Incerteza faz afundar fusões e aquisições em Portugal em 2021

25 novembro 2021

As grandes e médias operações de compra ou fusão de empresas ascendem a 3,5 mil milhões até novembro. Canadá ultrapassou Espanha na origem do investimento.

Está a ser o pior dos últimos quatro anos em matéria de operações de fusão e aquisição. Portugal apenas registou 64 operações de compra ou fusão de empresas de grande ou média dimensão, até ao início de novembro. Em valor, os negócios ascendem a 3,5 mil milhões de euros, um montante que está mais de 66% abaixo do observado em todo o ano de 2020. No ano passado, registaram-se em Portugal 84 operações de fusão e aquisição de empresas no valor global de 10,5 mil milhões de euros, segundo a Mergermarket, agência de informação financeira.

O ambiente de incerteza, nomeadamente em torno da epidemia e das medidas sanitárias, tem refreado os negócios. Mas, atualmente, também a incerteza política devido às eleições legislativas contribuem para um arrefecimento das compras e fusões de empresas. "Temos assistido a um grande impacto nas decisões de investimento e no setor das aquisições das empresas e das reorganizações e do investimento estrangeiro", disse Mariana Norton dos Reis, sócia da Cuatrecasas, sociedade de advogados que assessorou três das maiores operações em Portugal em 2021.

Uma das conclusões dos dados da Mergermarket é que o Canadá ultrapassou a Espanha em termos de país de origem do maior investimento. Isto devido àquele que foi o maior negócio de aquisição de uma empresa em Portugal: a compra da Logoplaste, em fevereiro, pelo Fundo de Pensões dos Professores de Ontário e a atual gestão da empresa, por 1,4 mil milhões de euros.

O segundo maior negócio em Portugal foi a compra, em julho, de uma fatia de 24,9% da Sonae MC Modelo Continente, liderada por Cláudia Azevedo, pela CVC Capital Partners Limited por €591 milhões de euros. A compra de um portefólio de energia eólica da EDP Renováveis pela Onex por €532 milhões de euros, também no mês de julho, foi a terceira maior operação observada em 2021 até ao momento no país. Seguiu-se a compra de 28,09% da Semapa - Sociedade de Investimento e Gestão SGPS pela Sodim, por 278 milhões de euros, em fevereiro, e a compra de ativos da PT Portugal pela espanhola Cellnex telecom por 209 milhões de euros.

Outra conclusão a tirar dos dados divulgados é que muitas das transações apontam para o dinamismo do segmento de private equity, efetuado por entidades dedicadas a investimentos. Isto porque os dois maiores negócios do ano foram efetuados nesse âmbito.

Apesar de se registar uma forte quebra do montante global de transações registadas em 2021, o valor do ano passado foi impulsionado pela mega operação da Brisa. Em 2020, o Grupo José de Mello e o fundo Arcus venderam 81,1% da Brisa - AutoEstradas de Portugal a um consórcio de investidores suíços, holandeses e sul coreanos, naquele que foi o maior negócio do ano em Portugal. Outro negócio de alguma dimensão em 2020, foi a venda da Sapec Vet, uma participada da Sapec, pela private equity internacional Bridgepoint, à portuguesa Vetlima.

Maria Norton dos Reis, salienta que, com a exceção da operação de compra da Logoplaste, em fevereiro, o primeiro semestre de 2021 foi fraco em volume de operações. Lembrou que o país começou 2021 em confinamento, o que condicionou a realização de investimentos. "E a atividade de fusões e aquisições em Portugal está muito exposta ao investimento estrangeiro", adianta, lembrando que o país sofre "quando há momentos de incerteza". No verão, registou-se uma melhoria, com a ocorrência de mais transações.

O final do ano pode ainda trazer mais operações, como é habitual, antecipa Mariana Norton dos Reis. "No final do ano, as empresas querem fechar as operações que têm em curso mas estamos a sentir que não está a ser tão forte como nos outros anos", afirma. "Entre alguma indefinição política, alguma indefinição de como estamos outra vez na pandemia, e a indefinição em alguns setores mais expostos a decisões governamentais (como a de energia), não estamos com aquela força que habitualmente temos no último trimestre", aponta.

O valor global dos negócios realizados no país deverá permanecer muito aquém do valor registado no ano passado. O cenário de incerteza está a levar a uma suspensão dos investimentos ou ao adiamento de eventuais operações, que poderão ocorrer só durante 2022. Operações como a venda da Meo, pela Altice, poderá tornar o próximo ano mais forte neste tipo de transações. A expectativa no mercado é que, desaparecendo alguma da incerteza, o próximo ano seja um ano mais forte, com um aumento do volume de transações.

Quanto ao ano de 2021, pode mesmo vir a ser o pior desde 2014 em termos de montante global deste tipo de operações de média e grande dimensão. Mas, num mercado de pequena dimensão, como o português, basta uma operação de um montante mais elevado para alterar o valor total das operações de compra e fusão efetuadas.

FONTE: Dinheiro Vivo

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