Compras de Natal geram milhares de empregos no comércio

03 dezembro 2018

Não há dados oficiais, mas as associações de comerciantes estimam que, nesta altura do ano, os lojistas reforcem os seus quadros, nem que seja aos fins de semana, e admitem que o número de contratações possa representar 10 a 20% dos seus trabalhadores. As principais marcas de retalho e das empresas de recrutamento confirmam que esta é uma época de contratações por excelência. O El Corte Inglés, por exemplo, reforçou os seus quadros com 600 pessoas; a Randstad, empresa especializada em recrutamento, fala numa procura de 750 a 800 pessoas, e o Toys R Us aponta para uma duplicação do seu número de trabalhadores com a aposta na entrega de presentes porta a porta, dados que levam, o presidente da Associação dos Comerciantes do Porto (ACP), a acreditar que “estão reunidas as condições para ser um excelente Natal para todos”.

Joel Almeida reconhece que não há dados em que se possa suportar para aferir da criação de emprego nesta altura do ano, mas admite que o crescimento se situe na ordem dos 10 a 20%. E acrescenta que grande parte destes trabalhadores acaba por ir ficando: “A maioria das empresas não faz contratações só para os picos, aproveita é esta altura do ano que reforçar os seus quadros e depois mantêm-nos”, argumenta.

Sobre as perspetivas para o negócio, o presidente da ACP antecipa que o Natal de 2018 possa ser “provavelmente o melhor dos últimos anos”. As compras de Natal e Ano Novo feitas com pagamentos eletrónicos, totalizaram, o ano passado, 4,5 mil milhões de euros, 12,5% mais do que em 2016. Se acrescentarmos os levantamentos nas caixas automáticas, o valor ultrapassou os 7,6 mil milhões de euros. “Esta é uma época de grande consumo e, quanto mais Portugal cresce, maior a disponibilidade financeira das famílias. Eu avalio o estado do comércio pela quantidade de sacos que vejo na rua e, este ano, acho que estão reunidas as condições para ser um excelente Natal”, argumenta Joel Almeida, salientando que a meteorologia parece ajudar.

Carla Salsinha, ex-presidente da União de Associações do Comércio e Serviços da Região de Lisboa está também confiante: “A expectativa é grande, a economia portuguesa está a recuperar, as famílias têm mais rendimentos, tudo indica que será um mês bom. E não esqueçamos que, em muitos setores, dezembro serve muitas vezes para equilibrar um ano difícil”, frisa. Para as perfumarias e livrarias, o Natal é um período “fortíssimo”. Mas não só. As vendas de vestuário, calçado e bebidas também disparam. No caso dos brinquedos, estima-se que 80% das vendas ocorram nesta altura do ano. “Esta é uma época em que os lojistas procuram reforçar os seus quadros até para poderem dar o atendimento mais personalizado que diferencia o comércio tradicional. Se não puderem reforçar o mês todo, pelo menos tentam fazê-lo ao fim de semana”, diz Carla Salsinha, que concorda com os 10 a 20% de crescimento apontados por Joel Almeida.

Ikea reforçou com 500
Nem todos os reforços de Natal ocorrem no fim do ano. No Ikea, por exemplo, a opção é contratar no verão e mantê-los. “Sabendo que o verão e o inverno são dois momento que, tradicionalmente, mais pessoas procurar remodelar as suas casas, a nossa estratégia de recrutamento acompanha esta tendência”, diz o diretor de recursos humanos da cadeia em Portugal. “Em abril integrámos mais de 500 pessoas nas nossas equipas, que vão continuar connosco até depois do Natal”, diz Cláudio Valente.

Este responsável admite, no entanto, que a empresa tem processos de recrutamento a decorrer numa base “quase contínua”. “A mobilidade das nossas pessoas, internamente, é, sem dúvida um catalisador para o crescimento do nosso negócio”, defende Cláudio Valente, embora reconheça que a situação se torna “muitas vezes desafiante” pelo volume dos processos de recrutamento em curso.

Já o Toys R Us anunciou que irá duplicar o número de trabalhadores no Natal, com cerca de “1700 novas posições” em Portugal e Espanha. A grande aposta é na entrega de presentes porta a porta. Um serviço que estará disponível na noite de 24 de dezembro, entre as 21h00 e as 02h00 da manhã seguinte, em todas as lojas Toys R Us, mediante inscrição.

Também o El Corte Inglés, que dá emprego a cerca de 3500 pessoas em Portugal, aposta num reforço dos seus trabalhadores para a época. No total, foram contratados este ano 600 trabalhadores, número que não contabiliza os recrutamentos feitos diretamente pelas marcas que opera, dentro das lojas El Corte Inglés. “Estamos a finalizar os últimos processos de contratação e formação esta semana”, adiantou ao Dinheiro Vivo o gabinete de comunicação da marca. Os setores com maior número de reforços são os departamentos de moda, brinquedos e alimentação, quer no segmento de venda quer de serviços, sobretudo nos embrulhos.

Com mais de 400 lojas Pingo Doce em todo o país e mais de 29 mil trabalhadores, a Jerónimo Martins é o maior empregador privado em Portugal. Questionada sobre as contratações para o Natal, fonte oficial garante que o grupo tem já as equipas “estruturadas de forma a responder a picos de procura” deste tipo. “As lojas Pingo Doce que tiverem necessidade de reforçar as suas equipas durante o período de Natal divulgarão localmente os processos de recrutamento”, frisa a empresa. Mas assegura que estes casos não são representativos face ao número total de colaboradores.

Nas empresas de recrutamento, a Adecco organizou, recentemente, um Open Christmas Day em Lisboa e no Porto, com mais de 100 vagas em aberto em cada um deles, para setores como o retakho, as vendas, a indústria e os serviços, em especial os contact centers e os centros de serviços partilhados. Já Randstad estima que, tendo em conta os pedidos recebidos pelos clientes, venha a recrutar entre 750 a 800 pessoas, um valor estável em relação ao natal anterior.

João Vieira Lopes, presidente da Confederação do Comércio e Serviços de Portugal (CCP) aposta, também, numa estabilização das vendas no Natal. “Com crescimento dos rendimentos dos pensionistas, dos funcionários públicos e dos salários mais baixos, nos últimos anos, isso traduziu-se num impacto efetivo no comércio e serviços, mas, a partir de certa altura, isso vai-se estabilizando. Estamos otimistas num crescimento, mas a um ritmo menor do que nos anos anteriores”, frisa.

Afonso Carvalho “Há cada vez mais temporários a serem integrados nos quadros”
Afonso Carvalho é o presidente da Associação Portuguesa das Empresas do Setor Privado de Emprego e de Recursos Humanos (APESPE RH), entidade criada em 2015 e que conta com 40 associados, mas que representam mais de 80% do mercado do trabalho temporário em Portugal.

Quantos empregos são criados na época de Natal?
Não temos dados oficiais, mas acredito que se mantenha nos níveis do passado recente. A falta de números foi uma das razões que nos levou a criar, em parceria com o ISCTE – Instituto Universitário de Lisboa, um barómetro do trabalho temporário em Portugal, que ainda está em elaboração. Mas, tipicamente, esta é uma época em que os setores mais ligados ao retalho e à logística têm um incremento de atividade e procuram contratar trabalhadores para dar resposta a esse pico.

Ainda há um estigma com o trabalho temporário?
Eu diria que tudo o que são contratos que não são de efetividade são alvo de estigma. Mas, hoje em dia, cada vez mais as empresas precisam de recorrer pontualmente a colaboradores para fazerem face a picos de atividade.

Em que áreas?
Todas. Do setor automóvel à indústria produtiva ou extrativa, do retalho aos centros de serviços partilhados, sem esquecer a hotelaria e o turismo, todos recorrem ao trabalho temporário na proporção das suas necessidades.

Estamos a falar de empregos pouco qualificados?
Isso é um mito. A transversalidade do trabalho temporário acompanha também o nível de competências. Tanto podemos ter um empregado de armazém a dar resposta a um pico de trabalho numa cadeia de retalho como é cada vez mais usual termos a substituição de uma licença de maternidade de uma secretária de direção.

Quantos temporários são integrados?
Esse é um dado importante e, para o qual, queremos ter resposta no próximo ano. Não lhe sei dizer se são 10, 15 ou 20%, sei que há cada vez mais trabalhadores a passarem para os quadros das empresas. De qualquer forma, é preciso ter em conta que o trabalho temporário em Portugal não chega a representar 2% da população ativa, e está abaixo da média europeia.

Há falta de trabalhadores em Portugal?
Há. A escassez de talento é transversal a todos os perfis profissionais. A requalificação profissional é urgente, como é urgente olhar para o desemprego de longa duração e para políticas ativas de emprego.

FONTE: Dinheiro Vivo

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