Zona euro a caminho da maior desvalorização salarial

05 junho 2020

Choque de desemprego já está a acontecer e vai doer mais nos países com maior proporção de trabalho a prazo e por conta própria, alerta o BCE. É o caso de Portugal: um terço dos trabalhadores tem este tipo de vínculos. São quase 1,6 milhões.

Azona euro deverá registar, neste ano, a maior desvalorização salarial nominal per capita de que há registo, mostram séries históricas da Comissão Europeia já com a nova previsão do Banco Central Europeu (BCE), ontem revelada.

E o choque de desemprego também não se fica por 2020, propaga-se 2021 a dentro, indica o BCE, ao contrário do que foi projetado por Bruxelas há um mês. As diferenças variam consoante os países, mas o banco liderado por Christine Lagarde avisa que o desemprego tenderá a atingir mais os países com maior proporção de contratos a termo ou a prazo, outros vínculos precários/temporários e de trabalho por conta própria. É o caso de Portugal, que regista a terceira maior incidência da Europa neste tipo de vínculos laborais.

Segundo contas do DN/Dinheiro Vivo com base nos dados do Instituto Nacional de Estatística, no primeiro trimestre deste ano, estavam nesta situação a prazo e mais precária quase 1,6 milhões de pessoas, um terço do total de trabalhadores.

"Prevê-se que as taxas de desemprego continuem a apresentar diferenças substanciais entre os países da área do euro. No geral, espera-se que os países com uma alta proporção de trabalhadores temporários ou autónomos testemunhem um aumento nas taxas de desemprego e perdas de rendimento", alerta o BCE.

Em face deste cenário muito negativo, Lagarde anunciou ontem um reforço substancial da sua bazuca especial para comprar dívida pública dos governos da área do euro (quase que duplica o poder de fogo), ao mesmo tempo que prolonga a duração deste programa por mais seis meses.

Enorme e abrupta recessão, económica e salarial
Mesmo assim, vai ser complicado. Neste ano, a economia do euro vai afundar numa das maiores recessões de que há memória (o BCE baixou a fasquia para uma contração de 8,7% e, ato contínuo, avançou com previsões muito negativas para o mercado de trabalho).

O salário nominal médio por trabalhador deve recuar 1,9%, naquela que será a maior contração da história da zona euro (que nasceu em 1997). Colando as séries disponíveis (da Comissão Europeia), poderá ser a maior desvalorização salarial nominal desde 1960 (a segunda pior terá sido em meados dos anos 1990).

É uma queda "substancial", como diz o BCE, para mais num contexto de destruição de emprego. O BCE prevê uma redução de 2,8% no número de postos de trabalho. Ou seja, mesmo com o denominador a cair (o que contribuiria para um aumento do salário médio), a erosão salarial é tal que o salário médio desce em 2020.

Frankfurt não publicou cálculos por país, mas há um mês a Comissão Europeia já dava conta de uma estagnação salarial medida através do ordenado médio por trabalhador em Portugal (0%). É o registo mais fraco desde os anos da troika.

O BCE também prevê que a intensidade do desemprego aumente este ano, atingindo 9,8% da população ativa, e, contrariamente ao que previu a Comissão no início de maio, a degradação do mercado laboral continua no ano que vem, com a taxa de desemprego da zona euro a tocar os 10,1%. Bruxelas calcula que em 2021 o desemprego vai descer para 8,6%.

Ainda relativamente à desvalorização salarial prevista para este ano, reflexo da subida do desemprego e da torrente de lay-offs por essa Europa fora, o BCE desdramatiza um pouco.

FONTE: Diário de Noticias

Associadas

Parcerias

Objectivos

‘‘Os objectivos da ANIL centram-se na defesa dos interesses e representação do sector, no acompanhamento das matérias legislativas, normativas, ambientais, económicas e técnicas que contribuam para o desenvolvimento da indústria láctea em Portugal...

Calendário

Seg. Ter. Qua. Qui. Sex. Sáb. Dom.
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
26
27
28
29
30
31

Próximos Eventos

Não existem eventos programados!

Redes Sociais

Top
ATENÇÃO: Este site apenas usa os cookies para lhe facilitar a navegação enquanto utilizador.