Empresas pretendem adotar um sistema misto depois da pandemia

13 janeiro 2021

68% dos diretores de recursos humanos inquiridos para o Barómetro RH 2020/21, realizado pelo Kaizen Institute, afirma que a sua empresa adotou ou vai adotar um modelo misto de trabalho, numa lógica de complementaridade entre teletrabalho e trabalho presencial. Destas, 86% planeia manter dois ou mais dias de trabalho remoto por semana.

Ainda que a maioria das empresas pretenda adotar um regime misto, 85% não paga ajudas de custo aos colaboradores em teletrabalho e somente 8% está a pensar fazê-lo.

Apenas 30% dos inquiridos afirma que o teletrabalho deixará de ser opção assim que as condições sanitárias o permitam.

Adaptação
Para esta realidade podem contribuir algumas dificuldades encontradas na implementação do modelo de teletrabalho. Entre os dois maiores desafios, os inquiridos identificaram a falta de garantia de comunicação eficiente e clara (71%) e a dificuldade de adaptação dos standards e protocolos de trabalho aos novos padrões (47%).

O conhecimento das ferramentas digitais por parte dos colaboradores também influenciou a capacidade de adaptação das empresas: 44% dos inquiridos afirma que o grau de alinhamento das competências digitais dos colaboradores é médio, pelo que têm já um plano de treino e recrutamento definido para acompanhar o barco da transformação digital. Por outro lado, 38% dos inquiridos advoga que os seus colaboradores estão dotados das competências digitais necessárias.

“Esta edição do Barómetro RH 2020/21 fica marcada por um contexto disruptivo, que forçou as organizações a ajustarem-se rapidamente. Houve uma mudança notória nas relações do trabalho, desde logo através da larga adoção do teletrabalho, que deverá integrar de forma estrutural o funcionamento das organizações. Este panorama implica que se repense grande parte dos processos. Externamente, prestando o melhor serviço através da rapidez na capacidade de resposta e garantindo a qualidade para assegurar a satisfação do cliente. Internamente, com a simplificação e otimização dos processos para um grande e eficaz aumento de produtividade. Com o aumento da digitalização e do teletrabalho, a importância dos recursos humanos na transformação do tecido empresarial é fundamental. As pessoas são o verdadeiro motor das organizações, o que está intimamente ligado ao sucesso de cada negócio. O desafio do Kaizen é a concretização dos objetivos disruptivos, mobilizando a transformação diária e sustentada, com todas as pessoas, em todas as áreas, para chegar a níveis de desempenho económico e financeiro de excelência, garantindo a sustentabilidade futura das organizações”, afirma Tiago Mota Costa, Senior Partner do Kaizen Institute Western Europe.

Diferentes prioridades
O Barómetro RH 2020/21 revela ainda que as prioridades das empresas no que toca aos recursos humanos se alteraram. Entre os dois aspetos a que as companhias dão agora primazia estão a preparação do colaborador para diferentes cenários no médio e longo prazo (44%) e a melhoria das condições de segurança, higiene e saúde no trabalho (39%). Antes da pandemia, as duas prioridades de topo, no que respeita os recursos humanos, eram a retenção de talento (53%) e a contratação de novos profissionais (45%).

Apesar do contexto, 55% dos diretores afirma que a motivação dos trabalhadores se manteve estável nos últimos seis meses e 24% revela um aumento. Relativamente à produtividade, 68% comunica que, no mesmo período, este indicador se manteve estável e 22% refere que esta até aumentou.

Quanto à expectativa da eficiência das equipas em teletrabalho no primeiro semestre de 2021, 31% acredita que se verificará uma maior eficiência, 39% considera que os valores serão equivalentes aos do trabalho presencial e 30% dos inquiridos acredita que a eficiência será menor.

Relativamente ao processo de recrutamento, uma das principais mudanças está ligada à digitalização. A maior parte das empresas (53%) já tinha uma componente digital nos seus processos, sendo que a grande maioria do processo de recrutamento é agora feito online. Somente 19% manteve os seus processos de recrutamento inalterados.

O Barómetro Kaizen RH 2020/2021 concluiu ainda que, apesar da atual crise e do impacto negativo que se sente de forma transversal nos mercados, 69% das empresas espera aumentar a sua massa salarial no primeiro trimestre. Destas, 34% antecipa aumentos de até 2%, 29% estima um aumento entre 2% e 5% e 6% prevê um aumento superior a 5%.

FONTE: Revista Grande Consumo

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