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Dívida das famílias sobe 6,3 milhões por dia

19 fevereiro 2021

Moratórias contribuem para subida da dívida dos portugueses. Endividamento de famílias, empresas e setor público subiu para novo recorde de 745,8 mil milhões de euros.

No ano em que Portugal foi fustigado com uma das maiores crises económicas de sempre, o endividamento das famílias disparou para o nível mais alto dos últimos quatro anos. No total, o nível de dívida das famílias cresceu 2,3 mil milhões de euros para os 141,3 mil milhões, segundo dados divulgados ontem pelo Banco de Portugal.

No total, o endividamento das famílias, empresas e setor público aumentou 3,8% em 2020 e fechou o ano num novo recorde de 745,8 mil milhões de euros. Deste montante, 342,5 mil milhões de euros correspondem a dívida do setor público e 403,3 mil milhões ao setor privado. O endividamento da economia disparou e corresponde já a 268,8% do produto interno bruto (PIB) nacional. "O drama vai ser quando todos saírem da piscina. Vamos ficar atolados numa piscina de lama", avisa o economista João Duque.

No caso dos particulares, as moratórias terão contribuído para esta subida diária da dívida em 6,3 milhões de euros. "Este aumento do endividamento também decorre de uma questão técnica já que as moratórias estão a impedir a amortização de dívida", considera Filipe Garcia, economista da IMF - Informação de Mercados Financeiros. "Enquanto as moratórias não expirarem, a dívida vai continuar a aumentar, não tenho dúvidas", afirma.

Portugal adotou um regime de moratórias no crédito que permite que fique suspenso o pagamento de prestações dos empréstimos de famílias e empresas. A moratória pública, que abrange inclusive o crédito à habitação, estará em vigor até ao final de setembro deste ano.

O Banco de Portugal estima que o montante que não vai entrar nos cofres dos bancos no período rondará os 13 mil milhões de euros, dos quais dois mil milhões de correspondem a créditos de famílias.

As empresas também são abrangidas por moratórias no crédito. "O pior está nas micro e nas pequenas empresas que precisam de liquidez para que os empresários e alguns funcionários tenham dinheiro para sobreviver", aponta João Duque. O economista lembra que, apesar de as taxas de juro estarem em níveis historicamente baixos, não irão ficar assim para sempre e já há sinais de poder haver uma inversão na tendência. "Assim que as coisas começarem a melhorar, a questão é o que vão fazer", frisa.

"Quem está endividado é que deve estar preocupado. Ninguém sabe como vai ser a recuperação económica. As bolsas tendem a antecipar os ciclos económicos e atualmente apontam que a recuperação económica que vamos ter será forte", salienta Filipe Garcia. "Quem está endividado deve ter cuidado", alerta.

FONTE: Dinheiro Vivo