Candidatos ao microcrédito são cada vez mais jovens

16 abril 2018

Mecanismo foi criado em Portugal há 20 anos e já levou à criação de mais de 2. 200 mil negócios: da restauração, à venda em feiras e mercados, passando por cabeleireiros até ao comércio pela internet.

Desde 1998 já foram criados em Portugal mais de 2.200 microcréditos, que correspondem a mais de 15 milhões de empréstimos concedidos. É o balanço dos primeiros 18 anos de atividade da Associação Nacional de Direito ao Crédito, num relatório que revela que a esmagadora maioria dos candidatos não chega a ver o empréstimo aprovado.

Para quem consegue, significa muitas vezes o passaporte para fora do limiar da pobreza. Os últimos anos revelam ainda que esta é uma oportunidade usada por empreendedores cada vez mais jovens e mais qualificados para criarem o próprio emprego.

Depois da crise e até 2016 os jovens até aos 34 anos já representavam metade dos microcréditos pedidos com o apoio da Associação nacional de Direito ao Crédito, uma tendência que tem vindo a subir desde o início.

Já as mulheres, que durante muitos anos estiveram em maioria, foram agora ultrapassadas pelos homens, embora a vantagem seja ligeira, têm 51% dos pedidos de empréstimo.

Outra alteração está relacionada com as habilitações, que têm vindo a aumentar. Até 2004, apenas 35% dos empresários tinha pelo menos o ensino secundário, entre 2009 e 2016 essa percentagem é já de 68%, bastante acima da população residente em Portugal em 2011. Os candidatos com ensino superior começaram por ser residuais, agora já são proporcionais à população ativa.

A mesma percentagem de estrangeiros que trabalham em Portugal candidatou-se ao microcrédito, 4%. Depois da crise aumentou a procura destes empréstimos por imigrantes do leste da europa e brasileiros, ao mesmo tempo que os naturais dos PALOP reduziram para metade o interesse.


Número de empresários estrangeiros, por nacionalidade. Fonte: Associação Nacional de Direito ao Crédito

Candidatos ao microcrédito no limiar da pobreza
Depois da crise, o rendimento mensal médio dos candidatos fixou-se nos 441 euros, ligeiramente abaixo do limiar de risco de pobreza.

Estes empresários estão em vulnerabilidade económica. É verdade que, quem tem filhos, apresenta praticamente o dobro dos rendimentos médios mensais dos que não têm progenitores. Uma diferença de 1.074 euros para 577. Mas estes valores não contam toda a história.

O apoio da família, sobretudo do cônjuge, tem um peso significativo, de 44%, sem esta ajuda o rendimento médio mensal destes empresários cai para 441 euros. Ou seja, fica ligeiramente abaixo do limiar de pobreza, fixado à altura a que se reportam os dados, 2016.

Por outro lado, os apoios sociais não vão além de 1% e só abrangem 4% dos casos. A maioria, 67%, está desempregada e, destes, apenas 26% ainda recebia subsídio de desemprego, antes de ser concedido o microcrédito. Só 38% dos rendimentos correspondem a atividade remunerada.

A maior parte destes empresários, 51%, vivia em agregados diversificados, 40% eram casados ou equiparados, e apenas 9% estavam sozinhos. Quase metade, 43%, tinham filhos a cargo, uma percentagem que sobe entre os estrangeiros para 63%.

Depois da crise e até 2016, último ano em que há dados, 1.241 empresários investiram mais de 15 milhões e 300 mil euros em pequenos negócios, financiados com mais de 10 milhões de euros em microcréditos.


Fonte: Associação Nacional de Direito ao Crédito

Os negócios do microcrédito
Da restauração à venda em feiras e mercados, dos cabeleireiros ao comercio pela internet. Há negócios para todos os gostos nos primeiros 18 anos do microcrédito.

A grande maioria dos negócios apoiados pelo microcrédito, 80%, são criados no sector terciário, que abrange o comércio e serviços. Predomina o comércio a retalho, com 658 negócios criados, sobretudo na venda alimentar. Mas há surpresas, como os 117 empréstimos pedidos para vender em feiras e mercados, ou os outros 19 que decidiram criar o próprio emprego com o chamado “e-comerce” ou vendas pela internet.

A restauração também é popular no setor, com 337 negócios abertos. Assim como os serviços pessoais de baixa sofisticação (cabeleireiros, limpezas e engomadoria, entre outros) e serviços que implicam mais formação, como educação, saúde e apoio social. Há também serviços na área económica: seguros, informática, consultoria e apoio a empresas.

A indústria transformadora, sobretudo com projetos e construção, é o terceiro sector mais procurado, e só depois vêm as atividades primárias, o comércio por grosso e as vendas de automóveis, no fundo da tabela.

Esmagadora maioria investiu onde tinha experiência ou formação
Na maioria dos casos o objetivo é criar o próprio emprego. Nos 18 anos analisados, a média de trabalhadores por negócio é de 1,12, mas nos últimos oito anos subiu ligeiramente para 1,19.

As vendas em feiras e mercados têm mais valor na região centro. O comércio a retalho dos têxteis e calçado é mais expressivo no norte mas a indústria transformadora tem mais negócios na área metropolitana de Lisboa. Os projetos e construção, a indústria transformadora e os serviços diversos também têm mais relevo na área metropolitana de Lisboa.


Fonte: Associação Nacional de Direito ao Crédito

Apenas uma minoria consegue o crédito
A esmagadora maioria dos candidatos ao microcrédito ficam pelo caminho, 9 em cada 10, segundo a Associação Nacional de Direito ao Crédito. A maioria (59%) desiste logo na fase de candidatura, 41% ainda chega à formulação da proposta, mas dificuldades com o crédito acabam por afastá-los.

Ainda assim, nos últimos 18 anos foram fechados mais de 2.200 micronegócios, com mais de 15 milhões de euros de empréstimos concedidos. O ano que registou mais negócios foi justamente o da crise, 2008, com 222 empréstimos.

Em média, cada empréstimo ronda 6.700 euros, pouco mais de metade chega aos seis mil euros, apenas 8% ultrapassa os 10 mil euros.

Grande parte do investimento é feito com crédito, mas também é complementado com capitais próprios, participações familiares e outros apoios públicos. Em média, são investidos 12.300 euros em cada negócio, e 61% são capitais próprios.

Entre 2009 e 2016 registou-se uma diminuição nos atrasos no pagamento das prestações do crédito, de 17% para 10%. Há ainda 16% de créditos em incumprimento, chegaram ao fim do prazo com prestações em falta.

Segundo este relatório, os negócios que registam mais incumprimento já existiam em nome de outrem, já com menos incumprimento estão os que existiam de forma informal.

Por outro lado, quanto mais capital próprio o empresário aplica e maior é a sua qualificação, menor é o incumprimento.

No final do empréstimo, 76% continuavam de portas abertas, mas 13% já tinham prestações em atraso.

FONTE: Rádio Renascença

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