Empresas têm cada vez mais medo de piratas informáticos

15 abril 2019

Estudo da Marsh sobre os riscos que preocupam as empresas portuguesas conclui que é na tecnologia que estão as maiores fragilidades.

Há cinco anos o fantasma chamava-se crise financeira e ainda pairava sobre mais de metade das empresas portuguesas. Hoje, o medo da crise foi atirado para o fim da lista de preocupações dos empresários nacionais, e substituído por um novo “bicho papão”: os ataques cibernéticos. Segundo um estudo da corretora de seguros Marsh, 58% das empresas teme vir a ser atacada por piratas informáticos.

A explicação é simples, aponta Fernando Chaves, especialista de risco da Marsh Portugal. “As empresas estão extremamente dependentes da tecnologia e um ataque cibernético pode paralisar uma companhia durante semanas. Mesmo as organizações mais bem preparadas podem ser afetadas”, destaca em entrevista ao Dinheiro Vivo.

Segundo a edição de 2019 do estudo da Marsh que analisa a “Visão das Empresas Portuguesas sobre os Riscos”, os ataques cibernéticos têm vindo a ganhar terreno no radar de preocupações das empresas. Em 2015 apenas 22% das empresas temia ser alvo de um ataque. Ao longo dos anos, esse valor foi subindo gradualmente, até chegar este ano aos 58%.

Fernando Chaves acredita que os receios têm razão de ser. “As notícias sobre ataques cibernéticos fazem eco apenas de uma pequena parte dos ataques que ocorrem, que são milhares todos os dias. E são transversais a todos os setores, da agricultura aos serviços”.

O especialista aconselha as empresas a “protegerem-se ao máximo, por exemplo, ao não dependerem de apenas um fornecedor ou cliente, pois estar dependente de balões de oxigénio pode, no limite, ditar o fecho da empresa”.

O medo dos piratas da internet não se limita à própria empresa. Quando questionadas sobre os riscos que acham que o mundo vai enfrentar em 2019, 66% das 170 organizações que participaram no estudo responderam “ataques cibernéticos em larga escala”. Há cinco anos essa tinha sido a resposta de apenas 27% dos inquiridos.

Ano de eleições traz “preocupação natural”
Depois dos ataques informáticos, o risco que mais assusta as empresas nacionais é a “instabilidade política ou social”, mencionada por 52% dos inquiridos.

Nas cinco edições do estudo da Marsh, este foi um tema que nunca saiu do top 2 das preocupações das empresas. Segundo Fernando Chaves, o facto de ser ano de eleições em Portugal não justifica todos os receios, apesar de “anos de eleições trazerem consigo uma preocupação natural”.

O especialista sublinha, no entanto, que estas “instabilidades” são globais. “A empresa portuguesa tem hoje um caráter mundial, ou porque investiu ou porque exporta. E está atenta ao que se passa nos mercados que lhe são próximos. Temos por exemplo Espanha, o nosso principal mercado de exportação, com a crise da Catalunha, o Reino Unido com o Brexit, e ainda a instabilidade em países como Brasil, Venezuela ou Angola”.

Segundo Fernando Chaves, a abertura das empresas portuguesas ao mundo pode ajudar também a explicar a queda a pique da crise financeira na tabela das preocupações. “As empresas hoje não dissociam, e bem, uma crise nacional de uma internacional. Em 2015 a crise nacional era um tema do quotidiano das empresas. Em 2018 desapareceu totalmente da lista e este ano volta a aparecer, no último lugar, mas devido a essa dependência de Portugal de mercados externos”, como EUA e China.

Nada é ficção científica
Entre 2015 e 2019, muito mudou na perceção que as empresas têm sobre o que é um risco. A nível mundial, por exemplo, o receio de “ataques terroristas em larga escala” dominou a tabela durante quatro anos. Ainda no ano passado foi mencionado por mais de 40% dos inquiridos. Este ano desapareceu por completo da lista.

Em sentido inverso, a ganhar escala nas preocupações das empresas, estão, por exemplo, os “fenómenos climáticos extremos”.

No geral, diz Fernando Chaves, as empresas portuguesas estão hoje “muito mais bem preparadas para enfrentar riscos do que há dez anos”. O tema da crise volta a ser essencial para explicar o fenómeno.

“Hoje as empresas não procuram novos mercados para investimento ou exportação sem os conhecerem bem. Os gestores de hoje olham para o risco como uma alavanca de oportunidade. Há 10 anos o tema não era sexy”.

Além disso, diz, depois dos anos da troika as empresas nacionais “contrataram gestores e funcionários de outros países, que trouxeram uma cultura de risco diferente para Portugal”.

O maior conselho que o especialista dá às empresas é terem “a capacidade de entender que os riscos são transversais a todas as áreas, e todas devem fazer um levantamento próprio dos riscos que correm, cabendo ao topo da hierarquia perceber como se interligam”.

Fernando Chaves diz ainda que é importante que as empresas tenham “capacidade inventiva para criar cenários” que até podem parecer absurdos, ou de “ficção científica”, mas que numa sociedade em rápida mudança podem estar mesmo ao virar da esquina.

“Alguns cenários que apresentámos em anos anteriores já começam a ocorrer”, garante.

O estudo contou com a participação de 170 empresas de 22 setores de atividade, incluindo startups e empresas cotadas em bolsa.

FONTE: Dinheiro Vivo

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