Explorações agrícolas baixam 4,9% para 290 mil em 2019

01 abril 2021

As explorações agrícolas em Portugal diminuíram em 4,9% em 2019, para 290 mil, face a 2009, revelou hoje o Recenseamento Agrícola divulgado pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).

Na comparação com o recenseamento de 2009, os dados do INE revelam que existiam menos 15 mil explorações agrícolas em 2019, embora a superfície agrícola utilizada (SAU) tenha aumentado 8,1% face a 2009, passando a ocupar 3,9 milhões de hectares (43% da superfície territorial).

Quanto à dimensão média das explorações, esta aumentou 13,7% em 2019, passando de 12 hectares em 2009 para 13,7 hectares de superfície agrícola útil por exploração.

No que toca à distribuição acumulada da superfície agrícola utilizada pelas explorações agrícolas em Portugal, os últimos dados revelam que a sua maioria se concentra num número reduzido de explorações agrícolas, não se tendo registado alterações significativas face a 2009.

As sociedades agrícolas gerem um terço da superfície agrícola utilizada (SAL) e mais de metade das cabeças normais (CN) -- unidade de equivalência que em termos de exploração pecuária permite comparar animais de diferentes espécies ou categorias, em função das suas necessidades alimentares e dos níveis de excreção de azoto.

Sobre a dimensão das explorações agrícolas observa-se um aumento da sua dimensão económica, gerando em média cada exploração 23,3 mil euros de Valor de Produção Padrão, mais 8,1 mil euros que em 2009.

O recenseamento permitiu saber que se regista uma alteração significativa da composição da SAU, verificando-se um diminuição de 11,6% nas terras aráveis e aumentos das áreas das culturas permanentes (+24,6%) e pastagens permanentes (+14,9%).

Constatou-se também que houve um aumento da superfície potencialmente regada (+16,6%), passando a beneficiar 69,7% dos pomares de frutos frescos, 11,5% dos pomares de casca rija, 31,7% dos olivais e 27,8% das vinhas.

Os efetivos animais, por sua vez, aumentaram 10,6% no caso dos bovinos e 15,7% no caso dos suínos em 2019, quando comparados com 2009.

Em termos de mão de obra agrícola na explorações observa-se uma queda de 14,4% em 2019, refletindo a redução do trabalho familiar e, em contrapartida, aumentou a contratação de trabalhadores assalariados na comparação com o recenseamento de 2009 levado a cabo pelo INE.

Já as explorações certificadas para a produção biológica aumentaram para o triplo em 2019, face a 2009, segundo o último recenseamento agrícola.

Este permitiu ainda saber que quase dois terços do efetivo bovino é explorado em regime extensivo e que um terço dos animais estabulados pastoreiam, além de se conhecer agora que praticamente dois terços da vinha tem potencial de produção DOP (Denominação de Origem Protegida).

Em relação aos produtores agrícolas singulares, estes são maioritariamente homens (67,1%) e têm em média 64 anos, e apenas 46,3% concluiu o primeiro nível do ensino básico e 53% têm formação agrícola exclusivamente prática.

O agregado familiar do produtor agrícola, por sua vez, é constituído em média por 2,4 pessoas, sendo que em 59,5% destes agregados existem beneficiários de pensões e reformas.

Os dirigentes das sociedades, por seu turno, são treze anos mais novos do que os produtores singulares e possuem elevadas qualificações académicas e profissionais, segundo o Recenseamento Agrícola 2019.

FONTE: Notícias ao Minuto

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