Portugueses estão a produzir mais lixo

18 setembro 2018

Os portugueses aumentaram a sua produção de lixo em 2%. Especialistas estão preocupados que metas europeias impostas até 2020 não sejam cumpridas.

Os portugueses estão a produzir mais lixo. Esta é uma das conclusões do último relatório do estado do ambiente, divulgado em junho deste ano. Os números não mentem: no ano passado, em Portugal, foram produzidos 4,75 milhões de toneladas de resíduos. Por dia, cada português produziu 1,32 quilos de lixo. Comparando os dados com 2016, é possível afirmar que foram produzidos mais 2,3% de resíduos em 2017.

Com este panorama, Carmen Lima, responsável pela área de resíduos da Quercus diz ao i que não acredita que Portugal consiga atingir as metas traçadas pela União Europeia. Até 2020, Portugal terá de reduzir a produção de lixo na ordem dos 10% e atingir uma taxa de reciclagem na ordem dos 50%. “Estamos muito longe, no que respeita à redução de lixo – estamos na ordem dos 3% –, no que respeita à reciclagem estamos nos 38%”, revelou a especialista. Este paradigma não vai se vai alterar apenas num ano e poucos meses, tempo insuficiente para “conseguir mudar mentalidades e levar as pessoas a participarem mais na separação do lixo”, completa a responsável.

Depois de no ano passado Bruxelas ter alertado Portugal sobre a taxa de resíduos em aterro ser muito alta, este ano a Comissão Europeia voltou a avisar que a gestão dos resíduos continua a ser insatisfatória. A comissão disse mesmo que Portugal terá de investir mais no setor dos resíduos durante os anos que se avizinham.

Mas afinal o que ainda falta fazer para combater este aumento? Segundo a responsável da Quercus é necessário avaliar o modelo de separação dos resíduos que tem sido utilizado durante os últimos 20 anos. Na altura em que este sistema foi implementado teve “um peso muito importante para mudar o paradigma da gestão dos resíduos”, mas, 20 anos depois, o consumo de produtos embalados e descartáveis e o aparecimento de outro tipo de produtos – como as cápsulas de café –, tem gerado “confusão e dúvidas” sobre a forma como se deve separar corretamente os resíduos. Desse modo, “era importante apostarmos na sensibilização das pessoas e na informação”, realça a especialista.

Do ponto de vista da responsável, este aumento pode ser justificado com o facto de Portugal ter saído de uma época de crise. Quando se tem menos disponibilidade financeira há tendência para “adquirir produtos mais baratos – que geralmente não são embalados – o que possibilita a redução do consumo de lixo”, explica. O facto de as campanhas de sensibilização terem sido reduzidas também contribuiu para o aumento da produção de lixo: “Não falando no assunto não lembramos a população de que deve participar”.

O valor das verbas disponibilizadas para as campanhas diminuiu e, por isso, as entidades que fazem a gestão das campanhas tiveram de se adaptar: decidiram focar-se apenas num público-alvo, neste caso o público escolar. Mas educar apenas as crianças não é suficiente, porque a informação tem que chegar a todas as faixas etárias “para que a mensagem passe” e as dúvidas sejam esclarecidas, considera Carmen Lima.

Além disso, a educação da população não é suficiente. Também é preciso “criar mecanismos de incentivo e mecanismos punidores”, com o objetivo de motivar as pessoas a fazer a separação do lixo. Como é que isso pode ser feito? Através da introdução de sistemas de separação que beneficiem as pessoas que fazem reciclagem. O sistema Payt – os ecopontos registam todos os resíduos depositados e o cidadão só paga uma taxa pelo lixo indiferenciado, ou seja, quanto mais lixo separar menos taxa paga – e o sistema de tara retornável – o cidadão tem a possibilidade de entregar garrafas descartáveis e ser reembolsado – são duas opções fiáveis. “Estes sistemas são mais justos e levam as pessoas, por questões económicas, a aumentarem a separação” dos resíduos, sublinha Carmen Lima.

Outras medidas
Podem ainda ser adotadas medidas de outro tipo que ajudam a reduzir a quantidade de lixo produzido, no entanto, ainda precisam de ser aperfeiçoadas. Segundo a especialista é necessário criar uma melhor oferta a nível da venda de produtos a granel. “Há algumas proibições quanto à comercialização” de produtos como o arroz, café, farinha ou açúcar a granel. Havendo essa proibição “estamos a motivar de alguma forma a produção das embalagens e a aquisição de maiores quantidades daquilo que é a utilização dos consumidores”, explica a especialista.

Se o panorama não mudar e se não forem realizadas mais campanhas para alertar a população para o problema, a produção de resíduos deverá continuar a aumentar, admite a responsável.

Nesse sentido, existem apostam fundamentais que devem ser feitas: “A sensibilização da população, ajustar os modelos de recolha de resíduos à necessidade e respostas da população, e punir ou beneficiar quem tem comportamentos ambientalmente mais ou menos adequados”, remata a responsável.

FONTE: I Online

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