, os EUA aplicarão taxas de 15% sobre mais 160 mil milhões de dólares (€145 mil milhões) - que foram poupados em setembro por abrangerem produtos de massa importados da China críticos nas vendas de Natal nos EUA -, abrangendo, assim, finalmente, todas as importações vindas da China.

FONTE: Expresso

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