Agora é tudo 0%. Do plástico às cervejas, até ao Nestum

02 setembro 2019

Marcas procuram aproximar-se dos consumidores e adaptar-se às tendências de alimentação e estilos de vida mais saudáveis. E isso vê-se nos 0% dos rótulos.

Inaugurada em 1923, numa altura em que o médico António Egas Moniz, originário da terra, quis fazer farinhas lácteas, a fábrica da Nestlé tem agora um novo desafio. A Nestum, uma das marcas que fazem parte do imaginário infantil — e totalmente produzida e distribuída em Portugal — comemorou os 95 anos com uma novidade: Nestum 0% açúcares adicionados.

A tendência não faz dela caso único. Foi também pela procura e valorização de estilos de vida mais saudáveis e pela necessidade de ter “uma variedade de produtos para diferentes ocasiões de consumo e experiências distintas” que a Sociedade Central de Cervejas e Bebidas decidiu lançar a Heineken 0.0 em Portugal.

“São as tendências que estão na base do lançamento de Heineken 0.0, mas também de uma Zona Zero, uma aposta na criação de um portefólio composto por três referências: Heineken 0.0, Sagres 0.0 e Sagres Radler 0.0.”, explica Nuno Pinto Magalhães, provedor e diretor de comunicação e de relações institucionais da Sociedade Central de Cervejas e Bebidas (SCC). “Desta forma o consumidor tem acesso a um produto menos calórico e para todas as ocasiões, composto por produtos totalmente naturais. É um exemplo de conciliação das mais recentes tendências de consumo com a tradição da cultura cervejeira”, justifica. O desenvolvimento desta cerveja foi “difícil” e exigiu aos mestres cervejeiros experimentar “inúmeras receitas”.

A Heineken 0.0 foi lançada em alguns mercados em 2018 e o lançamento foi estendido a mais 20 países, Portugal incluído, em 2019. Para o lançamento da Zona Zero, a marca decidiu fazer uma degustação de 18 milhões de consumidores e ativou mais de 200 mil estabelecimentos de bebidas e de restauração.

“Tomando como exemplo a Polónia, os números registados foram muito interessantes e duplicaram na categoria. Em Portugal, o nosso objetivo é o de duplicar a atual quota de mercado nas cervejas sem álcool (até 0,5% vol. Alc.). A quota global da categoria é 2,2% em volume (segundo a Nielsen) e gostaríamos de ver duplicar essa quota”, explica Pinto Magalhães.

Delta Q eQo, cápsulas de café sem plástico
Desenvolvida no Centro de Inovação, a nova cápsula biodegradável e de origem biológica da Delta Q é 0% plástico. As eQo são feitas de BioPBS, um material de base biológica e vegetal, constituído por cana do açúcar, mandioca e milho. Com validade de 90 dias, vão ser vendidas só em Portugal, a partir do final deste ano.

“A embalagem do novo Delta Q eQo é feita em cartão totalmente reciclável, com certificação pelos referenciais FSC (que garante que o produto provém de uma floresta gerida de forma sustentável) e impressa com tintas à base de água”, explica Rui Miguel Nabeiro, administrador do Grupo Nabeiro Delta Cafés. A origem do café também é 100% nacional, através do acordo da Delta com a Associação de Produtores Açorianos de Café (APAC).

“Os esforços de Investigação e Desenvolvimento foram no sentido de encontrar uma solução orgânica por forma a garantir a manutenção de todo o equipamento fabril. Daí que o desafio de conseguir manter todos os parâmetros da atual cápsula (formato, dimensão, integridade, resistência) tenha exigido por parte das equipas da Diverge e da Novadelta anos de desenvolvimento e testes na linha de produção de Campo Maior para chegarmos à solução atual”, revela Rui Miguel Nabeiro.

“É dentro deste compromisso 360º com a sustentabilidade, que o investimento no desenvolvimento realizado ao longo dos últimos anos para oferecer uma solução biodegradável e 100% orgânica para o consumo em monodoses Delta Q, se materializa no lançamento desta nova cápsula”, destaca o administrador.

No futuro, o grupo Nabeiro quer continuar a tornar toda a sua produção mais sustentável, aproximando-se assim dos 0% de danos para o ambiente. Até 2025, a Delta quer que todas as cápsulas sejam biodegradáveis ou recicláveis, além de querer ter toda a frota comercial 100% elétrica e painéis solares em todos os departamentos em Portugal.

Loiça biodegradável…e comestível
A loiça de plástico continua a ser a opção vencedora, pela comodidade e pelos preços baixos, mas a guerra contra o plástico já começou. Em Portugal, a Soditud, representa alguns dos produtos mais inovadores, que querem “converter o descartável em sustentável”. Dos talheres às palhinhas, todos os produtos da Soditud têm 0% de plástico, são 100% naturais, biodegradáveis, comestíveis e de rápida compostagem.

Já os pratos biodegradáveis da Biotrem são feitos de farelo de trigo (a camada exterior dura dos cereais – trigo, centeio ou aveia) e desintegram-se em menos de 30 dias. Têm resistência suficiente para irem ao forno e ao micro-ondas e, no final, podem ser a própria sobremesa. A loiça não tem aditivos químicos, por isso, se não for alérgico a algum destes cereais, pode comê-la.

O processo de produção desta loiça ecológica foi inventado pelo polaco Jerzy Wysocki, inspirado pelas tradições de moagem da família, na fábrica com mais de um século na região de Zambrow, na Polónia. A produção é sustentável, porque faz pouco recurso à água, substituindo-a alta pressão e alta temperatura. Por ano, a fábrica produz 15 milhões de peças descartáveis.

Em Portugal, estes produtos podem ser comprados online, através da página oficial da Soditud.

Uma palhinha com 23 calorias
A palhinha Sorbos é a primeira palhinha no mundo totalmente biodegradável, comestível e aromatizada. É feita com açúcar, água, amido de milho e gelatina, tem 23 calorias e sete sabores diferentes (gengibre, lima, limão, morango, canela, maçã verde e chocolate). Funciona como uma esponja e absorve o sabor da bebida, aguentando em média 20 minutos em bebidas naturais e até 45 minutos em bebidas frias. As palhinhas nasceram em Espanha e são produzidas atualmente em Barcelona.

A Soditud comercializa também as palhinhas da Wisefood, empresa alemã que produziu a primeira palhinha vegan e sem açúcar e que pode ser utilizada em bebidas quentes.

Cupffee, um copo crocante
As pequenas chávenas de café de plástico têm sido gradualmente substituídas por copos de papel, mas a empresa búlgara Cupffee encontrou uma solução ainda mais ecológica e amiga do ambiente. Esta chávena de café é vegan, feita de cereais e pode comer-se.

A luta contra o plástico descartável é cada vez mais assumida, mas o elevado custo dos produtos ecológicos e 0% plástico têm impedido o aumento da competitividade no mercado. Por exemplo, um conjunto de 10 pratos biodegradáveis Biotrem custa cerca de cinco euros, perdendo logo à partida contra os preços mais reduzidos dos plásticos descartáveis.

Para Luís Simões, um dos fundadores da Soditud, a solução poderia passar por “reduzir o preço através de uma discriminação positiva em termos de imposto de IVA, à semelhança do que já acontece em alguns países europeus. A estratégia de comunicação sobre o meio ambiente terá de mudar por parte do Estado”, sublinha.

Com o aumento dos bioplásticos nos produtos ecológicos, é necessário apostar na formação para a reciclagem, defende Luís Simões. “Se colocar bioplástico no ecoponto amarelo está a inviabilizar a reciclagem de todo o plástico que alguém já se esforçou por separar. São dois produtos tão díspares como o diesel e a gasolina”, alerta Luís.

FONTE: ECO Economia Online

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‘‘Os objectivos da ANIL centram-se na defesa dos interesses e representação do sector, no acompanhamento das matérias legislativas, normativas, ambientais, económicas e técnicas que contribuam para o desenvolvimento da indústria láctea em Portugal...

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