7% dos municípios concentram metade do poder de compra

14 novembro 2017

Dos 308 concelhos portugueses, 23 detêm metade do poder de compra de todo o país, mostram os dados publicados hoje pelo INE, relativos a 2015. Uma concentração semelhante àquela que se obtém se isolarmos os municípios das áreas metropolitanas de Lisboa e Porto.

A distribuição do poder de compra em Portugal é bastante assimétrica. Cerca de 7% dos municípios portugueses concentram metade do poder de compra que existe em Portugal e, se analisarmos apenas os 35 municípios que constituem as áreas metropolitanas de Lisboa e Porto, esse valor ascende a 51%.

Este indicador contabiliza não apenas o nível de poder de compra, mas também a dispersão populacional. Isto é, regiões e concelhos com mais população terão tendencialmente mais poder de compra. Daí que dois terços do poder de compra nacional esteja na Área Metropolitana (AM) de Lisboa e no Norte.

"No conjunto, os dois territórios metropolitanos [Lisboa e Porto] representavam mais de metade do poder de compra manifestado no território nacional, apesar de reunirem 44% da população do país (27% na Área Metropolitana de Lisboa e 17% na Área Metropolitana do Porto)", poder ler-se no destaque publicado hoje pelo Instituto Nacional de Estatística (INE). Os técnicos do INE sublinham que o poder de compra está concentrado nas regiões do litoral continental.

Num olhar município a município, Lisboa destaca-se claramente, representando 10% do poder de compra nacional. Apenas outros 22 dos 308 municípios tinham um poder de compra superior a 1%. O INE identifica-os: "Tratam-se de municípios integrados nas áreas metropolitanas de Lisboa (Sintra, Oeiras, Cascais, Loures, Almada, Amadora, Seixal, Vila Franca de Xira, Odivelas e Setúbal) e do Porto (Porto, Vila Nova de Gaia, Matosinhos, Maia, Gondomar e Santa Maria da Feira), bem como de municípios capitais de distrito (Braga, Coimbra e Leiria). Os municípios do Funchal (na Região Autónoma da Madeira), de Guimarães e de Vila Nova de Famalicão (ambos na sub-região do Ave) ainda faziam parte deste conjunto."

Do lado oposto do espectro surgem concelhos situados no interior das regiões do Norte e do Centro: Alto Tâmega, Beira Baixa e Terras de Trás-os-Montes. "Para além destas sub-regiões, também o Alentejo Litoral, o Alto Alentejo e o Baixo Alentejo contribuíam, individualmente, com menos de 1% para o poder de compra nacional", acrescenta o instituto. Em termos municipais, os menores contributos de todo o país estão no Corvo, Lajes das Flores, Barrancos, Baixo Alentejo e Porto Moniz, estando abaixo de 0,015% do poder de compra nacional.

FONTE: Jornal de Negócios

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